O prefeito Rodrigo Agostinho (PMDB) disse ontem à noite, por telefone, que não fará julgamento precipitado no caso das denúncias contra o secretário da Sear, Ricardo Oliveira. Por isso, só decidirá o que fazer após analisar as denúncias e ouvir o secretário. Segundo representação assinada por entidades locais, subscrita por integrantes do próprio governo, Oliveira teria se valido da estrutura e função interna para buscar promoção em sua campanha eleitoral a deputado, no ano passado. Assessores da Sear também falam em uma possível obrigatoriedade de contribuição de 5% dos vencimentos em favor de Oliveira.
As denúncias estão na Promotoria Pública desde anteontem. "Vou me inteirar dos detalhes das denúncias, que são graves. Além do que está sendo colocado, tem o agravante de que é integrante do governo apontando as situações. Como em toda denúncia, preciso ver a consistência e analisar com cuidado, mas as denúncias são graves", disse Agostinho. Ontem à noite, o secretário não respondeu a chamados em seu celular para comentar os fatos.
Gisele Moretti é uma das ex-assessoras da Sear que afirma ter sido pressionada por Oliveira para trabalhar em sua campanha, caso contrário perderia o cargo comissionado. Moretti agora atua no Gabinete. Vera Pascoalino, que também era comissionada, apontou a mesma situação. Mas Moretti diz que não aceitou a situação e se rebelou, orientando outros assessores a também não aceitar a exigência.
Na representação levada ao Ministério Público e Câmara Municipal, com assinatura da subsede regional da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Federação das Associações e Entidades da Organização Social do Estado de São Paulo e Federação da União das Associações de Moradores de Bauru e Região, a alegação é de que Ricardo Oliveira seria autor das irregularidades. Eles pedem apuração de crime eleitoral, improbidade administrativa e uso irregular de recursos públicos.
As denúncias citam que os assessores contratados em comissão na Sear teriam sido obrigados a se filiar ao PTB, partido comandado por Oliveira, como condição para atuar na pasta. Também falam na cobrança de 5% dos vencimentos mensais para pagamento de cabos eleitorais e estrutura da campanha a deputado de Ricardo. A representação lista como testemunhas assessores como Gisele Moretti, Vera Pascoalino e Hélio Anselmo de Souza, entre outros. Também foram citados Benedito Domingos da Silva, Valdomiro Neves Fonseca, Rosemeire Maria Martins, Delfino Del Rei Júnior e Aparecido Dornellas. Anteontem, Oliveira disse que as denúncias não tinham procedência e que estava tranquilo diante dos fatos.