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A evolução nas relações de trabalho

Davi Zaia
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O momento é 1982. O marco político as eleições diretas para os governos estaduais, as primeiras desde o golpe militar de 1964. Em São Paulo, a oposição elege o governador Franco Montoro, um dos artífices da campanha das Diretas Já, que resulta, em 1985, na eleição, ainda que indireta, de Tancredo Neves, com os votos da oposição e de dissidentes do regime. Até esse momento, os conflitos trabalhistas eram resolvidos na Justiça do Trabalho e o termo mais usado nas campanhas salariais da época era "dissídio", um indicativo de que a solução passava pelo nível de qualidade dos advogados.

Damos um salto no futuro e o momento é outro. Com a democracia e o avanço da tecnologia, a representação sindical e as relações de trabalho também evoluem. As campanhas salariais não são decididas mais pelos tribunais, mas em negociações diretas e livre diálogo entre patrões e empregados. O dissídio dá lugar aos acordos e convenções coletivas de trabalho.

O perfil dos profissionais é outro, com a automatização a mão de obra encolhe, os trabalhadores se reciclam e assumem novas funções. Meu antecessor, Guilherme Afif Domingos, atual secretário de Desenvolvimento Econômico, Ciência e Tecnologia e vice-governador, assim como sucessivos governos estaduais anteriores, privilegia a educação orientada ao mercado de trabalho.

Com a economia aquecida, a oferta de emprego aumenta e em alguns setores há uma espécie de "apagão" de mão de obra. Faltam profissionais especializados na construção civil, em empresas de novas tecnologias, na agricultura, entre outros. Qualificar e elevar o nível educacional das pessoas é uma necessidade.

Como sindicalista e parlamentar, fui chamado pelo governador Geraldo Alckmin para iniciar na Secretaria de Emprego e Relações do Trabalho o diálogo com o movimento sindical e outros segmentos da sociedade, para construirmos soluções de consenso.

Logo de início, o governador recebeu, em um café da manhã no Palácio dos Bandeirantes, representantes das seis centrais sindicais. Em seguida a esse encontro, passamos a trabalhar em cima de sugestões para as questões de interesse da sociedade.

Estabeleceu-se um canal de diálogo que será ampliado. Vamos aglutinar experiências de empresários e trabalhadores e fortalecer parcerias que resultem em emprego, renda e melhor qualidade de vida para a população.


O autor, Davi Zaia, é secretário de Emprego e Relações do Trabalho no Estado de São Paulo

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