Na semana passada, os amantes da ufologia do Brasil todo (talvez do mundo) convergiram sua atenção para a nossa região, por causa da suposta nave que poderia ter aparecido nos céus de Agudos. O evento foi filmado por um pessoal na estrada - depois o JC publicou a verdade sobre o caso -, e as imagens, como tudo hoje em dia, foram parar no YouTube. Ouvi falar que até o Fantástico explorou o assunto.
No ano passado, na Semana de Física do colégio D?Incao, entrevistei o professor doutor Amâncio Friaça, do Instituto Astronômico e Geofísico da USP. Ele é especialista em Astrobiologia - a ciência que busca indícios de vida no universo. Trabalhava em Greenwich, na Inglaterra, o lugar que deu o nome ao meridiano que divide os hemisférios ocidental e oriental.
O cientista me disse que eles não estão procurando ET?s ou coisa parecida, e sim estudando atmosferas e superfícies de planetas para verificar a possibilidade de, um dia, ter havido vida nesses lugares. E eles procuram vírus ou bactérias, não lagartos com quatro braços, ou pequenas criaturas verdes, como nos filmes e no imaginário popular. Há alguns dias, uma amiga me perguntou:
"-Você já viu disco voador?"
Eu disse que já. Que era uma coisa arredondada, uma luz forte e branca no céu, perto da Hípica de Bauru, mas que eu era criança e aquilo poderia ser qualquer outra coisa. Ela me corrigiu:
"-Então não era disco voador. Disco voador é uma luz que aparece muito rápido, em pontos no céu, formando um triângulo."
E eu completei:
"-Mas o meu era um daqueles modelos antigos, anos 60, do tipo que pisca e gira."
Juro que essa conversa aconteceu.
É interessante essa relação de inferioridade que nós temos com os Et?s. Eles sempre são mais evoluídos que nós e nos metem medo. Domingo passado, pela manhã, eu me perdi em uma trilha entre Alba e Piratininga. A primeira coisa que me veio à mente foi água. A segunda, a possibilidade de os Et?s de Agudos aparecerem por lá, para "dar uma estudada" em mim. Também me lembrei do Jason, da "Sexta-feira 13", parte 1, mas aí é outra estória.
Um ponto curioso é o fato de os Et?s sempre resolverem aparecer em locais pequenos e remotos. Imagino o pessoal do comando ET escolhendo os lugares para visitar:
"-Temos Nova York, Moscou, Londres, Paris..."
"-Vamos pra Agudos."
"-Agudos? Onde é isso?"
"-É perto de Piratininga, Alba, Brasília Paulista..."
É até natural que nós, humanos, acreditemos em Et?s. Afinal, por que só aqui na Terra haveria condições propícias para o aparecimento da vida?
Se os Et?s existirem, é bem provável que tiveram que passar por todos os dramas épicos (e os não épicos) que a humanidade encarou. Eles podem não ter inventado a roda, mas inventaram algo semelhante ou melhor. Calculo que os Et?s mais avançados viveram umas três ou quatro idades médias como a nossa e um número igual de renascimentos.
Quantos Hitlers, quantos Stalins, quantos Sarneys será que os Et?s tiveram que aguentar? Mas é até bom que os Et?s existam. É confortante saber que não estamos sozinhos.
Se a gente acabar arrebentando tudo isto aqui (a Terra), poderemos ir para outros planetas (se a tecnologia permitir) e esperar ser acolhidos pelos alienígenas. Por outro lado - o que é mais plausível -, eles poderiam nos escravizar. E se isso acontecer, pode não ser tão ruim assim. Eu, por exemplo, prefiro ser escravizado por outra espécie do que pela minha própria.
O autor, Luís Paulo Domingues, é colaborador de Opinião