Internacional

Rebeldes líbios repelem ofensiva de Gaddafi

Folhapress
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Brega - Em mais um dia de forte ofensiva, as tropas leais ao ditador líbio, Muammar Gaddafi, enfrentaram as forças rebeldes nas cidades de Brega - importante centro petrolífero - e Ajdabiya, ambas no leste do país.

Há relatos contraditórios sobre a situação de Brega. Algumas fontes asseguram que a cidade caiu sob o controle das tropas de Gaddafi e outras apontam que foi recuperada por forças da oposição.

Rebeldes líbios comemoram relatos de que o contra-ataque de Gaddafi fracassou e se preparam para batalha em Ajdabiya

As forças do ditador líbio entraram na cidade de madrugada com vários tanques e artilharia pesada e ocuparam um bairro residencial, segundo testemunhas, que também relataram combates intensos no porto da cidade.

Segundo a rede Al Jazeera, dois batalhões do Exército líbio participaram da ofensiva governista e chegaram a ocupar parte da cidade e o aeroporto de Brega.

Testemunhas citadas pela agência de notícias France Presse dizem que ao menos duas pessoas morreram nos combates.

As forças do ditador realizaram ainda ataques aéreos contra a cidade de Ajdabiya, a 70 quilômetros ao leste de Brega.


Gaddafi ameaça


O ditador líbio, Muammar Gaddafi, discursou ontem por mais de uma hora diante de um grupo de apoiadores e advertiu que haverá milhares de mortos caso os Estados Unidos ou a Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) decidam invadir o país. Ele culpou ainda a rede terrorista Al-Qaeda pelos protestos e ameaçou enfiar o dedo nos olhos de seus inimigos.

A ideia de uma intervenção militar na Líbia tem ganhado força nos últimos dias, diante da resistência de Gaddafi de deixar o poder e a continuidade dos confrontos entre as tropas leais ao ditador e rebeldes que controlam o leste do país.

Os EUA já reposicionaram suas tropas para mais perto da Líbia, mas evitam cravar que uma ação militar está sendo planejada. A Otan, por sua vez, afirmou que só agirá na Líbia com a aprovação da ONU (Organização das Nações Unidas). "Nós enfiaremos os nossos dedos nos olhos daqueles que duvidam que a Líbia é governada por qualquer um que não seu povo", disse Gaddafi, aos gritos de apoio dos presentes.

Ele disse ainda que o sistema de governo líbio é uma "democracia direta" e que ele não pode renunciar, porque não tem cargo. "Muammar não tem poder de verdade para renunciar a ele. Quando os Comitês do Povo determinam algo, se torna lei e é implementada para todos os líbios. Ninguém pode declarar guerra ou paz a menos que os Comitês do Povo assim decidam."
Gaddafi afirmou ainda que não houve manifestações pacíficas na Líbia, apenas gangues de homens e jovens armados influenciados pela Al Qaeda. "Células adormecidas da Al Qaeda, seus elementos, se infiltraram gradualmente (...) Eles acreditam que o mundo é deles, lutam em qualquer lugar, os serviços de inteligência os conhecem pelo nome", acusou o líder líbio a uma atenta audiência.

"Começou de repente na cidade de Al Baida (...) As células adormecidas receberam ordens de atacar o batalhão (...) e roubaram as armas das delegacias", contou Gaddafi. "As mulheres fugiram (...) havia balas para todo lado. Foi a mesma situação em Benghazi", afirmou, referindo-se ao epicentro das forças rebeldes.

"Não há demonstrações pacíficas na Líbia. Se houvesse, por que os estrangeiros estão fugindo, as embaixadas estão fechando em Trípoli, funcionários de companhias petroleiras estão fugindo do deserto?", questionou.

Ele pediu ainda à comunidade internacional que envie uma missão para verificar a situação na Líbia e desafiou a provar que suas tropas estão reagindo a manifestações pacíficas e que mais de mil morreram nos confrontos.

