Quero apresentar aqui a minha solidariedade a todos aqueles que são agredidos por ba-rulhos produzidos por esses bandos de imbecis que, mesmo sabendo que estão agredindo o direito dos outros, persistem em fazê-lo pelos mais variados motivos. Quer competindo para provar que o som do seu carro é melhor (e mais alto) que o do outro, quer tentando impingir seus desagradáveis gostos musicais; quer tentando fazer chegar aos ouvidos de Deus os seus brados alucinantes. E o que é pior... o resto que se lasque.
Nesta última citação me refiro aos templos religiosos que em vários dias da semana promovem regularmente uma barulheira infernal em meio a seus cultos, usando solos de bateria, gui-tarras, brados e outros sons devidamente amplificados e jogados no meio ambiente em altos e bons decibéis. Cada templo religioso parece competir com o outro para ver quem faz mais barulho e quem mais irrita seus vizinhos.
Perto da minha casa, por exemplo, no pacato bairro do Higienópolis, a 200 metros da av. Nações Unidas, tem um desses templos religiosos e que tem entre seus freqüentadores uma pessoa, que arrisco dizer, é um roqueiro frustrado, pois ele ensaia seus shows de solo de bateria antes e durante os cultos, infernizando os ouvidos dos vizinhos sem dar a menor atenção a esse detalhe, achando-se um verdadeiro pop star, daqueles da pior qualidade.
Daí pergunto: se qualquer barzinho que tenha música ao vivo tem que ter alvará para funcionamento, tratamento acústico e limitação de decibéis, por que esses templos religiosos fazem o que bem entendem com seus sons e ninguém toma qualquer providência para coibir isso? Estão acima da lei? Ou não são fiscalizados por conivência? Experimente abrir um bar e colocar música ao vivo com som alto. No outro dia tem fiscal batendo na sua porta para obrigá-lo a reduzir o volume. E no caso dessas igrejas? Por que isso não acontece?
Será que é para contribuir na validação do velho adágio dos corruptos: aos inimigos a lei. Aos amigos... tudo???!!!
Como munícipe pagadora dos (muitos) impostos que mantêm as folhas de pagamentos dos nossos políticos locais, solicito, assim como solicitam os bauruenses da região da av. Getúlio Vargas, fiscalizações e providências para coibir esse abuso, a fim de que possamos gozar do conforto dos nossos lares sem sermos incomodadas por essa onda de desrespeito ao di-reito do outro. E não venham os defensores de plantão dizer que o direito a qualquer tipo de manifestação religiosa é constitucional, porque não é disso que estamos tratando aqui, mas sim do barulho produzido por alguns em detrimento do sagrado direito ao gozo do silêncio de outros.
Maria Helena Silva de Araujo