Tribuna do Leitor

HOMENAGEM SINGELA


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Na minha memória, era um domingo à tarde perdido no início dos anos 60. O campo de fu-tebol era o dos Marianos da Bela Vista, aquele que ficava no meio do mato lá pra cima da Igreja Santo Antônio. Eu estava bem atrás do gol tor-cendo pelo time dos Marianos, afinal, um dos jogadores era ele. A bola sobrou na entrada da grande área e, de voleio, com elegância, uh! bateu no travessão. Do jogo todo só me lembro desse lance, nem dos outros jogadores eu me lembro, do adversário, muito menos. Nem sei qual foi o resultado, mas o lance está vívido em minha memória. Lembro-me também do coral da igreja que cantava na missa das 9 no domingo. O Mauro era o regente, mas a voz que eu ouvia era a dele, melodiosa, comprometida com o que fazia naquele momento.

No domingo dia 6 de fevereiro deste 2011, a vela se apagou. É foi assim que ele resolveu ir pra lá, apagando devagarzinho, murchando, murchando, sem brilho naqueles olhos azuis tão marcantes, sem poder tomar mais a sua pinguinha, sem poder torcer mais pelo Palmeiras... ele se foi. Na segunda-feira, encontrei vários amigos dele, meus conhecidos também, que foram dar um até logo para ele. O Silvinho e o Cucharone estavam lá, o Riquinho também, o Salomão, o Pedro Parada e outros tantos. Olha lá, hein!, tio Paulo, vê se lá em ci-ma você acerta o gol, não chuta na trave não. Sei que vai ser um lindo gol, o mais lindo gol que o Paulo Bailone marcará. Para os mais conhecidos era o Paulo Bacana mesmo. Um beijo, tio.


Leonardo Paulovich - professor aposentado da Unesp

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