Os proprietários de carros bicombustíveis devem ficar atentos. Com a nova alta do etanol registrada nesta semana, abastecer com gasolina já é mais vantajoso em Bauru, como já vem acontecendo em outros municípios do Estado e do País. Ontem, o valor do litro do álcool chegou a R$ 1,89 em vários postos de combustíveis da cidade - a maior alta desde janeiro do ano passado, frente aos R$ 2,59 cobrados pelo litro da gasolina.
Para concluir qual é a melhor escolha, o consumidor deve dividir o preço do litro do álcool pelo preço da gasolina. Se o resultado for maior que 0,7, deve optar pelo segundo combustível. Se for inferior, é melhor ficar com o álcool. Em Bauru, o valor deste cálculo chegou a 0,73, e quem quiser fazer economia deve encher o tanque com gasolina.
O Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo (Sincopetro) explica que a alta ocorreu em razão da entressafra da cana-de-açúcar, matéria-prima para a produção do etanol, que está em falta no mercado. Por esse motivo, a tendência é de que o preço aumente ainda mais até o final de março, quando uma nova safra se inicia. E o preço da gasolina também deverá subir antes disso.
"O álcool poderá chegar a R$ 1,99 até lá. Dependendo da concorrência, esse valor pode ser ainda maior, mas acho que, em Bauru, não deve passar disso", analisa Edivaldo Tuschi, empresário do ramo. Segundo o presidente do Sincopetro em Bauru, José Antônio Reghine, o município é sempre o último da região a repassar o aumento de custos para as bombas e valores superiores a R$ 1,89 nunca teriam sido registrados na cidade.
De acordo com Tuschi, a disparada do preço do álcool teve início em setembro, quando o combustível custava R$ 1,38. A alta de quase 37% teria ocorrido porque as poucas distribuidoras que operam no mercado teriam reajustado os preços de venda do produto aos comerciantes e o valor teve de ser repassado ao consumidor final.
Embora nem todos os postos tenham aderido aos novos preços, o empresário ressalta que, até o início da próxima semana, a maioria dos estabelecimentos já deverá cobrar R$ 1,89 ou mais pelo litro do álcool. "Desde segunda-feira, os proprietários de postos começaram a pagar R$ 1,63 pelo litro do álcool. E quem trabalha com margem de lucro menor do que R$ 0,30 está perdendo dinheiro. É inevitável que o aumento seja repassado ao consumidor", analisa.
Motivação psicológica
Mas, de acordo com Reghine, a alta não é uma exclusividade de Bauru. "A região toda, assim como o Brasil todo já está cobrando mais caro pelo álcool. Na cidade de São Paulo e litoral norte do Estado, o valor já está em R$ 1,99", adianta.
Ainda que a gasolina já seja mais vantajosa para quem possui carros flex, o presidente do Sincopetro explica que o consumidor bauruense costuma demorar para abandonar o álcool no momento de abastecer, mais por uma motivação psicológica do que propriamente econômica. "Se o consumidor for encher um tanque com gasolina, sabe que irá pagar mais caro. Então, na hora de escolher o combustível, fica pensando no preço e tem dificuldade para avaliar o rendimento que o carro vai ter depois", comenta.
Mas para o comerciante Leandro Garcia, 25 anos, a opção pelo álcool continua sendo a mais viável porque este tipo de combustível demanda menos manutenção das peças do motor do veículo, como os bicos injetores. "Outra vantagem é que, com álcool, o carro tem uma performance melhor. Como ando mais na cidade do que na estrada, acho mais vantajoso, mesmo sendo proporcionalmente mais caro", analisa.
A assistente social Cinira Conceição Longo Cardoso, 26 anos, também abasteceu seu veículo, na tarde de ontem, com álcool. Mas a opção, neste caso, se deu por puro descuido. "Não vi que o preço tinha subido. Sempre que percebo que o álcool ficou desvantajoso, troco pela gasolina. Na próxima vez que for abastecer, a escolha será diferente", adianta.
Atenção redobrada
Muitas vezes, quando há um aumento expressivo no preço do litro do álcool, alguns postos de combustíveis passam a oferecer um valor muito abaixo do cobrado em outros estabelecimentos. Não é raro observar em Bauru postos com filas de carros aguardando o abastecimento. Porém, o Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo (Sincopetro) alerta os consumidores a se precaver antes de encher o tanque.
Uma das orientações é consultar a o site de Agência Nacional de Petróleo (www. anp.gov.br), que realiza levantamentos de preços semanais, e verificar a média praticada na cidade. Se o valor oferecido for R$ 0,20 a menos do que o da maioria dos postos da cidade, o melhor é redobrar a atenção.
"Uma outra medida que o consumidor pode adotar é, depois de abastecer, observar quantos quilômetros por litro o veículo vai fazer e verificar se esta média está compatível com o desempenho que o carro costuma ter", acrescenta o presidente do Sincopetro em Bauru, José Antônio Reghine.