Rio - Com o aumento da intensidade de fenômenos naturais, como as fortes chuvas, os municípios do Estado do Rio precisam investir mais em planos de desenvolvimento urbano que impeçam construções em áreas de risco e estimulem a construção em áreas planas.
A análise é do chefe do escritório regional para as Américas da Estratégia de Redução de Desastres da Organização das Nações Unidas (ONU), Ricardo Mena, que esteve reunido no Rio com representantes de prefeituras.
Segundo Mena, o Rio "ainda tem muito a fazer" para prevenir e conter os desastres naturais. A tragédia da região serrana, em janeiro, mostra a necessidade de melhoria nas políticas urbanas.
"Fazemos um alerta para as perspectivas de ameaças naturais constantes. Os municípios precisam usar a experiência do mês passado naquela região para reafirmar os esforços contra construções em zonas de risco e a favor de planificação de território e desenvolvimento urbano sustentável, além de resposta rápida aos desastres", disse Mena.
O representante da ONU defendeu também ações integradas para conter os efeitos climáticos. "Os esforços devem ser sobretudo na criação de uma cultura de prevenção. Para isso, não é só ter recurso, mas uma melhor utilização dos fundos integrando obras de infraestrutura, educação e conscientização", afirmou.
Campanha
Rio - A cidade do Rio de Janeiro e pelo menos oito municípios da região serrana demonstram interesse em aderir à campanha "Desenvolvendo Cidades Resilientes" da Estratégia Internacional para Redução de Desastres da ONU.
Cerca de 500 cidades de diversos países já fazem parte da campanha, que estabelece dez pontos a serem cumpridos pelos municípios. Entre os itens, estão destinação de estrutura municipal para planos estratégicos, desenvolvimento urbano, investimentos em educação e saúde, conservação de ecossistemas, capacidade de resposta aos desastres e o socorro a vítimas.
Centro operacional
O chefe do escritório regional para as Américas da Estratégia de Redução de Desastres da ONU, Ricardo Mena, elogiou o Centro de Operações da prefeitura do Rio. Segundo ele, a iniciativa se preocupou com a coordenação das ações municipais e serve também como ação preventiva.
No entanto, Mena ressaltou a necessidade de mais estudos da geografia e território, além mapeamento de deslizamentos e inundações. Ele orientou também a prefeitura para medidas urgentes em relação a áreas de risco.