O Dia Mundial de Comemoração ao Trabalho serve para reflexão sobre as conquistas obtidas em termos de qualidade, cuidados, preservação do meio ambiente, sofisticação em função de novas tecnologia etc. Surgiu no século 19, nos EUA (Chicago), onde se reivindicava, entre outras coisas, redução de jornada de 13 para 9 horas diárias, além de condições mais humanas de trabalho. Nessas circunstâncias básicas, evoluímos muito e continuaremos buscando sempre formas e meios/estruturas ideais na busca de resultados e produtividade superiores. Entretanto, no Brasil temos uma CLT (Consolidação das Leis Trabalhistas) elaborada na era Vargas, nos anos 40, que objetivava proteger trabalhadores rurais que ingressavam na indústria nascente da época. Imaginar que até hoje utilizamos a mesma legislação trabalhista faz-nos refletir que paramos no tempo e não soubemos adequar e adaptar a legislação às condições de trabalho e competição global que existe hoje norteando todos os negócios do Planeta. Nossa legislação obriga o empregador a gastar, aproximadamente, 100% a mais do salário com encargos e obrigações fiscais e trabalhistas. Este custo adicional aliado a outras obrigações inibe o emprego formal pleno, estimulando a informalidade e a falta de isonomia na competição entre empresas. A pseudo protetora dos "coitadinhos", que não existem mais há muito tempo, ou seja, nossa CLT, precisa ser reformada urgentemente se quisermos continuar desenvolvendo o País de forma descente e séria, além de pararmos de exportar trabalho e emprego através do ritmo frenético de importações e criação de empresas brasileiras em outros países.
Além de ultrapassada e sem sentido prático, nossa retrógada legislação é responsável por outro pilar que arruína a nossa inserção plena na competição empresarial global dos tempos atuais. Trata-se dos sindicatos e seus sindicalistas, que deverão receber 5 bilhões de contribuições em 2011, cujo papel principal e quase único é "lutar" por aumentos de salários e benefícios a qualquer custo e defender todos os benefícios e mamatas que internamente possuem, em função do papel que exercem. Esta categoria, que em função das benesses do governo federal passado virou chapa branca, ou seja, aliada do atual governo, luta exclusivamente por salários, sem avaliar suas consequências, ou seja, sem contrapartida do aumento de produtividade. Os aumentos reais de salários são desejáveis quando associado à produtividade. Os aumentos reais do salário mínimo pressionam a Previdência. Esta (Previdência) pressiona a carga tributária, inflação, e assim por diante. Nossos sindicalistas, cargo que ninguém larga ou renova, ou seja, deve ser um "trabalho" muito atraente, estão pouco preocupados com empresas, seus setores de atuação, com o futuro dos negócios, da cidade, estado ou país. Hoje são 12 mil sindicatos de trabalhadores, cerca de 300 mil dirigentes e faturamento de R$ 5 bilhões. O negócio é tão atraente que se cria mais de dois sindicatos por dia. Toda esta estrutura é criada para pressionar as empresas, procurando incomodá-las com exigências pouco produtivas e proteger os maus funcionários que adoram ser apadrinhados a fim de garantir emprego e salário, trabalhando e produzindo pouco. Quando e quem terá coragem de enfrentar esta mazela que pesa no bolso dos trabalhadores e empresas, e que precisa ser reinventada a fim de contribuir, somar, adicionar algo que contribua para o desenvolvimento, modernização e competitivi-dade de empresas e do País além de empregos dignos e qualidade de salários para quem merece? Veremos esta reforma na nossa geração?
O autor, Ricardo Coube, é diretor-presidente do Grupo Tiliform