No dia 01/02, em Brasília, aconteceu a posse dos nossos ilustres representantes parlamentares para o mandato 2011-2015. No Senado, o senador José Sarney, 80 anos, foi eleito para o seu quarto mandato na presidência. Numa cena trágico-cômica de fazer inveja aos maiores teatrólogos, o todo poderoso maranhense, emocionou-se, chegando às lágrimas, ao afirmar que este seria o seu último mandato no Legislativo. E o mais cômico, chegando às raias do ridículo, se deu, quando, na cara dura, chegou a declarar, naquele ambiente tétrico e falso, que sua honorabilidade e conduta pessoal jamais foram questionadas. "A ética para mim não tem sido só palavras, mas exemplo de vida inteira". Não sabemos se, pela idade avançada, ou sem vergonhice mesmo, não lhe vieram à mente os onze pedidos de cassação de seu mandato no Conselho de Ética do senado no escândalo conhecido como o dos "atos secretos", em que a Casa omitiu atos tomados pelo seu comando. O circo está armado com o palhaço-mor eleito. Certamente, enorme a invisível lona da impunidade será estendida sobre as falcatruas, as injustiças, as corrupções que ainda advirão nestes quatro anos. Uma já explodiu, quando os trabalhos parlamentares nem iniciados eram: a da decisão abusiva e revoltante do aumento salarial dos nobres pares. A coisa não para por aí. Ninguém resiste à tentação do dinheiro público, até o senador Pedro Simon,considerado uma das últimas reservas de honestidade e decência deste país, chafurdou-se no lamaçal da corrupção ao requerer uma pensão (vitalícia) como ex-governador gaúcho, vinte anos depois de deixar o cargo que exerceu por menos de quatro anos. Como é triste encontrar, em nosso Congresso, figuras históricas acusadas de corrupção, abuso de poder, sonegação etc! Diante deste quadro, é difícil acreditar em dias melhores. Impossível? Talvez! Mas é inadmissível que os nossos jovens de hoje fiquem indiferentes a estes descalabros políticos. Aproveito para questionar os jovens de ontem, das décadas de 60 e 70 que iam para as ruas, sem violência, lutar por seus direitos, pintavam as caras e conseguiam impor suas opiniões? Hoje, são adultos. E, em verdade, podemos nos perguntar: onde eles estão? Quais as posturas políticas que eles assumem hoje nesta sociedade desigual? Será que ainda continuam questionando as "grandes panelas" dos políticos corruptos. Ou se tornaram um deles? Resta-nos es-perar que os jovens brasileiros de ontem e os de hoje despertem e quebrem os grilhões dessa tradição corrupta, manchada pela subordinação aos senhores do mundo, e passe a criar seus próprios valores. Entretanto, para que isso possa vir a acontecer, é necessário que a nossa juventude tão ousada tenha disposição para reverter a situação vigente na "coisa pública". Mesmo desacreditada da vida política, devido à excessiva corrupção instaurada nos grupos políticos, é necessário fazer uma tentativa para que as mudanças aconteçam. Desta forma, jovens, que sempre estiveram presentes em muitos momentos político-historicos importantes, eu pergunto: cadê vocês? Mostrem sua cara e sua voz! Hoje se faz ainda mais necessário que a juventude se torne protagonista de sua história como a juventude de outrora.
O autor, Gino Crês, é professor
O autor, Gino Crês, é professor