Internacional

Livro do papa diz que judeus não têm culpa pela morte de Cristo

Folhapress
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Vaticano - O novo livro do papa Bento XVI, intitulado "Semana Santa: Da entrada a Jerusalém até a Ressurreição", teve alguns trechos divulgados ontem pela Livraria Editora Vaticana, a oito dias da data do lançamento. Neles, o pontífice exime pessoalmente os judeus das acusações de que foram responsáveis pela morte de Jesus Cristo, repudiando o conceito de culpa coletiva que tem assombrado há séculos as relações entre cristãos e judeus.

O papa faz a complexa avaliação teológica e bíblica numa seção do segundo volume do livro "Jesus de Nazaré". "Agora precisamos perguntar: quais foram exatamente os acusadores de Jesus?", questiona o papa, acrescentando que o Evangelho de São João diz apenas que foram "os judeus". "Mas o uso dessa expressão por João não indica de forma alguma -como o leitor moderno poderá supor- o povo de Israel em geral, menos ainda tem um caráter ?racista?", escreve ele. "Afinal, o próprio João era etnicamente judeu, assim como Jesus e todos os seus seguidores. A comunidade cristã antiga inteira era formada por judeus", escreve ele. Bento 16 diz que a referência era à "aristocracia do Templo", que queria Jesus condenado à morte porque ele havia se declarado rei dos judeus e violara a lei religiosa judaica.

Ele conclui que o "grupo real de acusadores" foram as autoridades do Templo e não todos os judeus da época.

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