Economia & Negócios

Argentina torna-se o principal fornecedor de insumos de Bauru

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 3 min

Até o final do ano passado, a China figurava no topo da lista dos países de quem as indústrias de Bauru mais importavam produtos, essencialmente insumos para fabricação de bens acabados. Mas, em janeiro de 2011, o país asiático foi desbancado pela Argentina, com quem a cidade negociou cerca de US$ 1,542 milhão em um único mês.

Para se ter uma ideia, apenas 12 meses atrás, as transações com a nação sul-americana foram 60% menores e não ultrapassaram a marca de US$ 932 mil, segundo dados da Secretaria do Comércio Exterior (Secex) do Ministério do Desenvolvimento Industrial. Naquele período, os industriais bauruenses compraram cerca de US$ 1,457 milhão da China. Já no mês passado, o volume caiu para R$ 1,237 milhão.

Entre os motivos apontados para justificar a mudança está o forte aquecimento do setor automobilístico, visto que Bauru é um centro produtor de baterias elétricas e a Argentina, um grande fornecedor de chumbo - matéria-prima utilizada para a fabricação deste tipo de produto. Segundo o diretor regional da Federação de Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) em Bauru, José Luiz Miranda Simonelli, com o aumento da frota de veículos, criou-se uma intensa procura por baterias e os empresários tiveram de adequar sua produção à nova demanda.

"Além de continuar a suprir a demanda dos veículos já existentes, foi preciso aumentar a produção para atender as necessidades dos carros novos, que estão há dois anos circulando e também começam a fazer a troca de bateria", aponta ele, que também é empresário do ramo. Atualmente, Bauru possui quatro fábricas de baterias automotivas e tem na Argentina o país mais próximo onde há exploração de minas de galena, de onde se extrai o chumbo primário.

"Para trazer chumbo da China, o frete ficaria muito mais caro. Além disso, não há muita disponibilidade dos chineses em exportar chumbo, porque eles são os principais produtores de baterias do mundo. Eles abastecem o mercado interno e exportam muito", frisa Simonelli.


Gomas de mascar


Além deste tipo de insumo, entretanto, o diretor de Relações Internacionais e Comércio Exterior do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp) de Bauru, Andrey Valério, lembra ainda que a importação de insumos para a fabricação de gomas de mascar também foi importante para o estreitamento das relações entre Bauru e Argentina. Ao todo, somente com compras deste tipo de matéria-prima, o município desembolsou cerca de U$$ 1,205 milhão.

"Nem todo este montante foi destinado à Argentina, mas grande parte, certamente, foi. O mais interessante é perceber que este tipo de insumo, assim como o chumbo, se transformaram em produtos acabados, o que aumentou também o nível de exportação de Bauru quanto a baterias e gomas de mascar", detalha, lembrando que, além de destinar este tipo de mercadoria para países estrangeiros, as fábricas de baterias elétricas e gomas de Bauru também abastecem o mercado interno.

Ainda como argumento para que a Argentina ultrapassasse a China como o país que mais fornece matérias-primas para Bauru está o perfil exportador do país asiático, cada vez mais voltado à produção de bens acabados. Conforme explica Valério, a grande força da exportação chinesa para o mundo está nos produtos eletroeletrônicos, máquinas e outros tipos de bens de baixo custo.

E o que aquele país produz em comoditties (bens não acabados) é consumido quase que totalmente pelo mercado interno. "Os chineses elevaram seu padrão de vida e eles passaram a comprar comoditties, como a carne do Brasil, por exemplo. Em contrapartida, felizmente, Bauru não tem uma tradição em importar bens acabados, mas sim de comprar insumos que são a base dos produtos que ela transforma para agregar valor e exportar", cita.

Em termos de exportação, os principais compradores da cidade são Bolívia, Paraguai, Filipinas e, em quanto lugar, a própria Argentina. Já quanto às importações, os negócios mais significativos são fechados, além de Argentina e China, com México, Estados Unido e Itália.

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