Bairros

Fim do horário de verão estende lazer

Bruna Dias
| Tempo de leitura: 4 min

Assim que terminar o dia de hoje, moradores dos Estados de São Paulo, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Minas Gerais, Goiás, Distrito Federal, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul ainda terão mais uma hora para aproveitar o sábado como quiserem. Hoje, à 0h, chega ao fim o horário de verão, que durou 126 dias.

Em outubro do ano passado, os relógios nesses Estados foram adiantados em uma hora. Uma hora a menos de sono, de balada, uma hora a menos com os amigos no barzinho, enfim, 60 minutos perdidos. Quem trabalhava naquela madrugada comemorou.

Mas hoje, tudo volta a ser como antes. Então, o que fazer com uma hora a mais no relógio? A produtora Ana Paula Borges, 25 anos, vai aproveitar para curtir uma hora a mais de diversão com os amigos.

"Como eu moro aqui em Bauru mas a minha família é de Ibitinga, eu vou para lá. Eu e meus amigos vamos para uma festa. Quero curtir o ?sabadão?. Nada como ter duas meia-noites", disse aos risos.

Quando o horário de verão entrou em vigor em outubro do ano passado, Ana Paula estava com os amigos em um barzinho. "Tivemos que ir embora mais cedo, porque perdemos uma hora com a chegada do horário de verão. Tive que dormir mais cedo no domingo porque fiquei com medo de perder a hora na segunda-feira", contou.

Se para os "baladeiros de plantão" ganhar um tempinho a mais no relógio é vantagem e sinônimo de mais festa, para quem trabalha nas madrugadas dos finais de semana, como a atendente e caixa Anna Renata Scarabotto Cury, 19 anos, o retorno ao horário normal não é tão bem-vindo. "Eu tinha até esquecido que era amanhã (hoje). Fiquei muito brava porque temos que trabalhar uma hora a mais. Para dormir eu não sinto tanta diferença", disse.

Economia

Segundo informações cedidas pela CPFL Paulista, o horário de verão foi adotado no Brasil em 1931, no entanto, este é o 37º ano que a medida é concretizada ininterruptamente. Um dos motivos para a adoção dessa mudança é diminuir os riscos de falta de energia elétrica em horários nos quais o consumo é maior, exigindo por parte das empresas do setor elétrico atenção redobrada com o horário de pico.

Como o sol nasce "mais cedo", não há necessidade de manter luzes acesas. E à noite, no Estado de São Paulo, escurece de fato por volta das 20h, o que implica significativamente em menor consumo de energia elétrica com luminárias, lâmpadas, holofotes, entre outros.

Segundo a CPFL, a medida é bem aceita pela população, uma vez que a mudança contribui para o lazer e movimentação da economia. O horário de pico do consumo de energia elétrica na CPFL Paulista é das 18h às 21h, segundo informações colhidas em nota divulgada pela assessoria de imprensa da autarquia.

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Economia de 0,7%

Segundo dados divulgados em nota pela assessoria de imprensa da CPFL Paulista, distribuidora de energia elétrica para 234 cidades do Interior paulista - incluindo Bauru -, foi registrada redução de 0,7% no consumo de energia elétrica na região abrangida durante o horário de verão, que durou 126 dias.

Nos horários de pico, a queda na demanda do consumo de energia elétrica foi de 2% neste período. Segundo a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), a CPFL Paulista atente 3.580.997 unidades consumidoras de energia elétrica.

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Sono atrasado?

Quando o horário de verão começa a vigorar, muitos reclamam por terem perdido uma hora. Outros afirmam ainda que só recuperam o "sono perdido" com o retorno do horário comum. Para a psicóloga Maria José Barbosa, todo esse questionamento nada mais é do que um mito.

"Quando o horário de verão começa a valer, a impressão é de que tiramos uma hora do nosso relógio externo. Mas o nosso organismo se adapta facilmente mediante algumas circunstâncias, como por exemplo quando viajamos para outro país onde o fuso horário tem muitas horas de diferença", explicou.

Na verdade, mudar uma hora para mais ou para menos no relógio não interfere em nada, segundo a psicóloga. Para ela, na verdade isso acaba gerando um efeito psicológico.

"A pessoa acaba achando que fica mais cansada, que está dormindo uma hora a menos. Mas o nosso tempo interno, que é o tempo da alma, é muito sábio. Se ela acha que vai sair e ganhar uma hora, isso também não faz sentido. Ela vai continuar no mesmo horário que estava para o relógio biológico", destaca.

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