Regional

Café não aceita concorrência

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 3 min

Para o vice-presidente da Comissão Nacional do Café, Maurício Lima Verde Guimarães, o consórcio café/macadâmia não é a melhor opção. Dois itens são apontados como obstáculos para a plantação ?misturada?. O preço dos dois produtos no mercado e a concorrência diária.

"As experiências demonstram que o café não gosta de concorrência e a macadâmia, queira ou não, é um concorrente seríssimo para a água. Em época de seca, uma vai disputar o líquido com a outra. Se o agricultor tiver dois mil pés de café por hectare e, no meio a macadâmia, corre o risco de ter prejuízo na produção de ambas."

Para ele, não há justificativa para o consórcio, a não ser para pequenas propriedades. "Aquelas que não têm muito espaço e precisam explorar toda a área. Sobre o aspecto agrícola, eu acho que não deve ser feito. Justamente agora que estamos com preços bons para o café."

Na opinião dele, na medida que se tem boa remuneração para o café, o momento é de tirar maior produtividade. "O café não gosta de sombreamento. Na cultura dele, a sombra não está prevista. Na Bolívia tentou-se, mas os resultados não foram satisfatórios. Na Colômbia o café é sombreado, mas é outra variedade."

Os cafeicultores amargaram preços baixos durante os últimos cinco ou seis anos. Hoje, ele está com o maior valor dos últimos 15 anos. "Um preço excepcional. Como melhorou, eu acho que o agricultor deve reavaliar a situação."

Como ambas as culturas são a longo prazo, o vice presidente pede cautela. "O agricultor tem que avaliar se uma possível queda na produção do café compensa o risco. O consórcio é indicado para baratear custos. Houve um tempo que se plantava milho no meio dos pés de café para baratear custo. O agricultor usa a plantação consorciada para fazer um serviço de capinação e adubação para as duas culturas."

Lima Verde comenta que não é só com o café que se pensa fazer consórcio. "Tem gente pensando em plantar outras culturas no meio da laranja para diminuir custo de produção. A macadâmia é a novidade desta vez, ela passa por um momento muito bom."


____________________

Temperatura pode prejudicar cultura do café


Projeções dos institutos climatológicos brasileiros preveem que nos próximos 50 anos a temperatura deve aumentar 2º. O aumento pode criar problemas para a cultura cafeeira da região, comenta o presidente da Associação Brasileira da Macadâmia, José Eduardo Camargo.

"Com exceção da serra da Mantiqueira, a região leste do Estado de São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro devem sofrer essa alta na temperatura. A cultura da macadâmia pode ser uma boa alternativa, uma vez que sob sua árvore há uma queda de 2º na temperatura."

Segundo ele, o sombreado da Macadâmia pode ser a ?salvação? para a plantação do café. "O plantio consorciado propicia bons rendimentos e garante a temperatura adequada para o café. Há várias experiências sendo feitas. Aqui em Dois Córregos e em toda a região."

Ele ressalta que a noz pode ser consorciada com outras culturas, mas só com a macadâmia é que se tem o micro clima no sombreado. "Já fizemos essa medição. Há essa diferença de 2º. Há regiões do Brasil fazendo consórcio de café com cacau."

Comentários

Comentários