Economia & Negócios

Luso é vendida por R$ 14 milhões

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 4 min

Desta vez, não tem mais volta. A sede social da Associação Luso Brasileira de Bauru foi vendida por cerca de R$ 14 milhões a uma empresa de engenharia que atua há 20 anos em Bauru. Conforme o JC apurou, o contrato de compra e venda foi assinado anteontem e a maior parte do dinheiro já foi repassada ao clube.

Apenas uma pequena quantia deste total será paga dentro dos próximos 30 dias, quando a escritura do imóvel deverá ser definitivamente transferida aos compradores. Mesmo assim, para reforçar as garantias, o clube estabeleceu em contrato uma cláusula impeditiva de cancelamento.

Segundo o proprietário da empresa de engenharia, que preferiu manter o anonimato por questões de segurança, no local deverá ser construído um empreendimento residencial, cujo projeto ainda não está pronto. Mas, como a Luso terá prazo de 12 meses para entregar o prédio, modificações poderão ser estabelecidas até o início das obras.

"Nossa intenção inicial é construir um condomínio, mas nada impede que façamos um complexo multiuso, com área comercial e de lazer, por exemplo. Tudo dependerá da demanda de mercado até o ano que vem", adianta o empresário, que não descarta até mesmo erguer um shopping dentro da área de 17 mil metros da sede social do clube.

O comprador destaca que não há "a mais remota possibilidade" de desistência da compra da sede da Luso, como ocorreu com o grupo Vitórias Participações, representante de um conglomerado de empresas que chegou a assinar o contrato de intenção de compra e venda e repassar R$ 100 mil ao clube em outubro do ano passado, mas desistiu da negociação quatro meses depois. "Fizemos o pagamento praticamente à vista, ontem (anteontem). A compra só não foi 100% cash porque o clube precisa providenciar algumas documentações para lavrar a escritura e entregar alguns termos de compromisso quanto a dívidas do INSS. Mas a diretoria é extremamente organizada e isso vai ser sanado tranquilamente", analisa.


Trâmites


De acordo com o presidente do clube, José Ângelo Oliva, um alguns trâmites burocráticos iniciados quando a Vitórias Participações repassou R$ 100 mil ao clube ainda precisam ser concluídos. Entre eles está a transferência de uma área doada pela família Martha no Jardim Estoril, que foi anexada à sede social.

"A doação foi feita sob a condição de que nesta área fossem mantidas atividades sociais e esportivas. Agora, com a venda, teremos que transferir essa exigência formalmente para a sede de campo", frisa o presidente, destacando que não haverá obstáculos para que esta adequação se concretize dentro dos próximos dias.

Assim como a empresa compradora, o presidente da Luso não confirmou o valor da transação, informada extraoficialmente à reportagem do Jornal da Cidade. No entanto, ele garantiu que a quantia correspondeu às expectativas do clube, visto que a sede social havia sido negociada no ano passado por R$ 15,4 milhões.
Oliva explica que, no próximo dia 15 de março, a diretoria se reunirá com o conselho deliberativo do clube, quando as condições de pagamento, assim como o valor exato da comercialização da sede, serão divulgados à imprensa. "Só neste dia é que poderemos falar mais abertamente sobre como a negociação foi feita. Pelo menos por enquanto, a empresa pediu para que não déssemos maiores detalhes e nós vamos respeitar esta solicitação", aponta.

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Investimentos


Cerca de R$ 7 milhões dos R$ 14 milhões que serão pagos pela venda da sede social da Associação Luso Brasileira de Bauru serão investidos na sede de campo, situada às margens da rodovia Marechal Rondon, ao lado do Alameda Quality Center. De acordo com o presidente do clube, José Ângelo Oliva, as obras começam já em janeiro para que as dependências da unidade da cidade possa ser desocupada dentro de 12 meses sem causar maiores transtornos aos sócios.

Os investimentos serão iniciados com a construção de um espaço para a secretaria e diretoria do clube, restaurante, academia e sauna. Em seguida, está nos planos do clube construir também um salão de festas, uma piscina de 50 metros, uma sala de jogos, uma quadra e ginásio poliesportivo mais amplo, reformar os campos de futebol, cobrir a quadra de futebol society, recuperar calçadas e a entrada do clube, além de recapear ruas e criar oito estacionamentos, sendo alguns deles cobertos.

Ainda neste ano, a Luso também pretende quitar a dívida de cerca de R$ 2 milhões oriunda de atrasos no pagamento junto ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), além de Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), empréstimos bancários e indenizações de ações trabalhistas. O clube também possui débito de Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU), que está sendo negociado.

Com o restante do dinheiro, o plano da diretoria é investir em ações e compra de imóveis como forma de acumular uma reserva financeira para o futuro.

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