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Após 1 mês, caso do túnel não avança

Vitor Oshiro
| Tempo de leitura: 4 min

Hoje completa exatamente um mês que o primeiro túnel cavado por criminosos sob a avenida Nações Unidas, em Bauru, foi descoberto e desativado pela polícia. Entretanto, mesmo após esse tempo, ninguém foi encontrado e preso. Outro problema é a segunda escavação localizada duas semanas depois. Até agora, o túnel de 150 metros perfurado pelos bandidos continua aberto sob várias casas. A Prefeitura Municipal de Bauru não sabe o que fazer e parece estar longe de tomar alguma medida.

Em meados do mês passado, quando o segundo túnel foi descoberto, os moradores das localidades onde a "obra" foi feita ficaram com medo da escavação ter comprometido a estrutura das residências e causar algum desabamento. Gerson de Oliveira, 45 anos, tem um centro automotivo bem ao lado de onde o túnel foi localizado.

"Fora os clientes, somos em cinco trabalhando aqui. Temos muita movimentação de carros e eu tenho medo do que possa acontecer. Acho que vou procurar alguém para tomar alguma providência", apontou.

O aposentado Acary Nabor dos Santos, 69 anos, também está receoso com os problemas. Para ele, até mesmo uma rachadura em seu quarto pode ter sido motivada pela obra criminosa. "Abriu essa rachadura e até entrou água em casa. Tenho medo do imóvel ter sido comprometido", revelou o homem, assim como a maioria dos outros moradores do local.

Entretanto, o medo dessas pessoas provavelmente vai continuar. Segundo a Secretaria Municipal de Obras, ainda não há qualquer planejamento sobre o que fazer com a escavação criminosa. O principal problema estaria em termos jurídicos, uma vez que a obra passa debaixo de várias propriedades particulares.

Questionado pela reportagem, o secretário da pasta, Eliseu Areco, revelou que "não sabe o que fazer". "Sinceramente, eu não sei. Não há qualquer planejamento para o que possa ser feito naquele túnel. O que a Secretaria de Obras poderia fazer já foi feito", declara.

Segundo ele, foram cobertas as valas das entradas de ambos os túneis, refeitas as calçadas e as ruas, pavimentadas. "Em relação ao segundo túnel, ele passa embaixo de propriedades privadas que não podemos mexer. Eu cuido de obras, não sei como funciona isso. Não há qualquer determinação para que algo seja feito no local até agora", aponta.

A assessoria de comunicação da prefeitura foi acionada, entretanto, afirmou não ter resposta sobre de quem seria a responsabilidade neste caso. Ainda por meio da assessoria, a Secretaria Municipal de Negócios Jurídicos declarou que não há qualquer processo tramitando a respeito desse assunto.

Eliseu Areco ainda explicou que, a pedido da Polícia Civil, foi disponibilizada uma engenheira que realizou uma vistoria nas casas em questão e que, nessa ação, não foram detectados quaisquer danos estruturais nos imóveis.


Investigação policial


Do mesmo modo que a prefeitura não tem qualquer planejamento sobre o que fazer com a obra criminosa, a polícia ainda não prendeu nenhum suspeito. Entretanto, o titular da Delegacia Seccional de Bauru, Benedito Antônio Valencise, aponta que as investigações não estão paralisadas.

"Estamos trabalhando e seguindo algumas boas pistas. Nossas investigações realmente podem levar a um desfecho positivo do caso. Com certeza, não estamos na estaca zero".

O delegado, porém, argumenta que não pode revelar quaisquer novidades sobre o caso justamente para não atrapalhar as investigações.

As apurações vão em busca do proprietário da casa de onde partiu o túnel criminoso. Na ocasião em que o "QG" dos bandidos foi descoberto, vizinhos relataram que um casal bastante discreto vivia no imóvel.

Segundo eles, tanto o homem quanto a mulher, que utilizavam uma van branca com placas de fora de Bauru, desapareceram exatamente quando o primeiro túnel foi descoberto.

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Cronologia do caso


A investigação do caso começou em 3 de fevereiro. Na ocasião, funcionários da Prefeitura Municipal de Bauru, ao consertar um buraco, localizaram na quadra 3 da avenida Nações Unidas um túnel com 30 metros de extensão. A obra foi feita por criminosos e partia da galeria pluvial abaixo do canteiro central, terminando na empresa de segurança e transporte de valores Protege.

A polícia informou que havia várias entradas públicas possíveis para a galeria, como a do próprio rio Bauru, localizada na avenida Nuno de Assis.

Entretanto, no último dia 17 foi descoberto um segundo túnel. Dessa vez, a obra partia de uma casa e terminava na quadra 2 da Nações Unidas, cerca de 150 metros de distância da Protege. Pelas posições das travas, foi possível saber que essa era a rota pela qual os bandidos acessavam a galeria.

No dia seguinte, ao percorrer essa nova escavação de aproximadamente 150 metros de comprimento, foi localizada a casa utilizada pelos bandidos como ponto de origem do túnel, uma casa construída pelos criminosos e que funcionava como "Quartel-General" dos bandidos.

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