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Samu atende 8 vezes mais que Resgate

Vitor Oshiro
| Tempo de leitura: 6 min

Com certeza, a possibilidade de se envolver em um acidente ou sofrer um mal súbito são temores que afligem todas as pessoas. Aos bauruenses, o medo ganha ainda mais uma preocupação: qual será a agilidade do atendimento do socorro prestado? Na cidade, tal resgate é feito pelo Corpo de Bombeiros e pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). Entretanto, a média de atendimentos desse último órgão é muito maior devido a um acordo firmado entre os dois serviços e também à concepção da própria população. Tal demanda preocupa, uma vez que converge com problemas estruturais da unidade.

Há cerca de duas semanas, o JC evidenciou que, das 13 viaturas de atendimento do Samu destinadas a Bauru, apenas duas estavam em funcionamento. Três estavam quebradas, três em manutenção e outras cinco, adquiridas recentemente, estavam sem a documentação necessária para começar a rodar.

Atualmente, a situação alarmante se amenizou. Segundo o coordenador do Samu, Carlos Eduardo Sacomandi, "existem cinco viaturas em atendimento pela cidade e outra em reserva técnica, porém, em boas condições. Duas ainda estão sem a documentação, três em manutenção e duas em reserva técnica, entretanto, em condições bastante precárias".


Abrangência


Ao analisar a abrangência do Samu, o panorama, todavia, merece atenção especial. Já conhecido por grande parte da população, o serviço apresentou em 2009 e 2010 uma proporção grande no número de atendimentos da cidade. Somente em 2009 foram 21,1 mil atendimentos com ambulância. No ano seguinte o número diminuiu, mas passou longe de ser pequeno: 18,8 mil atendimentos.

O Corpo de Bombeiros, que atua como um co-irmão do Samu nos socorros, passa muito distante desse montante. Em 2009, foram 3.391 atendimentos e, no ano passado, 1.979. Ou seja, considerando esses dois anos, a média de atendimentos do Samu é cerca de oito vezes maior do que os bombeiros.

Tal fato pode ser explicado por um acordo de intenção firmado entre Samu e Corpo de Bombeiros em meados de 2008. Com essa conciliação, os atendimentos foram divididos entre urgência, atendidos pelo Samu, e emergência, priorizados pelos bombeiros.

Além do tipo de acidente, que passou a determinar qual órgão fica responsável pelo socorro, a diferença gritante pode ser atribuída ao fato do Samu ter ganhado notoriedade e conhecimento como serviço socorrista pela maior parte da população. "As pessoas percebem mais viaturas do Samu correndo pela cidade e isso acaba ficando na cabeça delas. Por isso, acabam chamando mais", aponta Sacomandi.

Segundo informações apuradas pela reportagem, mesmo em atendimentos de trauma, que são de prioridade dos bombeiros e compõem cerca de 95% dos socorros do órgão, o Samu registra maior número de atendimentos. Tal fato ajuda a confirmar essa concepção da população.

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Trotes e enganos


Além dos problemas estruturais, o Samu também enfrenta diariamente outro grande dilema: a grande quantidade de trotes e enganos que chegam à unidade e atrapalham o serviço dos profissionais.

Segundo o coordenador do serviço, Carlos Sacomandi, em 2009 foram 6,2 mil trotes. No ano seguinte o número diminuiu, porém, ainda é considerado alto: foram 3,5 mil. "Em 2007, foram quase 10 mil chamadas com brincadeiras de mau gosto. Especificamente, foram 9.760 chamadas de trotes que atrapalharam bastante o nosso trabalho. A população precisa se conscientizar", explica.

Em relação aos enganos, apesar de menos numerosos, também preocupam. Em 2009 foram 2,3 mil. Mas ao contrário de outros índices, aumentaram no ano seguinte para aproximadamente 3 mil.

