São Paulo - A polícia divulgou ontem a identidade de um dos suspeitos de estuprar e matar a supervisora de vendas Vanessa Duarte, 25. Ele teve a prisão decretada anteontem. O corpo de Vanessa foi encontrado em um matagal em Vargem Grande Paulista (Grande São Paulo), no último dia 13.
O suspeito se chama Edson Bezerra Gouveia, 35 anos, é pardo e conhecido como Buda. O apelido surgiu por conta do excesso de peso do suspeito - mas, segundo a polícia, ele emagreceu devido ao uso de crack.
Gouveia tem condenações por roubo, receptação, ato obsceno e atentado violento ao pudor e fugiu do regime semi-aberto do presídio de Tremembé em fevereiro de 2010. Ele teve seu retrato falado divulgado na terça-feira (15).
A polícia diz que chegou até o Gouveia porque, no dia do crime, ele teria comentado com um irmão que tinha sequestrado uma mulher e feito uma "loucura". Como ele chegou em casa transtornado, o irmão procurou a polícia.
Uma outra testemunha também afirmou ter cruzado com o suspeito em uma estrada na região do crime - ela o reconheceu por foto. De acordo com essa testemunha, Gouveia estava com os olhos "esbugalhados" e tinha arranhões nos braços, o que pode indicar contato com a vítima.
Segundo o delegado responsável pelo caso, Zacarias Tadros, o crime foi premeditado e o objetivo era estuprar a jovem. Ele afirmou que o suspeito monitorava e seguia Vanessa já havia algum tempo e que ela foi sequestrada assim que deixou sua casa. Ainda de acordo com Tadros, após a prisão deste suspeito será mais fácil localizar o outro.
Retratos
Na quinta, foi divulgado retrato falado do segundo suspeito de assassinar a vendedora. O retrato foi feito com base no depoimento de uma testemunha e, a princípio, não seria divulgado para preservar as investigações. A polícia, porém, mudou de ideia e divulgou a imagem, que mostra um homem jovem branco.
A polícia também está analisando mais de nove horas de imagens captadas por câmeras de monitoramento da Prefeitura de Barueri. A investigação tenta rastrear imagens em que aparece o carro em que estava Vanessa para descobrir o trajeto exato desde que ela saiu de sua casa até o local onde o veículo foi encontrado, em Vargem Grande Paulista.
Crime
O corpo de Vanessa foi encontrado por amigos na noite do dia 13, em um matagal próximo à rodovia Raposo Tavares, em Vargem Grande Paulista, na Grande São Paulo, após eles avistarem um broche, um colar e uma cinta da jovem.
Um preservativo e duas embalagens vazias foram encontradas perto do local em que estava o corpo e passarão por perícia, segundo informação da Secretaria de Segurança Pública.
O carro usado pela jovem no dia do seu desaparecimento é do noivo dela. Ele disse à polícia que ela ia de encontrar três amigas em Carapicuíba (Grande SP), de onde seguiriam para um curso no bairro do Jaguaré, na zona oeste de São Paulo. O casamento estava marcado para novembro.
As amigas da jovem disseram que esperaram até as 9h40, mas ela não apareceu. Elas contam que o celular dela estava na caixa postal a manhã inteira.
O laudo do IML (Instituto Médico Legal) de Cotia (Grande São Paulo) sobre a causa da morte de Vanessa apontou que ela morreu asfixiada após sofrer abuso sexual e ser espancada.
A asfixia foi provocada por estrangulamento e pela obstrução da boca por um absorvente feminino. O laudo também apontou traumatismo craniano, hematomas em diversas partes do corpo e queimaduras.
Acusado vigiou a jovem durante dias, diz polícia
São Paulo - Edson Bezerra Gouveia está foragido desde sexta-feira, quando sua prisão temporária por 30 dias foi decretada. O plano do delegado Zacarias Katzer Tadros, responsável pela investigação, era deter Gouveia até o fim de semana. Por isso, sua identidade e fotografia eram mantidas em sigilo.
Gouveia vinha sendo rastreado a partir do telefone celular desde o meio da semana passada. O aparelho, porém, deve ter sido desligado, impedindo sua localização.
Edson Gouveia tem cerca de dois metros de altura, é moreno e tem olhos castanhos e cabelo preto. Usuário de crack, é descrito por Tadros como um "criminoso contumaz".
Gouveia morava a cerca de 550 metros da casa da família de Vanessa, em Carapicuíba. A jovem, entretanto, havia se mudado no ano passado para Barueri, para viver com o noivo, o gerente administrativo Vanderlei Luiz de Oliveira, 34 anos. Segundo a polícia, o ex-presidiário conhecia a coordenadora apenas visualmente e mantinha contato diário com ela.
Motivação
Na avaliação da polícia, a intenção de Gouveia era abusar sexualmente de Vanessa, não assaltá-la. Para isso, a monitorou por uns dias até rendê-la no último dia 12, entre 8h40 e 9h15. A abordagem ocorreu pouco após ela deixar a casa do noivo no carro dele, um Fiesta. Conforme o relato de uma testemunha, a vítima foi amarrada e teve a boca tampada.
Um dos criminosos, possivelmente Gouveia, dirigia o veículo com Vanessa ao lado dele, no banco do passageiro. O comparsa dele - ainda não identificado - o escoltava numa motocicleta.
Eles a levaram até um matagal próximo à Rodovia Raposo Tavares, em Vargem Grande Paulista. Ali, por volta das 10h, a coordenadora sofreu queimaduras, foi agredida, estuprada e estrangulada até a morte, segundo laudo do Instituto Médico-Legal.
Segundo informações da polícia, Gouveia abandonou o Fiesta noutro ponto de Vargem Grande, a cerca de 7 km do local do crime. Ao descer do veículo, ele foi visto por uma testemunha e chegou a ameaçá-la.
A Polícia Militar encontrou o carro no início da tarde do sábado, após uma denúncia. No fim da tarde do dia seguinte, o cunhado de Vanessa e mais três amigos, entre eles dois policiais, acharam o corpo dela. A jovem estava seminua e com o rosto ensaguentado.