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Regime de Gaddafi dá sinais de implosão

Folhapress
| Tempo de leitura: 7 min

Trípoli - O regime do ditador líbio Muammar Gaddafi, no poder há 42 anos, deu ontem sinais de implosão, após seis dias de uma revolta popular que deixou ao menos 400 mortos e já paralisa a capital, Trípoli.

Embora insista em que a insurreição será reprimida "a qualquer custo", o governo enfrenta uma onda de deserções no gabinete, na Chancelaria, nas Forças Armadas e até nas tribos que compõem uma das bases do regime.

O uso da violência total contra manifestantes, incluindo bombardeios e disparos de metralhadora contra civis, não impediu o governo de perder o controle sobre áreas inteiras do território, incluindo a segunda maior cidade, Benghazi.

A deserção mais importante até agora é a do ministro da Justiça, Mustafa Abud Al Jeleil. Segundo um jornal governista, Jeleil já se juntou aos protestos em Trípoli.

Sites oposicionistas dizem que um general de Benghazi também renunciou.

Há relatos de que um general está em prisão domiciliar por desobedecer ordens de atirar em manifestantes.

Dois pilotos da Força Aérea líbia fugiram a bordo de caças até a ilha de Malta, onde pediram asilo político.

Gaddafi, que é o segundo chefe de governo mais longevo do mundo (o primeiro é o sultão de Brunei), também sofreu derrotas nas fileiras diplomáticas.

O embaixador-adjunto da Líbia na ONU, Ibrahim Dabbashi, e outros 12 diplomatas da representação exigiram que o ditador renuncie e pare de "matar a população líbia??.

Dabbashi disse que não pretende abandonar o posto, mas deixou claro que a missão na ONU representa "a povo líbio, não Gaddafi".

Ontem, o embaixador líbio na Liga Árabe renunciou alegando que o regime lançou um "genocídio".

A tribo Al Zuwayya, que ampara o governo no controle do leste da Líbia, ameaçou cortar exportações de petróleo se o governo não pôr fim à "opressão dos protestos". As amplas reservas de petróleo sustentam o rico Estado líbio.

A mídia internacional enfrenta dificuldade para cobrir os conflitos, já que os raros jornalistas estrangeiros no país estão proibidos de sair da capital. Está banida a entrada de qualquer profissional de mídia no país.

O regime cortou a internet e praticamente inviabilizou a comunicação com telefones no exterior. Mas moradores de várias cidades estão conseguindo fazer conexões de internet improvisadas e usando telefones por satélite para relatar os fatos à mídia estrangeira.

Testemunhas e grupos de direitos humanos afirmam que aviões e helicópteros atacaram manifestantes em Trípoli, onde vários prédios do governo foram saqueados e incendiados. Segundo a TV Al Jazeera, 160 pessoas morreram ontem só na capital.

Moradores fazem filas nas poucas lojas abertas para fazer estoques de alimentos.

Esparsos grupos de simpatizantes do regime caminharam ontem pela cidade agitando bandeiras líbias e retratos de Gaddafi.

Em Benghazi, onde a revolta tomou forma há uma semana, também há relato de ataques aéreos.

Mas manifestantes dizem ter assumido pleno controle da cidade, em meio a festejos e buzinaços.

Governos de vários países estão retirando às pressas seus cidadãos do país. Enquanto esperam ser repatriados, milhares de turcos que moram e trabalham em Benghazi estão abrigados num estádio de futebol da cidade.

Analistas afirmam que a situação na Líbia pode ficar ainda mais violenta.

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Gaddafi teria fugido para a Venezuela


Trípoli - Havia relatos, veiculados até pelo governo britânico, de que Gaddafi teria fugido para a Venezuela, onde seria recebido pelo amigo Hugo Chávez.

O governo do presidente Hugo Chávez negou ontem as notícias de que Gaddafi, estivesse viajando para a Venezuela depois dos violentos protestos na Líbia. O vice-chanceler da Líbia, Khalid Kayem, também negou a informação, dizendo que ela "não tem fundamento". Atraído pelo passado revolucionário de Gaddafi, o socialista Chávez se diz um anti-EUA ferrenho no palco internacional.

Na TV


Mais tarde, Kadhafi apareceu ao vivo na TV estatal em imagens transmitidas de sua residência em Bab Al Azizia, na capital Trípoli.

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Brasil planeja tirar crianças e mulheres de caos líbio


Trípoli - O chanceler Antonio Patriota afirmou que a retirada de mulheres e crianças brasileiras da Líbia é prioridade para o Brasil. Ontem, os governos dos dois países negociaram a retirada de 123 brasileiros de Benghazi, epicentro dos choques, em um avião fretado.

