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Criança é 1.ª vítima fatal de leishmaniose em 2011

Vinicius Lousada
| Tempo de leitura: 3 min

Uma criança de 7 anos de idade foi a primeira vítima de leishmaniose confirmada em Bauru em 2011. Letícia dos Santos Lima faleceu na última terça-feira, após ter sido internada no dia 21 de fevereiro, no Hospital Estadual (HE). Ela morava com sua mãe e os três irmãos no Parque Jaraguá. No mesmo bairro vivia também a última vítima fatal da doença até então, um homem de 63 anos, que veio a óbito no final de 2009.

A mãe de Letícia, Tatiane Maria dos Santos, parece ainda não acreditar na perda da filha, que foi levada ao Pronto-Socorro na tarde de domingo, dia 20 de fevereiro, apresentando febre, tosse e com inchaço na região abdominal. O raio X solicitado pelo médico constatou o aumento do fígado e do baço da menina, que foi internada, no dia seguinte, no HE.

"Levei a Letícia e minha filha de 1 aninho, que também estava com febre. A menor tinha pneumonia, mas, graças a Deus, já se recuperou. Infelizmente a doença da Letícia era muito forte e agora eu perdi a minha filha", lamenta, emocionada.

A menina ficou durante três dias no quarto do hospital, recebendo o tratamento necessário no combate à leishmaniose. O quadro, porém, se agravou no dia 24 de fevereiro, quando foi internada na Unidade de Terapia Intensiva (UTI).

"Apesar de estar bem fraquinha, ela conversava e se movimentava. Mas ela teve reação à medicação e começou a perder sangue pelo nariz e pela boca. Depois disso, ela ficou entubada e eu não consegui mais conversar com a Letícia", conta.


Angústia

Tatiane, que trabalha em uma plantação de batatas, deixou de ir ao serviço durante os oito dias em que sua filha esteve internada. "Quando ela estava no quarto, eu ficava junto o tempo todo. Na UTI, eu entrava no horário de visita e ficava até a noite na sala de espera do hospital, ansiosa por alguma notícia", lembra a mãe de Letícia.

Segundo parentes da criança, existe um número muito grande de cachorros e gatos sem donos conhecidos que circulam pelas ruas do Parque Jaraguá. Esses animais, especialmente os cães, podem ser hospedeiros da doença, que é transmitida ao ser humano pela picada do mosquito palha. A assessoria de imprensa da Prefeitura Municipal informou que as equipes que trabalham no bairro no combate à dengue já providenciaram ações de bloqueio contra a leishmaniose.

No mês de maio de 2010 havia sido confirmado o último óbito pela doença, ocorrido no final do ano anterior. A vítima foi um homem de 63 anos. Em 2009 foram registrados outros 42 casos, sem mortes. O número de registros caiu para 28 em 2010, sendo que nenhum deles evoluiu para óbito.


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Sintomas e prevenção

O infectologista Alexandre Naime Barbosa explica que os principais sintomas da leishmaniose em seres humanos são febre contínua por mais de uma semana, tosse, emagrecimento sem explicações e fraqueza. Em estágios avançados da doença, pode haver sangramentos no nariz, em mucosas, gengiva e no intestino, além do crescimento do fígado e do baço, que pode ser notado com o aumento da região abdominal. O diagnóstico da doença é feito a partir de exame de sangue.

Nos cães, principais hospedeiros do protozoário da leishmaniose, a doença pode ser notada quando os animais deixam de praticar suas atividades normalmente, apresentando desânimo e fraqueza. Emagrecimento, vômitos, queda de pêlos, febre, crescimento das unhas e feridas no focinha, nas orelhas e nas patas são outros sintomas. Nesses casos, é fundamental buscar a orientação de um veterinário.

O tratamento em animais doentes não é indicado por não apresentar resultados efetivos com comprovação científica. Além disso, segundo Naime, com a aplicação de medicamentos em cães, a doença pode se tornar mais resistente e dificultar a cura de seres humanos. Só em Bauru, 4.208 animais foram sacrificados em 2010. Desse total, 85% tinham sintomas clássicos de leishmaniose.

A doença é transmitida aos seres humanos através da picada do mosquito-palha. Ele se reproduz em locais com água parada e com material orgânico em decomposição. A limpeza de quintais e terrenos é fundamental no combate e na prevenção à leishmaniose.

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