Internacional

Exército do Egito quer entregar o poder em 6 meses; Irmandade criará partido


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Cairo - Os militares do Egito afirmaram ontem que esperam entregar o poder a um governo eleito dentro de seis meses. "O Supremo Conselho Militar expressou a esperança de entregar o poder dentro de seis meses a uma autoridade civil e a um presidente eleito de forma pacífica e livre que expresse as opiniões do povo", informou um comunicado das Forças Armadas. "O conselho afirmou que não busca o poder, que a situação atual foi imposta às Forças Armadas e que confiam no povo." Alguns líderes seculares temem que a corrida para a eleição presidencial e parlamentar no país onde Mubarak suprimiu boa parte da atividade da oposição por 30 anos ofereça uma vantagem à Irmandade, provavelmente o único grupo político bem organizado.
Irmandade muçulmana
A Irmandade Muçulmana anunciou que vai formar um partido político tão logo sejam revogadas as proibições implantadas durante a ditadura de Hosni Mubarak. Fundada na década de 20, a Irmandade era o maior grupo de oposição durante o regime de Mubarak; manteve, porém, atitude discreta nos protestos que levaram à queda do ditador. Embora banida, era tolerada e apoiava candidatos independentes. Em declaração no seu site, o grupo disse que montará legenda própria assim que "a demanda popular pela liberdade de criar partidos" seja levada em conta pela junta militar que governa o Egito. Sobhi Saleh, um dos integrantes do comitê que a junta militar egípcia convocou para discutir mudanças constitucionais, afirmou que o país viverá sob uma "Constituição emendada" até que a democracia seja instaurada. Segundo jovens ativistas, a intenção dos militares é que as emendas sejam feitas em até dez dias e que a nova Carta seja submetida a referendo dentro de dois meses. Especialista em assuntos jurídicos, Saleh também é integrante da Irmandade Muçulmana. Sua escolha para o comitê fez aumentarem os rumores de que os militares estariam dispostos a colocar a organização na legalidade.

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