Bairros

Bauruense fatura R$ 10 mil por mês com caixões para cachorros e gatos

Da Redação
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Cães e gatos estão tão incorporados às famílias e aos rituais humanos que não é apenas no nascimento que eles recebem todo carinho possível. Quando chegam ao final de sua vida também. Proprietário de uma fábrica de urnas funerárias para cães e gatos, o bauruense José Leme Lima consegue faturar mais de R$ 10 mil por mês só com a venda desses objetos na cidade e, principalmente, para várias regiões do País onde há cemitério para cães e gatos.

De acordo com dados da diretoria do Centro de Controle de Zoonozes (CCZ) de Bauru, a cidade conta com uma população de mais de 80 mil animais entre cães e gatos, mas falta um cemitério público de animais. Com a grande e crescente quantidade de bichos de estimação, aumenta também o número de óbitos. Desta forma, proliferam-se cemitérios em várias cidades, surgindo a necessidade de dignas urnas funerárias.

José Lima informa que a procura tem sido cada vez maior. "Esse trabalho fora de Bauru está sendo bem procurado, São Paulo, Rio de Janeiro, Santos... Bauru ainda não é tanto porque não tem um cemitério para animais, e é difícil sepultar os bichinhos em Botucatu (onde há um cemitério específico) porque as pessoas acham caro."

O empresário considera que cobra um preço razoável para quem deseja adquirir um caixão desse tipo. "Eu vendo um caixão a R$ 200,00 para os animais de porte pequeno. Os animais maiores conseguem um caixão em torno de R$ 600,00. É bem mais em conta que um caixão para pessoas. Eu vendo em torno de 600 a 700 urnas por mês", informa.


Centro velatório


E tem muita gente ganhando dinheiro com o aumento dos animais de estimação em casa. Além da fabricação de caixões em Bauru, já existe um serviço de fundo mútuo para bichos domésticos. Uma empresa recentemente regulamentada foi instalada em Botucatu, onde também está um dos poucos cemitérios de animais da região, incluindo uma sala velatória. No local são realizados mais de 2 mil sepultamentos, de toda a região.

Pelo fundo mútuo, são cobrados R$ 20,00 para adesão e R$ 10,00 mensais, o que dá direito à inclusão de até dez animais. Além do fundo mútuo, a empresa também realiza o serviço de transporte para clínicas especializadas em banho e tosa e ainda tratamentos de saúde. O empresário Antônio Carlos Minozzi diz que o serviço tem sido muito bem aceito e, atualmente, consegue faturar valores significativos na cidade.

"Conseguimos uma média mensal entre R$ 5 mil e R$ 10 mil com a junção dos serviços prestados. O transporte dá uma faixa de R$ 3 mil, e o restante é com o trabalho de fundo mútuo."

Com uma população em torno de 80 mil animais em Bauru entre cães e gatos e com a falta de um cemitério específico para eles, que se tornam parte da família, as pessoas acabam ficando "perdidas" quando se deparam com a morte deles. Mais informações sobre as urnas funerárias para animais podem ser obtidas pelos telefones 3011-4764 e 8159-8336.

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Meu melhor amigo morreu. O que eu faço?


Junto com a perda vem a dificuldade em destinar corretamente os cadáveres dos bichos de estimação. Acaba de entrar em vigor uma mudança normativa que obriga as clínicas veterinárias a se responsabilizarem pela destinação de animais mortos. Antes, a Emdurb era totalmente responsável pela retirada correta e ambiental dos restos mortais. Agora é necessário que os proprietários dessas clínicas contratem empresas particulares especializadas para a retirada dos corpos e dejetos dos bichinhos. No caso do animal morrer em casa, pode ser levado ao Centro de Controle de Zoonoses (CCZ), na rua Henrique Hunziker, sem número, no Jardim Redentor.

A veterinária e proprietária de uma clínica em Bauru Ana Paula Guerra diz que a mudança traz dificuldades para os profissionais. "Temos dificuldades porque é recente, o pessoal está meio perdido, não sabe o que fazer direito com essa alteração. A gente paga R$ 30,00 mensais por 20 quilos, mas quando excede o peso são cobrados valores adicionais, que são repassados para os proprietários", explica Ana Paula.

A veterinária afirma que, além das dificuldades com a terceirização dos serviços, os custos ficam bem maiores se comparados à época em que a autarquia municipal era responsável pela retirada dos dejetos. "Tem gente que não quer nem ver o cachorrinho morto, não gosta. A maioria deixa na clínica. Antes era cobrado somente um saquinho, ao custo de R$ 2,00 ou R$ 3,00, mas agora a gente paga muito mais", conclui.

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Cidade sofre com aumento das doenças


O Centro de Controle de Zoonozes (CCZ) sacrificou, somente no ano passado, 4.208 animais em Bauru. Desse total, 85% tinham sintomas clássicos de leishmaniose. Durante entrevista à reportagem do JC, o veterinário e chefe do CCZ, José Rodrigues Gonçalves Neto, explicou que a eutanásia é praticada em cerca de 15 animais por dia. "São recebidos aqui de 10 a 15 animais por dia, que depois de sacrificados, são destinados ou encaminhados ao aterro sanitário de Bauru, porque não é recomendado que a pessoa realize o sepultamento desses cadáveres em terrenos ou quintais sem preparo. A própria legislação diz que a responsabilidade é do proprietário", esclarece Neto.

O veterinário lembra que a grande quantidade de eutanásias praticadas pelo CCZ é decorrente da situação vivida na cidade. "Tem uma quantidade maior em consequência da doença. Se você analisar uma cidade que não tem problema de leishmaniose, o número de eutanásias é bem menor. Dos 4.208 animais sacrificados (em Bauru), mais de 85% tiveram como motivo sintomas da leishmaniose."

Além dos animais sacrificados no CCZ, a Emdurb mantém um serviço de coleta dos animais mortos em vias públicas. Flávia Souza, gerente ambiental de resíduos sólidos da Emdurb, explica que nos últimos meses ocorreu um aumento importante na quantidade de animais encaminhados ao aterro. "Em dezembro de 2010 tivemos uma média de 180 animais, entre clínicas e animais coletados nas ruas. Em janeiro o número subiu para uma média de 232 animais mortos na cidade. Já em fevereiro, com a nova resolução em vigor, o total foi para 339, tanto do CCZ quanto das vias públicas", relata Flávia.

O número de animais mortos encontrados em 2010 também não deixa de ser expressivo. Flávia diz que foram mais de 2 mil cadáveres encaminhados para o aterro. "Durante todo o ano foram cerca de 2,2 mil animais mortos encaminhados para o aterro, que são depositados em valas com um tratamento especial para o recebimento desses dejetos", conclui a especialista.

Segundo a gerente ambiental da autarquia, a Emdurb estuda um antigo projeto para a instalação de um cemitério de animais na cidade, mas isso só seria concluído se houvesse necessidade, porque os animais mortos são destinados de forma correta, seguindo as normas da Cetesb.

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