Brasília - O relatório 2010 da Junta Internacional de Entorpecentes, divulgado ontem, mostra "preocupação" com o aumento do uso de crack no Brasil. Também aponta que o País, como outros na América do Sul, tem dificuldades de atender a demanda de tratamento de usuários.
O documento - divulgado pelo Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime - ressalta que, apesar do aumento do uso de crack, o governo tem tomado medidas como o plano de ação integrado para o combate da droga derivada da cocaína.
O relatório indica ainda que o Brasil continua sendo usado como País para o trânsito de remessas de drogas para os Estados Unidos, além da África e Europa.
Estudo
O Brasil está desenvolvendo o maior estudo sobre consumo de crack do mundo. De acordo com a secretária Nacional de Políticas sobre Drogas, Paulina Duarte, o objetivo é ter dados estatísticos reais do consumo de crack no País, das grandes cidades à zona rural. A pesquisa está sendo feita pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) em parceria com a universidade americana de Princeton e os primeiros resultados serão divulgados em abril.
"Em 2010, lançamos o plano integrado de enfrentamento ao crack e outras drogas. Não temos, neste momento, nenhum número exato de consumo de crack no país. São apenas meras especulações. Por isso, estamos desenvolvendo o primeiro grande levantamento que se configura como o maior estudo sobre crack no mundo", afirmou ontem a secretária, após a apresentação do Relatório 2010 da Junta Internacional de Fiscalização de Entorpecentes (Jife).
A estimativa é que 25 mil pessoas participem da pesquisa, sendo que 22 mil fornecerão dados quantitativos e 3 mil, dados qualitativos. "Esse plano de enfrentamento (estudo direcionado ao consumo de crack) nasceu da preocupação do Brasil com dois indicadores: aumento das apreensões de pasta base feitas pela Polícia Federal e a procura (das pessoas viciadas em crack) por tratamento."
A grande inovação, segundo Paulina, é que os usuários ouvidos pela pesquisa serão convidados a fazer testes para identificar se contraíram doenças relacionadas ao consumo do crack, como hepatites B e C, tuberculose e aids. "Depois desses testes, eles serão encaminhados à rede de saúde para tratamento."
Além da pesquisa, a Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas (Senad) também vai desenvolver um sistema de monitoramento precoce para consumo e tráfico de drogas em parceria com a Polícia Federal, o Ministério da Saúde e a Universidade de São Paulo (USP). De acordo com Paulina, o investimento será de aproximadamente US$ 5 milhões.