Todas as praias de Fernando de Noronha estão distribuídas entre o mar de dentro e o de fora. O primeiro, com águas mais claras e calmas, fica voltado para o Atlântico Norte. Mais bravo, o mar de fora aponta para o continente africano, distante 2.700 quilômetros. E ambos são reservas naturais de inspiração.
Não há uma praia sequer que seja mais ou menos. Todas as 17 são belíssimas e revelam, com suas particularidades, resquícios da erupção e um contraste absurdo de cores.
A Baía do Sancho é considerada por muitos a mais bonita do arquipélago, até mesmo do Brasil. A vegetação surpreende ao recobrir as falésias com diferentes tons de verde. De águas calmas e cristalinas, a Baía é perfeita para o banho. Por isso, barcos costumam parar ali para um mergulho no qual a visita dos peixes é certa.
Os ilhéus, no entanto, recomendam que, além de conhecê-la pelo mar, você faça uma visita por terra. É algo mágico e totalmente diferente. Primeiro porque de cima, do mirante, você já se encanta. Depois, para chegar à areia, é preciso descer por uma escadinha instalada no penhasco, numa fenda bem apertada, e encarar uma sequência puxada de 175 degraus esculpidos na falésia.
Do lado do Sancho está a Baía dos Porcos, pequena e reservada, com águas de todos os tons de verde. Adiante, Cacimba, praia do surfe e do Morro Dois Irmãos. Curioso é que, no cartão postal, eles são gêmeos. Mas ali, encostado neles, você faz um giro panorâmico e consegue enxergá-los de diferentes formas e tamanhos. É mais uma daquelas ótimas surpresas da ilha.
Do outro lado, no mar de fora, está a Praia do Leão, local de desova de tartarugas, que pode ser visitada apenas de janeiro a junho. É interessante mesmo para ser avistada ao longe. Uma curiosidade: ela recebeu esse nome por causa da ilhota em frente, que lembra um leão-marinho deitado.
O que trazer
Tartaruguinhas
Garanta souvenirs e artesanatos no Projeto Tamar. Além de levar fofuras para casa, você ainda contribui com as ações da entidade.
Fotos, muitas fotos
Capriche em filmagens e fotos feitas debaixo d?água, seja com o fotógrafo local ou equipamento próprio.
Vocabulário novo
Os locais dizem "euforonha" quando se chega à ilha e "neuronha" quando querem sair e não conseguem - por causa das poucas vagas nos concorridos (e mais baratos) voos só para ilhéus.
O que trazer
Como chegar
Várias companhias aéreas operam para o destino. A TAM, por exemplo (www.tam.com.br) faz conexão em Recife ou em Natal. Aos sábados, a companhia faz voo extra (charter) vendido pela TAM Viagens e pela Ambiental (www.ambiental.tur.br). É possível chegar de barco, mas, como a distância é grande, poucos fazem isso.
Taxa
A de conservação ambiental é obrigatória para todos os turistas que chegam à ilha e custa R$ 38,24 por dia - o valor aumenta de acordo com o tempo de permanência. Para ficar 30 dias, por exemplo, você desembolsaria R$ 3.154,80. Para evitar filas, pague pela internet (noronha.pe.gov.br) e apresente o comprovante no aeroporto, ao desembarcar.
Passeios
As agências Atalaia, Águas Claras e Atlantis Divers costumam cobrar os mesmos preços pelos tours. O passeio pelas principais praias (de 4X4 ou buggy), às vezes com parada para banho e mergulho de superfície, sai por R$ 85,00. O mergulho autônomo, com um instrutor por pessoa, custa de R$ 250,00 a R$ 280,00 e dura três horas - o mergulho é de meia hora. O de superfície, de R$ 30,00 a R$ 40,00, e o Planasub, R$ 80,00. Já o tour de barco, com parada para banho, dura três horas e sai por R$ 80,00. O aluguel do buggy custa R$ 120,00 por dia.
Tamar
Palestras gratuitas sobre natureza, preservação e vida marinha são realizadas diariamente, às 20 horas. Site: tamar.org.br.
Onde ficar
A reportagem visitou e recomenda: Beijupirá (www.beijupira.com.br), Maravilha (pousadamaravilha.com), Solar dos Ventos (www.pousadasolardosventos.com.br), Teju-açu (www.pousadateju.com.br) e Zé Maria (pousadazemaria.com.br).
Mergulho
Não há peixe envergonhado em Noronha. Portanto, são muitos os locais onde o mergulhador (ou quase isso) pode admirar a vida marinha. Várias empresas alugam equipamento, mas você pode levar o seu e economizar, em média, R$ 20,00 por passeio.
Além do mergulho autônomo, com cilindro de oxigênio, há uma modalidade muito simpática de observar o mundo por debaixo d?água, chamada Planasub. Com máscaras, snorkel e uma prancha de acrílico, você é puxado por um barco e pode até fazer manobras se ficar em apneia. Na ilha, a técnica também é conhecida como mergulho de reboque ou Aquasub.
Outra muito comum é o mergulho de apneia. E o melhor lugar para fazer isso no arquipélago chama-se Atalaia. Ali, somente com autorização do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). É preciso fazer uma trilha, com guia, para chegar ao aquário natural em que não se fica em pé. Isso mesmo. Com 70 centímetro de profundidade, você coloca máscara e snorkel e visita com os olhos os corais, cardumes e até filhote de tubarão bem de pertinho. Na Praia do Sueste, além de tubarão, há muitas tartarugas. Elas ficam embaixo do seu corpo e acompanham o trajeto numa boa.
O que levar
O básico
Chapéu, protetor solar e labial são fundamentais para sobreviver ao sol forte. Leve, ainda, um tênis para trilhas, mochila e máquina fotográfica.
Fôlego
Você vai precisar de disposição para aguentar o calorão e fazer as indispensáveis caminhadas até as praias.
Dinheiro
Melhor ir prevenido. só há uma agência do Banco Real e dois caixas eletrônicos 24 horas - um no Projeto Tamar e outro no Aeroporto, que costumam falhar. Clientes Bradesco podem fazer saques nos Correios