"No que diz respeito à Líbia [...] nada aconteceu [...] e é estranho que o mundo receba notícias de correspondentes e TVs que não estão presentes na Líbia", questionou Gaddafi. "Eles não querem notícias verdadeiras da Líbia."
A respeito da indústria do petróleo, afirmou que as companhias petroleiras estão amedrontadas e a produção parou. "A produção de petróleo está em seu menor nível", afirmou.

Aparentemente o alvo dos ataques era um depósito de munições nas proximidades da cidade, que já havia sido bombardeado há dois dias. Moradores da região, no entanto, afirmaram que o alvo era uma base militar que caiu em poder dos rebeldes, a três quilômetros de Ajdabiya.
A Al Jazeera relata uma grande explosão em Ajdabiya. A rede, que cita um jornalista local, afirmou que observaram dois aviões sobrevoando a região, embora não tenha especificado qual é o tipo das aeronaves.
Essa ofensiva das forças leais a Gaddafi ocorre apenas 24 horas depois que o filho do líder líbio Seif el Islam negou em declarações ao canal britânico Sky News que o regime tivesse intenções de montar uma ofensiva em direção ao oeste do país.
INCÊNDIO
No centro da capital Trípoli, centro da resistência governista, um caminhão-tanque foi incendiado nesta quarta-feira perto da residência de Gaddafi, provocando uma grande coluna de fumaça.

Chris Helgren/Reuters

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Bombeiros jogam água para conter chamas em caminhão-tanque, perto da casa do ditador Gaddafi
As autoridades não informaram sobre vítimas no local da explosão. O edifício mais próximo ao local do incêndio, uma mesquita, não sofreu danos.
Centenas de partidários de Gaddafi se reuniram ao redor do veículo em chamas para manifestar apoio ao "guia da revolução" líbia. Policiais, militares e civis armados apenas observaram a manifestação.
O Hotel Rixos al Naser, que hospeda muitos correspondentes da imprensa internacional na capital líbia, também fica nas imediações do local da explosão.

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EUA exige intervenção


Washington - O endurecimento da retórica de Washington contra Muammar Gaddafi chega após pressão de neoconservadores, congressistas republicanos, analistas e outros que estão exortando a Casa Branca a intervir na Líbia. Na sexta passada, um grupo de falcões neoconservadores de peso enviou carta ao presidente Barack Obama pedindo ação direta dos EUA e da Otan (aliança militar ocidental) para pôr fim "ao regime líbio assassino".

A ação lembra um padrão dos anos 90, quando neoconservadores fizeram lobby forte por pressão militar contra "países hostis". Advocaram, por exemplo, pela derrubada de Saddam Hussein após a Guerra do Golfo e por intervenção nos Balcãs.

O texto pede que o governo desenvolva planos operacionais para destacar caças para impedir que o regime ataque civis; que estabeleça capacidade para desarmar navios de guerra líbios e que mova seus navios para a região.

Alguns legisladores foram ainda mais longe. Os senadores John McCain (republicano) e Joe Lieberman (independente) afirmaram que a Casa Branca precisa fornecer armas aos rebeldes líbios.

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Corte internacional vai investigar Gaddafi


Haia - O promotor-chefe do TPI (Tribunal Penal Internacional), o argentino Luis Moreno Ocampo, anunciará hoje que vai abrir investigação sobre os conflitos na Líbia.

Sediado em Haia (Holanda), o TPI investiga e julga acusações de genocídio, crimes contra a humanidade e crimes de guerra. No sábado, na sessão em que aprovou sanções à ditadura de Muammar Gaddafi, o Conselho de Segurança da ONU pediu a ação da corte no caso líbio.

Para Moreno Ocampo, os relatos preliminares sobre ataques das forças pró-Gaddafi aos manifestantes antigovernistas já justificam a abertura de inquérito no âmbito do tribunal. Estima-se que ao menos mil pessoas tenham morrido nos conflitos. A votação no CS também marcou a primeira vez em que os EUA, que não ratificaram a criação do TPI, deram apoio a uma investigação do tribunal. O país insistiu, porém, que cidadãos americanos não devem ser investigados ou julgados pela corte.


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