O prefeito Rodrigo Agostinho (PMDB) aproveitou sua viagem a São Paulo, anteontem, para discutir com o deputado e novo líder dos peemedebistas no Estado, Baleia Rossi, a reorganização da legenda em Bauru e toda a região. Ontem à noite, Agostinho confirmou que aceitou assumir o papel de reorganização regional da legenda, o que inclui mudanças em Bauru, uma das principais cidades governadas por um prefeito do PMDB no Estado.
O pedido de Baleia Rossi, filho do ministro da Agricultura no governo Dilma, Wagner Rossi, já era esperado. Na conversa com Baleia, Rodrigo foi novamente cobrado pelo distanciamento da participação na vida partidária do PMDB. Ele justificou que concentrou tempo e energia para comandar o Executivo, função em que estreou em janeiro de 2009.
Mas, passados dois anos de gestão, o prefeito não tem mais como se esquivar do papel de liderar a legenda na região. A chamada para Rodrigo pegar as rédeas peemedebistas segue a lógica de boa parte dos partidos, onde quem tem voto comanda a legenda.
A questão singular em Bauru é que o prefeito nunca deu muita bola para a vida orgânica partidária e foi criticado por indicar um nome para a Secretaria de Cultura (Elson Reis), por exemplo, sem conversar com o partido. Reis era filiado ao PMDB e o presidente da legenda, seu assessor no Gabinete, Alex Gasparini, ameaçou se rebelar em função do episódio. Depois surgiu a informação de que Alexa já havia sido avisado sobre Elson.
Agora, Agostinho terá de tocar o barco e decidir em que direção. Com a morte de Orestes Quércia, recentemente, o deputado estadual Baleia Rossi assumiu a liderança do PMDB em território paulista. A costura passou pelas mãos do vice-presidente da República, Michel Temer, presidente nacional do PMDB, e, no Interior, também com o atual prefeito de Araraquara, Marcelo Barbieri.
Ontem, Agostinho confirmou que vai dar as cartas para as mudanças no partido. "Conversei com o Baleia Rossi e ele disse que vou reorganizar o partido na região, a partir de Bauru. Vou coordenar esse processo e acho que o PMDB pode sair forte nessa nova etapa. Não há mais como deixar de participar disso", conta.
Agostinho contou que vários prefeitos estiveram com o deputado nesta semana, como o de Agudos, Everton Octaviani (PMDB). "Vamos conversar com as lideranças e reorganizar o partido", prometeu. A situação pode deixar Alex Gasparini, assessor de Gabinete, sem o domínio da legenda. A tendência é o prefeito indicar alguém de sua confiança para as mudanças na estrutura da legenda em Bauru. A relação entre o prefeito e Alex Gasparini não traz boas lembranças. Quando Rodrigo decidiu ser candidato, antes da eleição de 2008, Alex Gasparini chegou a lançar seu nome à indicação pela legenda para o mesmo posto, tentando criar obstáculos para Agostinho. Mas o prefeito insistiu e Alex acabou desistindo da "disputa" a mando de Quércia. Também é esperado que Rodrigo converse com seu líder na Câmara, vereador Renato Purini, sobre a forma e as ferramentas para a condução do processo.