São Paulo - A entrada na faculdade, que era para ser um momento de comemoração, nem sempre acaba bem. Alunos que sofrem trote violento podem ter dificuldades para superar o trauma por que passaram. Mas, até por iniciativa dos alunos, o trote tem mudado. No Mackenzie, por exemplo, ele é organizado pelo Diretório Central dos Estudantes (DCE). Os calouros são incentivados a doar sangue e recolher roupas e alimentos. â??Somos contra o trote de rua. Queremos reforçar esse tipo de integração (solidária)â?, diz o presidente do DCE, Eduardo Lima Cabral. Mesmo com essas iniciativas, quem circulou pelas ruas de São Paulo nos últimos dias teve a chance de ver â??bixosâ? pedindo dinheiro, inclusive do Mackenzie. Casos de violência fÃsica e constrangimento também continuam a ocorrer. No ano passado, no Interior de São Paulo, calouros da Unifeb sofreram queimaduras no trote. Em BrasÃlia, alunas da UnB simularam sexo oral em linguiças. Para coibir essas ações, as instituições têm criado disque-trotes. Marcelo Fidalgo, 23 anos, usou algumas artimanhas na última segunda-feira para escapar do trote da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP): deixou para fazer a matrÃcula no meio da tarde, evitou aglomerações e, de fininho, foi embora.
Atividades solidárias
Criado como uma alternativa para as brincadeiras violentas e constrangedoras, o trote solidário passou a ser a única forma de recepção de calouros em muitas universidades do PaÃs. Taline Costa, 22 anos, não teve o rosto sujo de tinta quando entrou para a Faculdade de Medicina do ABC, em SP. Mesmo assim, não faltou tinta em sua recepção. No trote solidário organizado por seus veteranos, ela ajudou a pintar o muro de uma creche. Gostou tanto da iniciativa que hoje é uma das responsáveis pela escolha dos lugares beneficiados. â??A gente visita os locais ainda nas férias, vê do que precisam. Fazemos recreação, doamos material escolar, o que for precisoâ?, conta. Em algumas faculdades, o trote solidário é organizado pela própria instituição. Ã? o caso das Fatecs (Faculdade de Tecnologia de SP), onde a integração dos calouros envolve arrecadação de alimentos e brinquedos, destinados a comunidades carentes. Na Fiap, também em SP, a solidariedade busca promover a saúde: os novos alunos são incentivados a se cadastrar como doadores de medula óssea. A campanha é feita em parceria com a Associação da Medula Ã"ssea do Estado de São Paulo (Ameo).____________________ Aluno da Unesp conta ter
sofrido assédio em república
São Paulo - Aos 17 anos, André Prado passou em engenharia elétrica na Universidade Estadual Paulis (Unesp) de Guaratinguetá (473 km de Bauru). Foi morar em uma república, onde sofria assédio moral constante. Por dois meses, suportou a situação até que decidiu mudar de universidade. Hoje, aos 22, coordena o Trote da Cidadania da Unicamp, onde estuda. Questionada pela reportagem, a Unesp diz não ter como fiscalizar o que ocorre fora do campus. A seguir, trechos do depoimento de André ao Fovest: Em 2007, aos 17 anos, passei em engenharia elétrica na Unesp de Guaratinguetá. Nos dois meses em que fiquei lá, sofri com trote violento. Não digo violência fÃsica, mas muito assédio moral. Em Guaratinguetá, o trote era fora da universidade, nas repúblicas, que são tradicionais. Fui chamado para as vagas remanescentes, por isso, quando eu cheguei, as aulas já tinham começado. Assim que cheguei, conheci um cara na faculdade que me convidou para morar na república dele. Fui visitar a casa e resolvi morar lá. Os trotes começaram lá na república. A gente morava em 12. Eu era o único calouro. Em casa, eu não podia me sentar à mesa da sala nem no sofá. Eles tinham uma cadela weimaraner. Ela era