Bairros

Amigas da amamentação

Wanessa Ferrari
| Tempo de leitura: 5 min

Coletar leite humano nas casas de mulheres doadoras e distribuí-los a hospitais e outras mães e crianças é apenas uma pequena parcela das atividades desenvolvidas pelo Banco de Leite Humano (BLH) de Bauru.

Pouca gente sabe, mas além deste trabalho, diariamente, a entidade também visita todas as maternidades da cidade orientando mães sobre a maneira correta de amamentar o bebê, os problemas que podem ocorrer durante o aleitamento, tirando dúvidas e também agendando o teste do pezinho.

Além disso, o BLH realiza a pasteurização e diversos testes de qualidade nos leites doados e agenda consultas para esclarecimento de dúvidas e solução de problemas ligados à amamentação.

Para dar conta de tantas tarefas, a rotina no BLH começa logo cedo. Por volta das 8h, uma equipe composta por uma auxiliar de enfermagem, uma estagiária e um motorista visitam as casas para coletar as doações.

O leite doado deve vir congelado e imediatamente é colocado em uma caixa térmica, carregada pela equipe, que tem a temperatura controlada periodicamente. A coleta abrange todos os bairros de Bauru e também as cidades de Piratininga e Agudos. Pelo menos uma vez na semana as doadoras recebem os funcionários do BLH.

Enquanto isso, uma equipe composta por uma enfermeira e uma auxiliar de enfermagem visitam as mães que acabaram de ter bebê na Maternidade Santa Isabel. Entre outras informações, elas explicam à paciente a maneira correta de amamentar o filho, a importância da doação do leite que não é consumido pela criança aos outros bebês e agendam o teste do pezinho. A atividade é realizada diariamente, inclusive aos sábados, domingos e feriados.

"É extremamente importante que essas mães, muitas de primeira viagem, saibam que podem e devem recorrer ao BLH caso encontrem alguma dificuldade durante a amamentação. Na visita, passamos várias informações, mas se elas gravarem que na cidade existe um local que dá este tipo de suporte já é suficiente", avalia Rosana Govea, enfermeira do BLH.

A auxiliar de enfermagem Vera Lúcia Murça Mariano, desenvolve este trabalho há 15 anos. Ela conta que a principal dificuldade é abordar a mãe em um momento tão especial, que é o nascimento de um filho, e por isso é fundamental ser o mais didática e rápida possível.

"Na maioria das vezes as mães estão cansadas, eufóricas algumas até mesmo preocupadas com o filho que precisou ficar internado. Por isso, não prestam muita atenção no que estamos falando. Nossa mensagem principal é que o BLH existe e esta aí para ajudar", explica Vera Lúcia.

Natália Benetti Abrucezzi Yamagutti, 23 anos, teve seu primeiro filho no último domingo e foi com o auxílio de Rosana e Vera Lúcia que aprendeu dar de mamar ao pequeno.

"Achei muito interessante. Eu não sabia amamentar meu filho e nem que o Banco de Leite existia. Se meu leite for suficiente, pretendo me tornar doadora", planeja.

No período da tarde, as atividades continuam. Neste turno, as maternidades dos hospitais da Unimed e da Prontocor é que recebem a visita das funcionárias do BLH.

Além disso, das 13h às 17h, a sede do BLH recebe mães que têm consulta agendada com uma enfermeira do local para tirar dúvidas com relação à amamentação.

Na tarde da última terça-feira, foi a vez Claudiane Rodrigues Simonetti descobrir porque o pequeno Rafael não estava se adaptando à amamentação.

"Ele é muito pequenininho, não tem força para sugar o leite. Você precisa retirar o leite com as mãos e dar a ele. Mas, além disso, precisa insistir. Coloque ele no peito um pouquinho por dia, para que ele não fique preguiçoso. Com o tempo, ele vai mamar, pode ter certeza", orientou a auxiliar de enfermagem Sandra Munhoz, do BLH.

O diagnóstico foi um alívio para Claudiane. "Fiquei preocupada. Eu tenho leite e ele não estava mamando. Mas agora já sei como fazer", comemora.


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Métodos rigorosos

Pasteurização e três avaliações rigorosas. Estas são as etapas pelas quais o leite doado deve passar antes de ser entregue às crianças que serão beneficiadas com ele. Este processo de preparação e seleção dura, no mínimo, 48 horas.

Logo que o leite congelado doado chega ao Banco de Leite Humano (BLH), os potes são rotulados e encaminhados ao freezer. Por conta do baixo estoque, o leite permanece congelado por poucos dias. Geralmente, logo na manhã seguinte à sua chegada, já tem início o processo de pasteurização.

A primeira etapa é o descongelamento do alimento em banho-maria. Depois, os potes são colocados em cubas com água gelada e gelo, para manter a temperatura, e começa a primeira seleção.

"Nesta etapa nós observamos o aspecto do leite. Vemos se existem sujidadades e se a cor e o odor são característicos", explica Maria Nereida Panichi, coordenadora do Banco de Leite Humano (BLH).

Na sequência, o BLH coleta uma amostra de 5 ml do leite, que visa avaliar a quantidade de gordura e a acidez o alimento. As análises são feitas pelo Instituto de Pesquisa Adolfo Lutz (IAL) de Bauru e ficam prontas no mesmo dia em que são encaminhadas. Os resultados do teste de gordura permitem direcionar o leite mais adequadamente à cada caso, já a acidez, se for fora do padrão, elimina o leite. Nesta etapa, de 10% a 20% das doações são descartadas.

Já a terceira e última análise demora 48h para ficar pronta. O procedimento avalia se a pasteurização foi feita da maneira correta e consiste em misturar 5 ml do leite em uma solução química e esperar a reação. O resultado também é apresentado pelo IAL. Se não estiver nos padrões, o leite é descartado.

"Parece muita coisa, não é? Mas são procedimentos necessários, afinal, a criança que recebe o leite precisa ter sua saúde garantida. É sempre preciso lembrar que estamos lidando com vidas e todo cuidado é pouco", explica Maria Nereida.

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