Economia & Negócios

Instituto certifica empresa que favorece conciliação entre o trabalho e a família2

Vitor Oshiro
| Tempo de leitura: 4 min

Com o grau de competitividade atual, ter um bom produto ou oferecer um serviço de qualidade não é mais apenas suficiente para assumir o lugar mais alto no pódio de disputa entre as empresas. Cada vez mais, buscam-se maneiras de liderar o mercado e ganhar uma posição de destaque perante aos consumidores, visto as políticas de responsabilidades sociais e ambientais.

A questão é que se chegou a um ponto em que as medidas adicionais para adquirir tal visibilidade parecem ter se esgotado. É nessa vertente que uma política estratégica importada da Europa promete ser decisiva no mercado: a de empresas familiarmente responsáveis.

O objetivo dessa política, que nasceu na Espanha e já existe em vários países europeus, é justamente conciliar a trajetória profissional do funcionário da empresa com sua vida familiar, possibilitando que ele continue a trabalhar e, mesmo assim, não tenha prejuízos pessoais e familiares. Lá fora, as empresas que já adotam essa rotina ganham um certificado, que é o selo Empresa Familiarmente Responsável (EFR).

A principal instituição que faz essa certificação é a Mais Família, entidade sem fins lucrativos sediada em Madri, cujo responsável pela área técnica, Javier Martínez Rodriguez, esteve em Bauru recentemente para analisar o contexto das empresas da região.

Na ocasião, ele explicou como tal política pode ser melhor aplicada e avaliou que as empresas brasileiras não terão dificuldade para adotá-la. "O processo para obtenção do certificado é muito simples. E é algo que traz benefícios muito positivos para as próprias empresas", aponta.

Os benefícios para os empregados são bastante óbvios, porém, e para as empresas? Qual o retorno que o empregador pode ter? Javier Rodriguez explica que as vantagens surgem em diferentes aspectos, desde a retenção de mão de obra qualificada até uma posição de referência em meio ao mercado.

"Quando o funcionário está satisfeito, ele prefere trabalhar nessa empresa. O bom funcionário, que é a mão de obra qualificada, não troca seu emprego. É uma maneira de resolver em grande parte o déficit de talento, algo que preocupa o mercado hoje", afirma o consultor.

Em relação a como as empresas que possuem o selo EFR podem se posicionar no mercado, Javier Rodriguez projeta que a visibilidade adquirida é fundamental. "Como, no Brasil, não há qualquer empresa com o selo EFR, as primeiras que conseguirem essa certificação certamente serão vistas como referência. A visibilidade e a divulgação que essas pioneiras terão certamente será bastante importante para melhor colocá-las no mercado", prevê Rodriguez.

____________________

Década de 30


Apesar de novidade, a política familiarmente responsável não é recente. Ela surgiu por volta da década de 30, na Europa. Na ocasião, com o ingresso da mulher no mercado de trabalho, ficou difícil conciliar a vida profissional e a familiar.

Os reflexos foram a queda nas taxas de natalidade e, consequentemente, redução da mão de obra futura. A partir disso, algumas empresas começaram a adotar uma série de normas para se adaptar a um novo modelo de gestão, no qual as mulheres pudessem cuidar de suas famílias sem ter de abandonar seus empregos. E, apesar de ter sido estimulado pelo ingresso da mulher no mercado de trabalho, agora, tais procedimentos começam a ser estendidos a outras faixas de funcionários. (VO)

____________________

Certificados


O responsável técnico da instituição espanhola Mais Família, Javier Rodriguez, afirma que, no Exterior, aproximadamente 700 empresas já estão certificadas com o selo Empresa Familiarmente Responsável (EFR).

Ele projeta que, em breve, haverá a primeira certificação no mercado brasileiro. "Eu acredito que em dois ou três meses já haverá uma empresa certificada no Brasil. E será uma empresa de Bauru", aposta.

Rodriguez explica que, para obter o certificado, é preciso seguir uma série de normativas direcionadas de acordo com o tamanho das empresas. "As normativas que os empregadores devem adotar variam para empresas pequenas ou grandes. O número mínimo para que se possa fazer isso é de um empregado. Na Espanha, há empresas com o selo EFR que tem três empregados apenas", expõe.

Para explicar melhor esses benefícios e a importância da certificação, a empresa Loyalty ? que dará consultoria a quem desejar obter a certificação - e o Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp) realizaram uma palestra com Rodriguez. "É tudo uma questão de mudança de cultura e de perceber as vantagens que podem surgir tanto aos empregadores quanto aos empregados", finaliza o espanhol.

Comentários

Comentários