Líbia - Pelo menos 84 pessoas já morreram nos confrontos entre forças de segurança líbias e manifestantes contrários ao ditador Muammar Gaddafi, que já duram quatro dias.
O número não inclui os fatos ocorridos ontem e foi elaborado pela Ornganização Não-Governamental norte-americana Human Rights Watch com base em informações passadas, por telefone, por hospitais locais. As autoridades do país não contabilizam vítimas.
O governo líbio proíbe o trabalho da mídia internacional no país e a TV estatal ignora os protestos. Na madrugada de ontem a Internet também foi cortada.
Os protestos, influenciados pela queda dos regimes na Tunísia e no Egito, começaram na semana passada em quatro cidades na região da C
yrenaica - que concentra os opositores aos 42 anos de ditadura de Gaddafi.
A região sofre uma escalada da violência desde que, na quinta-feira, forças de segurança abriram fogo contra uma multidão que protestava pacificamente em Benghazi (1.000 km de Trípoli), a segunda maior cidade líbia, deixando 20 mortos.
Anteontem, mais 35 foram mortos em Benghazi durante um protesto após o funeral das vítimas do dia anterior.
Segundo a HRW, também houve pelo menos 23 assassinatos em Baida, três em Ajdabiya e três em Derna.
Ontem, os manifestantes de Benghazi acamparam em frente ao fórum da cidade e foram atacados por forças de segurança às 5h (1h de Brasília). Segundo relatos obtidos pela rede de TV CNN, helicópteros abriram fogo sobre a população.
"Eles (forças de segurança) jogaram gás lacrimogêneo nas tendas e limparam a área enquanto muitos tentavam fugir carregando mortos e feridos", disse um manifestante, por telefone, à agência Associated Press.
Médicos de Jalaa, o maior hospital da cidade, contaram 70 cadáveres, a maior parte, dizem, com tiros na cabeça e no peito.
Depois da ação no acampamento as ruas da cidade se esvaziaram. Como a polícia desapareceu, moradores se organizaram em brigadas de autodefesa para patrulhar os bairros. Testemunhas relatam que milícias pró-governo estão invadindo casas de opositores conhecidos.
Segundo testemunhas, a repressão aos protestos está sendo conduzida por unidades de elite do Exército acompanhadas por milícias formadas por mercenários estrangeiros. Em Baida, a polícia local se uniu aos manifestantes, mas não há informações sobre os combates.