Sanaa - A repressão a protestos contra os governos deixou mortos e feridos ontem, na Líbia, no Bahrein, no Iêmen e no Curdistão iraquiano.
Os atos são inspirados nas revoltas populares que derrubaram os governos da Tunísia e do Egito e que se espalham por países muçulmanos de regime autocrático nos últimos dias.
Opositores do ditador Muammar Gaddafi promoveram ontem um "dia de fúria?? na Líbia, com manifestações em pelo menos quatro cidades. Choques entre opositores e grupos pró-Gaddafi já deixaram entre 14 e 20 mortos entre anteontem e ontem.
A onda de protestos que assola os países do Oriente Médio há dois meses atingiu anteontem a primeira cidade líbia, Benghazi - a segunda maior do país e tradicional reduto da oposição.
Segundo o site de oposição Al-Youm, forças de segurança enviadas por Gaddafi tentaram reprimir os protestos e mataram a tiros ao menos seis manifestantes ontem.
O mesmo site afirmou que na cidade de Beyida atiradores de elite das Forças de Segurança Interna assassinaram outros quatro manifestantes.
Como ocorreu no Egito e na Tunísia, opositores estão usando páginas de relacionamentos na internet para organizar protestos.
A TV estatal não está transmitindo os protestos e forças do regime estão impedindo a imprensa de trabalhar livremente.
A Irmandade Muçulmana da Líbia afirmou que o controle da mídia é uma tentativa de impedir que abusos supostamente cometidos pelas forças de segurança e partidários do governo sejam divulgados pelo mundo.
Bahrein
Após violenta repressão a protestos opositores que deixou pelo menos três mortos, forças de segurança do Bahrein tomaram ontem "locais-chaves" da capital, Manama, em tentativa de interromper a intensificação das ações.
Desde a última segunda, quando a onda de protestos antirregime em países árabes e do Oriente Médio chegou à pequena ilha do Golfo Pérsico, já são cinco os mortos.
A praça da Pérola, tornada símbolo dos protestos a exemplo da egípcia Tahrir, amanheceu tomada por soldados e tanques que ainda na madrugada promoveram operação-surpresa para dispersar os 2.000 manifestantes já acampados no local. Segundo relatos, as forças de segurança atacaram indiscriminadamente homens, mulheres e crianças que se dispunham a ficar.
Na praça, restaram tendas abandonadas, cartazes rasgados pelo chão, resquícios de munição real usada, bombas de gás lacrimogêneo e balas de borracha.
Os protestos são liderados pela maioria xiita - de 60% a 70% - dos cerca de 700 mil bareinitas, que diz sofrer discriminação por parte da monarquia. A família real privilegiaria os sunitas no funcionalismo público e até nas Forças Armadas.
Iêmen
Violentos confrontos entre manifestantes e partidários do governo deixaram ao menos 1 morto e 40 feridos no Iêmen ontem, o sétimo dia de manifestações exigindo o fim do governo do presidente Ali Abdullah Saleh, no poder há 32 anos.
Um manifestante foi morto por "tiros disparados aleatoriamente" quando a polícia tentava dispersar uma multidão que protestava no sul do Iêmen, disse uma autoridade local de Áden. Outras oito pessoas foram feridas pelos disparos.
No Egito, Exército dá aumento de 15% aos servidores
Cairo - Em meio às reformas da Constituição no Egito, o Exército, que controla o país desde a queda do ditador Hosni Mubarak, confirmou ontem um aumento de 15% nos salários e aposentadorias dos servidores públicos no país.
Em um decreto publicado pela agência oficial Mena, o Conselho Supremo das Forças Armadas "dá a todos os funcionários do Estado um aumento mensal de 15% a partir de 1º de abril de 2011". Outro decreto do Exército, que tem caráter de lei durante o período de transição, decide pelo aumento também de 15% das "aposentadorias civis e militares".
Estes aumentos foram decididos há dez dias pelo governo egípcio em uma tentativa de acalmar as manifestações que exigiam a saída de Mubarak.
Ontem, os militares egípcios afirmaram que, após os 18 dias de protestos que resultaram na renúncia de Mubarak, esperam que dezenas de milhares de pessoas abandonem as greves e protestos e acatem o apelo para voltar ao trabalho.
Irmandade Muçulmana
Líderes da juventude egípcia começaram a formar um novo partido político ontem, enquanto a Irmandade Muçulmana exerce um papel cada vez mais importante na preparação das eleições pós-Mubarak, prometidas para dentro de seis meses.
Ainda nesta ontem, um oficial do Exército do Egito informou que a instituição não apresentará candidato às eleições presidenciais.
A vida no Egito ainda está longe do normal, seis dias após a queda de Hosni Mubarak, de 82 anos. Há tanques nas ruas do Cairo, os bancos estão fechados, há protestos de trabalhadores e manifestações de fervor religioso, e as escolas estão fechadas.