Em uma das últimas etapas para a conclusão do processo administrativo disciplinar contra o ex-diretor da TV Unesp, Antônio Carlos de Jesus, testemunhas de defesa e da comissão que analisa qual punição será aplicada pela quebra do aparelho Maestro prestaram depoimento ontem sobre o caso. A presença do ex-diretor também era aguardada mas, alegando problemas de saúde, ele não compareceu à reunião, realizada entre a manhã e tarde de ontem na diretoria da Faculdade de Engenharia de Bauru (FEB) da Universidade Estadual Paulista (Unesp), em Bauru.
O encontro não pôde ser acompanhado pela imprensa, mas o secretário do Interior e Litoral do Sindicato dos Jornalistas do Estado de São Paulo, Alcimir Carmo, conversou com a reportagem e apresentou a defesa do professor. Segundo laudo emitido há mais de um ano por um perito da fabricante Grass Valley do Brasil, o equipamento importado Maestro - que funciona como o "coração" da emissora - teria sido quebrado em 2009 durante transporte até a TV Unesp.
Mas ontem, a diretora pro-tempore da TV Unesp e uma das testemunhas da comissão, Ana Sílvia Lopes Davi Médola, confirmou que o aparelho continua funcionando normalmente.
Para Carmo, se nenhuma avaria foi constatada, o objeto de investigação do qual Jesus é alvo fica extinto. O problema é que outro equipamento idêntico foi adquirido posteriormente, a um preço estimado de R$ 260,5 mil. Até o momento, ninguém sabe explicar por que o seguro não foi acionado para substituir o primeiro aparelho sem nenhum custo à universidade.
"Isso, nem o Antônio Carlos sabe, porque a responsabilidade sobre a compra e acionamento do seguro diante de uma eventual avaria durante o transporte até a TV é da reitoria da universidade, porque a aquisição do Maestro foi feita através do Departamento de Importação da reitoria", frisa.
A assessoria de imprensa da reitoria da Unesp em São Paulo limitou-se a informar que reitera sua confiança no trabalho da comissão de apuração e aguarda a apresentação do relatório final. Mas, conforme adiantou o advogado Luiz Fernando Barcellos, procurador da assessoria jurídica da universidade em Bauru, a reitoria ainda deverá enviar alguns documentos solicitados pela comissão.
Diante das contradições, conforme apurou o JC, o grupo de apuração estaria investigando, inclusive, a hipótese de fraude no laudo emitido em 2009 e quem seria beneficiado com ela. Para Carmo, o ex-diretor foi induzido a erro pelo resultado do documento que diagnosticou a quebra do Maestro e não pode ser punido.
"A Grass Valley continua não recomendando o uso do primeiro Maestro, porque ele seria exigido 24 horas por dia. Embora continue funcionando, ele apresenta uma avaria na estrutura externa, que ninguém sabe como ocorreu."
Após registrar os depoimentos, a comissão de apuração ainda terá de ouvir Jesus, o que deve ocorrer na segunda semana de março. Ainda no mesmo mês, deverá divulgar sua decisão, que poderá resultar no arquivamento do processo, em uma repreensão, na suspensão ou exoneração do ex-diretor.