"A ideia era que mulheres e crianças deixassem a Líbia agora mas, se a situação continuar se deteriorando, esse quadro poderá se transformar", disse Patriota.

Segundo o chanceler, 123 funcionários da construtora Queiroz Galvão pediram ajuda para sair de Benghazi. Um avião fretado pela empresa aguardava, desde ontem, autorização para decolar com eles para Trípoli.

Ontem, o embaixador brasileiro na Líbia, George Fernandes, pediu apoio ao premiê líbio. Em Brasília, embaixador líbio, Salem Al Zubaidi, foi chamado ao Itamaraty para tratar do assunto, mas não concedeu a autorização.

Pelo menos 50 desses brasileiros estão na mesma casa em Benghazi. A filha de um deles, Mariana Moreira, disse que o pai, Roberto, está nervoso e que o estoque de água e comida na casa é limitado.

Ela afirmou que, no último sábado, o embaixador do Brasil organizou um plano de fuga, mas o grupo não conseguiu chegar ao aeroporto. "O governo tem de se mexer. Eu quero um plano B do Itamaraty", disse.

Patriota disse que, além dos 123 funcionários da construtora, outros 30 brasileiros pediram ajuda para sair de Benghazi. O

Porém, nem todos os brasileiros na Líbia desejam retornar agora ao Brasil. Segundo o Itamaraty, cerca de 600 brasileiros vivem no pais, 400 deles só na capital. Além da Queiroz Galvão, a Odebrecht disse ter 187 funcionários brasileiros no país e a Petrobras, 10.


Repúdio


Patriota repudiou ontem a violência contra manifestantes desarmados na Líbia, durante visita à Fiesp. "(As autoridade líbias) alcançaram um padrão de violência absolutamente inaceitável", afirmou.

O chanceler disse ainda que as revoltas árabes e a situação da Líbia podem ser introduzidas na agenda do Conselho de Segurança da ONU - do qual o Brasil ocupa a presidência neste mês.

Porém, segundo ele, ainda não há consenso entre os 15 membros e os temas só são tratados informalmente.

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Grupo do Exército pede que soldados derrubem Gaddafi


Rabat - Um grupo de oficiais do Exército líbio divulgou um comunicado pedindo que seus companheiros "se juntem ao povo" e ajudem a derrubar o líder Muammar Gaddafi, informou a rede de televisão Al-Jazeera na ontem.

O canal de notícias disse também que os soldados fizeram um apelo para que o restante do Exército da Líbia marche para a capital Trípoli.


Mais desersão


Guardas líbios abandonaram os postos na fronteira com o Egito, cujos militares montaram dois hospitais de campanha na região fronteiriça, disse o Exército egípcio na ontem pela sua página do Facebook.

O Exército disse ter instalado acampamentos e hospitais perto do posto fronteiriço de Salum, a fim de atender egípcios que regressem da Líbia, onde há violenta repressão a manifestantes antigoverno.

A agência estatal egípcia de notícias disse que 4.000 cidadãos do país já cruzaram a fronteira, e que muitos outros não conseguem regressar devido à escassez de veículos e combustível. Em tempos normais, muitos egípcios buscam emprego na vizinha Líbia, país com grande produção de petróleo.

Aparentemente, os manifestantes assumiram o controle de várias cidades no leste do país, região que faz fronteira com o Egito.

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Aviões militares líbios desertam e aterrissam em Malta


Malta - Dois aviões militares de combate e dois helicópteros civis, com sete pessoas a bordo, da Líbia aterrissaram inesperadamente ontem na ilha de Malta, segundo informaram testemunhas e fontes militares a agências de notícias.

Repórteres de jornais locais afirmaram que os jatos Mirage, para apenas uma pessoa, chegaram ao aeroporto internacional de La Valetta, capital de Malta.

Funcionários do aeroporto afirmaram ainda, sob condição de anonimato, que os dois helicópteros transportavam sete pessoas que seriam francesas. As autoridades estavam checando as identidades dos passageiros - apenas um apresentou passaporte.

Os helicópteros não contavam com a autorização de sair da Líbia, por isso suspeita-se de que tenham fugido desse país em função dos protestos que sacodem a região.

O gabinete do primeiro-ministro de Malta, Lawrence Gonzi, afirmou que não estava claro se os dois pilotos dos jatos pretendiam pedir asilo no pais. Inicialmente, eles pediram para abastecer.

O episódio ocorre em meio a intensos protestos na Líbia contra o ditador Muammar Gaddafi e seus 42 anos de governo autoritário.

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