dócil, mas tinha pulga e carrapato. Ela ficava dentro de casa, eu sentava no chão. Conclusão: peguei pulga e carrapato. A Unesp sempre falou: â??Denunciemâ?. Havia um disque-denúncia. Mas, de alguma forma, os veteranos descobriam quem denunciava. Alguns amigos denunciaram na época, mas os veteranos descobriram, e eles acabavam tomando mais trote ou acabavam excluÃdos. Não podiam ir à s festas, ninguém conversava com eles, eram excluÃdos do grupo. TÃnhamos que sofrer quietos. Um dia, eu entrei numa aula de que eu não gostava. Eu já estava cheio desses assédios morais, aà eu pensei: â??Não quero isso para mimâ?. Eu voltei para casa (em MarÃlia, a 108 km de Bauru) e, depois de oito meses de cursinho, passei para engenharia quÃmica na Unicamp. Hoje eu sou coordenador-geral do Trote da Cidadania. A base do trote é mostrar a sociedade na qual o calouro está inserido.____________________ Federal investiga trote com
fezes e urina de animais
Salvador - A Procuradoria Federal, junto à Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf), abriu uma investigação para apurar denúncias de trotes a calouros com fezes e urina de animais no campus de Ciências Agrárias em Petrolina (PE). O órgão recebeu uma denúncia anônima feita no último dia 5, que traz vÃdeos e fotos feitos por estudantes em 2007, dentro do campus. As imagens mostram alunos, alguns amarrados, sendo atingidos com uma mistura de excrementos de animais e ovos podres, segundo relato de estudantes que participaram do trote. Em nota, a Univasf afirmou que â??repudia e coÃbe qualquer ato de violência fÃsica, psicológica ou de constrangimento que possa ser imposto aos membros da comunidade universitária e, em especial, aos calouros, dentro de seus campiâ?. Ainda segundo a universidade, a denúncia foi encaminhada à Procuradoria Federal para â??análise jurÃdica e indicação da forma legal de sua apuração e responsabilização, por se tratar de autoria desconhecidaâ?. VÃdeos e fotos postados em fóruns e sites de relacionamento na internet apontam que o trote continuou ocorrendo nos anos seguintes, porém fora da universidade. Segundo relatos de supostos estudantes feitos nesses sites, o trote é voluntário, pago (com a cobrança de ingressos) e não violento (os calouros não são mais amarrados).â??Ah, que espécie de médicos veterinários, zootecnistas ou agrônomos vamos ser tendo nojo de bosta de vaca???? Vamos mexer com isso a vida toda e com coisa pior!â?, escreveu uma garota que se identifica como uma estudante que participou do trote em 2009.
Atividades solidárias
Criado como uma alternativa para as brincadeiras violentas e constrangedoras, o trote solidário passou a ser a única forma de recepção de calouros em muitas universidades do PaÃs. Taline Costa, 22 anos, não teve o rosto sujo de tinta quando entrou para a Faculdade de Medicina do ABC, em SP. Mesmo assim, não faltou tinta em sua recepção. No trote solidário organizado por seus veteranos, ela ajudou a pintar o muro de uma creche. Gostou tanto da iniciativa que hoje é uma das responsáveis pela escolha dos lugares beneficiados. â??A gente visita os locais ainda nas férias, vê do que precisam. Fazemos recreação, doamos material escolar, o que for precisoâ?, conta. Em algumas faculdades, o trote solidário é organizado pela própria instituição. Ã? o caso das Fatecs (Faculdade de Tecnologia de SP), onde a integração dos calouros envolve arrecadação de alimentos e brinquedos, destinados a comunidades carentes. Na Fiap, também em SP, a solidariedade busca promover a saúde: os novos alunos são incentivados a se cadastrar como doadores de medula óssea. A campanha é feita em parceria com a Associação da Medula Ã"ssea do Estado de São Paulo (Ameo).
