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Matriz poluente

Antonio Delfim Netto
| Tempo de leitura: 2 min

Países que mais poluem a atmosfera e o ambiente terrestre, como a China e os Estados Unidos, demonstram enorme dificuldade para se libertar da dependência da energia gerada a partir de combustíveis fósseis, principalmente do carvão. Os Estados Unidos realizam investimentos importantes para substituir o uso do carvão na sua matriz energética. A China, sem muita alternativa em seu território e empenhada em manter o crescimento econômico, faz apenas tímidas tentativas de procurar outras fontes menos poluentes.

O aumento das calamidades e acidentes naturais que estão perturbando a humanidade com grande intensidade, em nossos dias, faz renascer as discussões sobre os efeitos desse tipo de poluição.

Não se pode afirmar que todas essas calamidades sejam conseqüência da ação do homem, mas a estreita ligação existente entre a variação da produção dos gases-estufa, medidos em termos de dióxido de carbono equivalente, que tende a aumentar a temperatura média do planeta e a variação da produção para atender ao crescimento da população mundial (que cresceu quatro vezes nos últimos 300 anos), sugere que ela deve ser causa eficiente no processo.

Não há dúvida que o uso dos combustíveis fósseis (carvão, petróleo e gás) precisa ser substituído por energias menos poluentes como a hidráulica e a dos biocombustíveis, mas a humanidade está longe de realizar avanços importantes nessa matéria: os levantamentos preliminares do consumo mundial de energia elétrica para o ano de 2010, por fonte geradora, mostram o seguinte quadro de uma matriz universal altamente poluente: Carvão 40% ; Gás 20%; Petróleo 6%; Nuclear 14%; Hidráulica 16%; outras 4%.

O item "outras" inclui a biomassa (1,3%), e a eólica (1,1%). O complemento de 1,5% inclui as fontes geotérmicas, fotovoltaicas, centrais solares, etc. Na matriz energética total, além da produção de eletricidade, o petróleo assume o papel mais importante. São números que mostram como a humanidade está distante de produzir uma energia "verde" em dimensão realmente significativa e capaz de alterar a velocidade de produção de dióxido de carbono (CO2-eq.), por unidade do PIB.

A matriz energética brasileira é muito mais amigável com o meio ambiente do que a do mundo que foi descrita acima. O consumo de energia elétrica cresceu em 2010 no Brasil, 7.8%, muito próxima à do crescimento do PIB (que deve crescer 7,9%). A capacidade instalada para atender a essa demanda distribui-se assim:

Hidráulica 72%; Térmicas (óleo, carvão, bagaço) 26%; Nuclear 2%. Nossa posição é bastante melhor do que a do resto do mundo em matéria de comprometimento do meio ambiente. Com o controle do desmatamento que esta-mos conseguindo, o Brasil ameaça seriamente cumprir a sua parte no esforço de redução do aquecimento global.


O autor, Antonio Delfim Netto, é professor emérito da FEA-USP, é ex-ministro da Fazenda, da Agricultura e do Planejamento - contatodelfimnetto@terra.com.br

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