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Tráfego intenso faz Emburb implantar um semáforo por mês

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 6 min

O motorista bauruense, quando sai de casa, enfrenta um verdadeira disputa por cada metro quadrado de asfalto, já que a quantidade de veículos na cidade não para de crescer. Para tentar oferecer maior fluidez ao tráfego e aumentar a segurança de quem está a pé ou dentro do carro, a Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb) projeta implantar um semáforo por mês, nos próximos dois anos, nos pontos mais críticos para o trânsito.

Ainda que a autarquia já tivesse realizado estudos há mais de cinco anos que apontaram a necessidade de novos equipamentos para dar conta de disciplinar o fluxo cada vez mais carregado, entre 2006 e 2009 só foram adquiridos 15 semáforos na cidade. No ano passado, entretanto, a frota atingiu a marca de 203 mil veículos e, se o ritmo das mudanças viárias continuasse o mesmo, certamente as consequências - em forma de acidentes - poderiam se tornar bem mais trágicas.

De acordo com a Emdurb, a implantação de um dispositivo sinalizador por mês teve início em outubro do ano passado. Em 2011, o primeiro deles já está funcionando no cruzamento entre as ruas Araújo Leite e Amadeu Sangiovani. Amanhã, também começa a operar o semáforo entre a avenida Duque de Caxias e a rua Galvão de Castro, no Jardim Cruzeiro do Sul, onde os acidentes ainda são constantes.

A vendedora Fabiane Ferrari comenta que já acompanhou pelo menos cinco graves ocorrências no local, em quatro anos como funcionária de uma loja instalada na esquina do cruzamento. "Já vi acidente de moto com moto, de ciclista com caminhão. Mas as colisões mais leves são muito comuns. É um lugar perigoso", comenta.

A partir de amanhã, além de terem de obedecer à sinalização luminosa, os motoristas que estiverem na Duque também não poderão mais fazer conversão à esquerda para adentrar à rua Galvão de Castro. Segundo Aníbal dos Santos Ramalho, gerente de Planejamento e Operações Viárias da Emdurb, a proibição de conversões - como ocorreu recentemente na avenida Getúlio Vargas - costuma ser uma decisão impopular, mas necessária para a implantação do dispositivo.

"É preciso entender que este é um mal necessário para a segurança de todos. A conversão naquele ponto havia se tornado perigosa e nossa intenção é reduzir os índices de acidentes o quanto possível", aponta.


Investimento


Outro ponto previsto dentro do cronograma da Emdurb é o cruzamento entre as ruas João Abo Arrage e Araújo Leite, Jardim Dona Sarah, ao lado do Bosque da Comunidade. Na interseção entre as duas vias, os motoristas que seguem pela Araújo tem de se desdobrar para conseguir fazer a travessia, que se torna ainda mais complicada quando existem carros estacionados na rua João Abo Arrage a menos de cinco metros de distância da esquina.

"Passo por aqui três vezes ao dia e a atenção tem de ser redobrada, principalmente porque sempre carrego meus filhos no carro. Quanto tem veículo estacionado perto da esquina, a gente tem que colocar o carro quase no meio do cruzamento para ver se dá para atravessar. Fica bem perigoso", analisa a fonoaudióloga Daniela Rossini. Conforme comentou uma vendedora ambulante que trabalha no local, mas que preferiu não se identificar, pelo menos três acidentes foram registrados naquele ponto no último mês.

De acordo com Ramalho, os investimentos tardaram a chegar porque os semáforos modernos custam caro e a Emdurb já havia optado por não mais adquirir equipamentos com tecnologia ultrapassada. "Um semáforo simples para rua com duas vias de mão única custa em torno de R$ 30 mil instalado. Tínhamos um limite financeiro, mas o preço dos conjuntos com lâmpada de LED já está caindo, então agora está mais fácil fazer o investimento", aponta.

Além dos semáforos comprados pela autarquia, Ramalho lembra que também foram implantados, ao longo dos últimos anos, equipamentos adquiridos pela iniciativa privada como contrapartida ao impacto viário provocado por novos empreendimentos instalados na cidade.

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Critérios


O gerente de Planejamento e Operações Viárias da Emdurb, Aníbal dos Santos Ramalho, explica que, antes de determinar quais cruzamentos irão receber o auxílio de semáforo, técnicos da autarquia realizam uma pesquisa de contagem de veículos nos locais onde possivelmente os dispositivos precisem ser implantados. O estudo consiste em contabilizar, durante oito horas em que o fluxo é mais intenso, a média de automóveis que trafegam pela via, conforme prevê o Manual de Semáforos do Departamento Nacional de Trânsito (Denatran).

"Se for uma via de duas pistas, pela pista principal tem de circular 660 veículos por hora. Já na pista secundária, tem de passar 200 veículos. Se este número for atingido, já há recomendação de implantação de semáforo, porque o trânsito intenso se torna um entrave para quem precisa transpor esta via", detalha. Além da contagem, estatísticas de acidentes fornecidas pela polícia, assim como reclamações e pedidos encaminhados à autarquia também são considerados.

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Lâmpadas substituídas


À medida em que as novas tecnologias forem se tornando mais acessíveis, a Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb) planeja substituir as lâmpadas incandescentes dos semáforos por modelos de LED (Diodo Emissor de Luz, em inglês). Além de possuir uma durabilidade maior, este tipo de lâmpada é também mais econômica e segura, já que sua eficiência não é afetada pela incidência de luz solar.

"Ela é mais cara, mas traz uma série de benefícios. Não compramos mais semáforos com luz incandescente por este motivo e a intenção é começar, já neste ano ou no próximo, a substituir as lâmpadas dos semáforos antigos em operação", aponta Aníbal dos Santos Ramalho, gerente de Planejamento e Operações Viárias da Emdurb. Segundo ele, o grupo focal que custava R$ 4 mil há cinco anos, atualmente é comprado por cerca de R$ 1,5 mil.

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Próximos equipamentos


Avenida Duque de Caxias X rua Galvão de Castro

Avenida Nossa Senhora de Fátima X rua Rio Branco

Avenida Nossa Senhora de Fátima X rua Aviador José Barros Silva

Avenida Nossa Senhora de Fátima X rua Aviador Antonio Gomes Meireles

Alameda Octávio Pinheiro Brisolla X rua Joaquim da Silva Martha

Alameda Octávio Pinheiro Brisolla X rua Capitão Gomes Duarte

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Rotina de acidentes


Um cruzamento problemático, mas que ainda não tem previsão de ser dotado de semáforo, é o das ruas Antônio Garcia e alameda Octávio Pinheiro Brisolla, na Vila Universitária. Quem sobe pela Antônio Garcia, principalmente em horários de pico, precisa ter paciência e habilidade ao volante para transpor a alameda.

Quem não possui esta combinação de qualidades corre o risco de se tornar mais uma das vítimas dos inúmeros acidentes que costumam acontecer no local. Segundo Cláudio Bonan Monteiro da Silva, frentista de um posto de combustíveis instalado bem ao lado do cruzamento, as ocorrências já se tornaram rotina.

"Já vi pelo menos umas 15 ocorrências, algumas delas bem graves. O pessoal da Emdurb já veio aqui fazer medição, há mais ou menos um ano, mas até agora, nada. Acho que já está mais do que na hora de pôr semáforo aqui", opina.

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