sofrido assédio em república
São Paulo - Aos 17 anos, André Prado passou em engenharia elétrica na Universidade Estadual Paulis (Unesp) de Guaratinguetá (473 km de Bauru). Foi morar em uma república, onde sofria assédio moral constante. Por dois meses, suportou a situação até que decidiu mudar de universidade. Hoje, aos 22, coordena o Trote da Cidadania da Unicamp, onde estuda. Questionada pela reportagem, a Unesp diz não ter como fiscalizar o que ocorre fora do campus. A seguir, trechos do depoimento de André ao Fovest: Em 2007, aos 17 anos, passei em engenharia elétrica na Unesp de Guaratinguetá. Nos dois meses em que fiquei lá, sofri com trote violento. Não digo violência fÃsica, mas muito assédio moral. Em Guaratinguetá, o trote era fora da universidade, nas repúblicas, que são tradicionais. Fui chamado para as vagas remanescentes, por isso, quando eu cheguei, as aulas já tinham começado. Assim que cheguei, conheci um cara na faculdade que me convidou para morar na república dele. Fui visitar a casa e resolvi morar lá. Os trotes começaram lá na república. A gente morava em 12. Eu era o único calouro. Em casa, eu não podia me sentar à mesa da sala nem no sofá. Eles tinham uma cadela weimaraner. Ela era dócil, mas tinha pulga e carrapato. Ela ficava dentro de casa, eu sentava no chão. Conclusão: peguei pulga e carrapato. A Unesp sempre falou: â??Denunciemâ?. Havia um disque-denúncia. Mas, de alguma forma, os veteranos descobriam quem denunciava. Alguns amigos denunciaram na época, mas os veteranos descobriram, e eles acabavam tomando mais trote ou acabavam excluÃdos. Não podiam ir à s festas, ninguém conversava com eles, eram excluÃdos do grupo. TÃnhamos que sofrer quietos. Um dia, eu entrei numa aula de que eu não gostava. Eu já estava cheio desses assédios morais, aà eu pensei: â??Não quero isso para mimâ?. Eu voltei para casa (em MarÃlia, a 108 km de Bauru) e, depois de oito meses de cursinho, passei para engenharia quÃmica na Unicamp. Hoje eu sou coordenador-geral do Trote da Cidadania. A base do trote é mostrar a sociedade na qual o calouro está inserido.
fezes e urina de animais
Salvador - A Procuradoria Federal, junto à Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf), abriu uma investigação para apurar denúncias de trotes a calouros com fezes e urina de animais no campus de Ciências Agrárias em Petrolina (PE). O órgão recebeu uma denúncia anônima feita no último dia 5, que traz vÃdeos e fotos feitos por estudantes em 2007, dentro do campus. As imagens mostram alunos, alguns amarrados, sendo atingidos com uma mistura de excrementos de animais e ovos podres, segundo relato de estudantes que participaram do trote. Em nota, a Univasf afirmou que â??repudia e coÃbe qualquer ato de violência fÃsica, psicológica ou de constrangimento que possa ser imposto aos membros da comunidade universitária e, em especial, aos calouros, dentro de seus campiâ?. Ainda segundo a universidade, a denúncia foi encaminhada à Procuradoria Federal para â??análise jurÃdica e indicação da forma legal de sua apuração e responsabilização, por se tratar de autoria desconhecidaâ?. VÃdeos e fotos postados em fóruns e sites de relacionamento na internet apontam que o trote continuou ocorrendo nos anos seguintes, porém fora da universidade. Segundo relatos de supostos estudantes feitos nesses sites, o trote é voluntário, pago (com a cobrança de ingressos) e não violento (os calouros não são mais amarrados).â??Ah, que espécie de médicos veterinários, zootecnistas ou agrônomos vamos ser tendo nojo de bosta de vaca???? Vamos mexer com isso a vida toda e com coisa pior!â?, escreveu uma garota que se identifica como uma estudante que participou do trote em 2009.