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Para delegado, troca de bebês não foi criminosa

Mariana Cerigatto
| Tempo de leitura: 4 min

Familiares e polícia estiveram, na manhã de ontem, no Cemitério Jardim do Ypê, em Bauru, para realizar a exumação de um recém-nascido que havia sido enterrado no último sábado por engano. Conforme o JC noticiou, o fato ocorreu após uma falha, ainda a ser esclarecida, que aponta troca não intencional dos corpos de dois bebês falecidos logo após o nascimento, na Maternidade Santa Isabel. Apesar da troca não ser considerada crime pelo delegado que acompanhou a exumação, Milton Bassoto Júnior, uma sindicância foi aberta pela Associação Hospitalar de Bauru (AHB) para apurar o que ocorreu.

A exumação baseou-se em desenterrar o corpo do bebê sepultado de forma errônea no Jardim do Ypê. Ele deveria ter sido enterrado no cemitério municipal do Redentor, para onde foi conduzido somente ontem, por volta das 14h. O Jornal da Cidade está preservando os nomes dos envolvidos para evitar constrangimentos.

Ambas as crianças nasceram na última semana. As duas, do sexo feminino, tinham o primeiro nome idêntico. Uma das mães, de 19 anos, grávida de gêmeos e residente em São Paulo, estava em Bauru e, quando decidiu que retornaria à sua cidade, passou mal e foi levada para a Maternidade, no último dia 21. Após um parto complicado, um dos recém-nascidos faleceu no último dia 24.

A outra mãe, de 43 anos, residente em Bauru, estava com a cesariana marcada para o nascimento da filha, também na Santa Isabel, no último dia 25. Contudo, a criança, que foi diagnosticada desde os 4 meses de gestação com anencefalia (má-formação fetal do cérebro), morreu instantes após o parto, segundo informações da mãe.

Após a morte, os dois recém-nascidos foram conduzidos ao Necrotério do Hospital de Base (HB). A troca pode ter ocorrido durante a liberação dos corpos. Enquanto um dos bebês continuou no setor, outro foi retirado pela Funerária São Vicente.

Quando a mãe dos gêmeos aguardava no cemitério do Redentor a chegada do corpo de sua filha anteontem, foi informada da troca e que, na verdade, sua filha havia sido enterrada no sábado.

Conforme apurou o JC, a constatação foi feita por servidores da Divisão de Necrópoles e Funerária da Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb), responsável pelos cemitérios municipais de Bauru e pelos funerais sociais.


Mais tristeza


Ontem, cada bebê foi sepultado nos cemitérios corretos, junto às suas respectivas famílias. O bebê da mulher de 43 anos foi conduzido ao Cemitério Jardim do Ypê na manhã de ontem.

Já o corpo do outro bebê da outra mãe, antes de ser sepultado no cemitério Redentor, foi submetido a exames no Instituto Médico Legal (IML) de Bauru, devido ao boletim de ocorrência (BO) registrado para averiguar as causas da morte.

"O exame foi necessário para constatar as causas da morte da criança, analisar se havia lesões no corpo, ou outro tipo de marca", disse o delegado Bassoto, do 3.º Distrito Policial. Também foi recolhido material para exames de DNA, que comprovarão paternidade.

Segundo o delegado, a mãe de 19 anos resolveu registrar BO porque levantou suspeita em relação aos procedimentos médicos utilizados durante o parto dos gêmeos. "O caso foi registrado como morte a esclarecer e vamos focar as investigações na apuração das causas da morte do bebê dela e eventual erro no procedimento médico", afirmou Bassoto.

Através de sua assessoria de imprensa, a AHB comunicou que foi instaurada uma sindicância para apurar as circunstâncias da troca. "A entidade irá avaliar se houve negligência dos funcionários e levantar os problemas que levaram a essa confusão", informou Zarcillo Barbosa, assessor da AHB.

"Contudo, é preciso ressaltar que havia uma pulseira de identificação em ambos os bebês, assim como outra identificação no peito de cada um deles", salientou. A Funerária São Vicente não quis se pronunciar à reportagem.

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Consolo


Após a confusão, ambas as mães se encontraram no cemitério Jardim do Ypê, na manhã de ontem, durante o processo de exumação, em que não foi permitido o acompanhamento da imprensa. Muito abatidas, elas se consolaram e se abraçaram. Um das mães, de 43 anos, disse que considera a troca dos bebês um erro humano e não tem pretensão de processar nenhuma das entidades. "Foi um constrangimento, mas entendo que foi um erro humano", comentou. Já a família da outra mãe, de 19 anos, que teve o bebê enterrado por engano, está inconformada com tudo o que ocorreu. Muito abalada, não ela quis falar com a reportagem.

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