Tribuna do Leitor

QUEREM A CABEÇA DO SECRETÁRIO DE SAÚDE


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O tempo que um médico leva para atender um determinado grupo de pacientes não pode e nem deve ser determinado por nenhuma entidade de classe e/ou órgão público, seja qual for o regime de contratação do profissional, mas sim pelas circunstâncias que cada caso clínico requerer. O diretor do Setor de Urgência e Emergência informou via jornal, dia desses, que são quatro médicos pediatras trabalhando a cada turno de 12 horas. A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda que o tempo ideal para a realização de uma consulta médica seria entre 15 e 30 minutos. Tomando como base as recomendações da OMS e as informações do diretor do Setor de Urgência e Emergência, os quatro médicos do PA Infantil, trabalhando durante um período de 12 horas, atenderiam 192 crianças. Como o PAI funciona 24 horas por dia, logo teríamos 384 crianças consultadas.

Com esse cálculo matemático, provamos que não há falta de médicos pediátricos. Perguntamos então: é uma questão salarial? A princípio acreditou-se. Porém, depois que um servidor municipal interado dos porquês ocorridos no PA Infantil, indignado diz: dos 100% dos médicos do Pronto-Socorro Central e do Pronto-Atendimento Infantil, 75% ganham acima de R$ 5.000,00. Desses 75% que recebem acima de 5 mil, um percentual de 25% ganham mais de R$ 6.000,00. Dos 50% que sobraram, 30% ganham entre R$ 7 e R$ 8 mil e os 20% restantes ganham entre R$ 9 e R$ 11 mil. Como fica claro, não é a falta de profissionais e nem os baixos salários. É a tal "operação padrão" que deve ser entendida como "operação tartaruga". Outro fato é que médicos estão se demitindo. Essas demissões podem complicar o atendimento de forma geral no município, colocando em xeque a capacidade de quem está na gestão. A operação padrão implementada pelos médicos mais as demissões que estão acontecendo são uma aliança de retaliação contra o secretário de Saúde, que ao visitar de surpresa os postos de saúde, Pronto-Socorro Central e Pronto-Atendimento Infantil flagrou alguns médicos do PAI dormindo. Foram advertidos e punidos.

O que se percebe é que há um braço de fer-ro entre os médicos e o secretário municipal de Saúde, cujos derrotados não serão os médicos nem o secretário de Saúde, mas a população usuária que há anos está refém. Concluindo, ao secretário municipal de Saúde nossos cumprimentos pela ousadia em punir os infratores, porém, o preço dessa atitude corajosa poderá custar-lhe cabeça.


Ademar Aleixo Camilo ? Comissão de Imprensa do Sindsaúde Bauru e servidor público estadual

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