Benghazi - Milhares de líbios celebraram a libertação da cidade de Benghazi do controle de Muammar Gaddafi, apesar dos rumores de que o líder teria enviado um avião para fazer um bombardeio contra os revoltosos.
Mas a tripulação se ejetou do avião depois da sua decolagem em Trípoli, a capital, e o aparelho acabou caindo a sudoeste de Benghazi, segunda maior cidade do país, segundo relato de uma fonte militar ao jornal local Quryna.
Trípoli e o restante do oeste líbio continuam sob o domínio de Gaddafi, e moradores da cidade disseram estar com muito medo de milícias pró-governo e, por isso, evitam sair de casa desde um discurso em que o ditador ameaçou usar a violência contra manifestantes, na noite de anteontem.
Até mil pessoas já morreram desde que a revolta começou na Líbia, cerca de uma semana atrás, disse o chanceler italiano, Franco Frattini, enquanto governos do mundo todo se apressam para retirar seus cidadãos.
Filha de fugir
Autoridades, militares e diplomatas previamente leais a Gaddafi parecem estar abandonando o líder, no poder desde 1969. Um pequeno avião líbio impedido de pousar em Malta na ontem levava uma filha de Gaddafi, disse a TV Al-Jazeera.
O preço do petróleo ultrapassou os 110 dólares por barril, refletindo o receio de que o caos se espalhe para outros países produtores e afete o fornecimento. Mas fontes do setor disseram que petroleiros carregados conseguiram deixar os portos líbios nas últimas 24 horas.
Capital
O líder líbio, que já foi muito respeitado pela população do país apesar do seu regime repressor, convocou uma grande manifestação de apoio ontem, mas apenas cerca de 150 pessoas foram à praça Verde, no centro de Trípoli, levando a bandeira líbia e o retrato de Gaddafi.
A maioria das ruas esteve quase deserta, e alguns poucos cafés pareciam ser os únicos negócios em funcionamento, apesar do apelo do governo pela volta da população ao trabalho, enviado aos assinantes das duas estatais de telefonia celular.
Obama condena violência e defende ação mundial conjunta
Washington - Em um breve discurso em Washington, o presidente dos EUA, Barack Obama, voltou a condenar os atos "ultrajantes" de violência do regime do ditador Muammar Gaddafi contra os civis e disse que seu país estuda várias medidas contra a Líbia - desde sanções unilaterais até ações conjuntas com outras nações. Obama, disse que o governo do ditador Muammar Gaddafi "vai ter que enfrentar as consequências das contínuas violações dos direitos humanos".
"Essas ações violam normas internacionais e todos os padrões comuns de decência. A violência tem que parar", declarou o presidente.
Obama destacou ainda que os protestos na Líbia e na região são gerados pelo próprio povo e que não têm influência alguma de Washington ou de qualquer outro país e destacou uma frase de um líbio como emblemática para caracterizar os motivos das revoltas: "só queremos viver como seres humanos".
Obama frisou ainda que a União Europeia, a União Africana, a Organização da Conferência Islâmica, além das Nações Unidas, já se posicionaram contra o regime de Gaddafi e que os EUA devem se unir a esses blocos para que uma ação conjunta seja colocada em prática.
"O mundo inteiro observa" a crise e condena as ações do regime contra seu próprio povo, concluiu. As declarações de Obama ecoam o pronunciamento da secretária de Estado americana, Hillary Clinton, voltou a condenar ontem o uso da violência contra manifestantes na Líbia e advertiu que o governo do ditador deverá responsabilizar-se por suas ações.
Brasil inicia plano de resgate de cidadãos na Líbia
Rio - Um navio de grande porte partiu de Atenas, na Grécia, com destino à cidade líbia de Benghazi para resgatar um grupo de 148 brasileiros e cidadãos de outras nacionalidades que está isolado devido às manifestações contra o líder Muammar Gaddafi, informou o Itamaraty na noite de ontem.
A chancelaria também disse que foram obtidas junto às autoridades líbias as autorizações necessárias para a aterrissagem no aeroporto de Trípoli de cinco voos fretados pelas empresas brasileiras para o embarque de seus funcionários ontem e hoje.
Mais cedo, um assessor do Ministério das Relações Exteriores, em Brasília, afirmou por telefone que "o navio chega entre hoje e amanhã (a Benghazi).
Ditador mantém bilhões no exterior, dizem analistas
Londres - Analistas suspeitam que o ditador Muammar Gaddafi e seus nove filhos tenham bilhões de dólares em contas secretas em Dubai, no sudeste da Ásia e no golfo Pérsico.
A maior parte da riqueza estimada da família Gaddafi provém das reservas de petróleo da Líbia, que está entre os 20 maiores produtores.
Boa parte da diferença entre o que a Líbia lucra explorando petróleo e os gastos do governo é provavelmente embolsada por Gaddafi e seus filhos.
"É dificílimo saber quanto eles têm guardado; a elite governante esconde dinheiro em todo tipo de lugar. Mas trata-se de, no mínimo, bilhões de dólares", avalia Tim Niblock, especialista em Oriente Médio.