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Viaturas dos bombeiros


Ao contrário dos problemas estruturais do Samu, o Corpo de Bombeiros de Bauru afirma não sofrer com problemas como insuficiência de viaturas. Atualmente, são duas Unidades Resgate (UR) em uso e outra que fica de reserva no quartel.

"Uma viatura corre no Distrito Industrial e a outra no Centro. Dividimos assim para poder atender essas duas regiões da cidade. Foi estipulado um fator limitador de cinco a oito minutos que define qual viatura será destinada às respectivas ocorrências", explica o tenente-coronel José Guerxis de Aguiar, comandante do 12º Grupamento de Bombeiros.

Questionado sobre o motivo de não colocar em atividade permanente a viatura de reserva para ajudar nos socorros de Bauru, Guerxis afirma que "as duas que estão rodando dão conta da demanda. Quando aparece algo grande e que vemos essa necessidade, ela é colocada nas ruas".

A ideia, entretanto, é ainda construir outro quartel na zona sul da cidade. Nesse ponto, essa viatura passaria a atuar nas proximidades da rodovia. A reportagem apurou ainda que, em breve, outra viatura de resgate será adquirida.


Demanda proporcional


Uma vez que os bombeiros afirmam conseguir atender a demanda de atendimentos, que é bastante menor, a grande procura da população pelo Samu "afoga" o serviço. Basta verificar em números proporcionais o número de atendimentos realizados pelos respectivos órgãos.

Os bombeiros consideram o número ideal de rodagem duas viaturas de Resgate. Sendo assim, em 2009 cada um desses veículos atendeu 1.695 casos. Já no ano seguinte esse número caiu para 989 ocorrências atendidas em cada unidade.

Mesmo com mais viaturas, a demanda do Samu é extremamente maior. Considerando que a frota de socorro estivesse em cinco - considerado o ideal para veículos em rodagem fixa pelo órgão -, cada unidade teria atendido 4,2 mil casos em 2009. Já no ano passado seriam 3,7 mil atendimentos por viatura.

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Regionalização do Samu preocupa


Desde novembro do ano passado, o Samu de Bauru passou a atender também a região. Além da cidade, o serviço centraliza a demanda de outros 17 municípios. O fato também passou a gerar preocupação, uma vez que o trabalho do órgão aumentou bastante.

Segundo o coordenador do Samu, Carlos Sacomandi, em janeiro deste ano a situação se tornou bastante evidente. Ele aponta que as ligações aumentaram em um total de 70% em relação a meses anteriores. "É uma elevação muito grande. Passamos a atender muitas cidades e temos que agir com o mesmo procedimento em cada um dos atendimentos".

O aumento nas ligações, entretanto, não significa uma incidência direta no problema do deslocamento e da falta de viaturas. "Desses municípios, há seis que possuem ambulâncias próprias e que, por isso, atendem os municípios próximos. Às vezes usamos nossas unidades avançadas para trazer pacientes até Bauru".

O problema maior apontado por Sacomandi é na central que gerencia as ligações que comunicam as ocorrências. De acordo com ele, atualmente são apenas três pessoas trabalhando por turno. "Pode ocorrer de a pessoa ligar e não conseguir falar. Há ocasiões em que todos os atendentes estão ocupados. A linha vai chamar, mas não tem ninguém para atender", alerta.

Neste ponto, a regionalização teve um efeito forte, pois a unidade bauruense passou a receber toda essa demanda dos demais municípios. "Eles precisam atender, ouvir a ocorrência, fazer uma ficha e despachar. Isso leva tempo. Com esse crescimento das ligações, verificado em 70% depois da regionalização, o trabalho realmente aumentou muito".

Entretanto, o coordenador do Samu revela que já foi realizado um concurso para a contratação de mais atendentes. "O concurso já foi feito e as contratações estão na fase de exames. No mínimo, por turno, vai aumentar mais cinco atendentes. Provavelmente, ainda este semestre eles já estarão trabalhando", finaliza.

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