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Com demanda maior devido ao Carnaval, PS Central lota

Vinícius Lousada Com Patrícia Zamboni
| Tempo de leitura: 5 min


O enredo de longas filas para o atendimento médico no Pronto-Socorro Central de Bauru voltou a se repetir durante a tarde do domingo de Carnaval e ontem. Pacientes procuraram a reportagem do Jornal da Cidade para denunciar o tempo de espera, que superava as quatro horas, alegando que havia poucos médicos plantonistas no local.

Conforme divulgado pelo JC, desde as 19h de sexta-feira os casos de urgência e emergência passaram a se concentrar no PSC, ficando suspenso o atendimento no Pronto-Socorro da Bela Vista - onde permanecem apenas uma ambulância e profissionais de enfermagem para eventuais necessidades de primeiros-socorros. O atendimento voltará ao normal a partir das 7h desta quarta-feira, o que tem aumentado muito a demanda no PS Central, além das complicações de saúde devido ao tempo chuvoso.

No final da tarde de ontem, alguns pacientes procuraram o JC para reclamar da demora para serem atendidos no PSC. Maria Lúcia Alves da Costa, 46 anos, conta que chegou às 14h sofrendo com dor de cabeça e vômito e só recebeu cuidados médicos às 18h30. Com diagnóstico de virose, foi medicada e orientada a ir para casa.

"A situação era desesperadora. Tinha mais gente vomitando, pessoas em cadeira de rodas e até gente que desmaiou enquanto esperava atendimento. Disseram que tinham poucos médicos e que não estavam dando conta da quantidade de gente que estava lá", disse Lúcia, após ser liberada.

Tiago Aparecido Custódio reclamou que a esposa dele, Cibele Leite, chegou ao PSC levada por uma viatura do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e, mesmo assim, demorou para ser atendida.

"Ela está com muita dor de ouvido. A gente desconfia que entrou um bicho no ouvido dela porque a dor é tanta que ela não consegue nem falar direito. Mas o pessoal fala que não é caso de emergência, por isso não querem passar ela na frente", disse Tiago.

Nove horas


Às 16h de domingo, Alessandro Moura Hachimoto contou que havia chegado em busca de atendimento às 10h, por conta de uma torção no pulso. Relatando muita dor, ele afirma que a área lesionada foi enfaixada, mas teria que aguardar até as 19h para ser atendido por um ortopedista.

"Isso é uma pouca vergonha. Não tem cabimento esperar nove horas para passar pelo médico. O prefeito está muito preocupado com as festas de Carnaval, mas deve estar esquecendo que a saúde das pessoas vêm em primeiro lugar", reclama Alessandro.

Antonio Giroto Junior também estava insatisfeito com o atendimento no PS Central. Ele conta que seu irmão, que toma remédios controlados, passou mal e foi levado ao local pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). Duas horas depois, a assistente social ligou avisando que o paciente já poderia ir para casa.

"Quando eu cheguei lá, ele tinha tomado uma injeção, mas estava muito mal, sem condições de vir. Pedi novo atendimento e fui tratado com rispidez. Mas quem se responsabilizaria caso ele sofresse um ataque quando eu saísse de lá?", questionou.


Homem chama polícia

Enquanto a reportagem do Jornal da Cidade conversava com pacientes que esperavam por suas consultas na tarde de domingo, policiais militares chegaram ao PS Central. Eles foram chamados por Carlos Roberto da Luz, que foi ao local pelo terceiro dia seguido acompanhando sua mulher. Sandra Maria dos Santos Luz está com dores e inchaço na região do abdome, com dificuldades para se locomover e precisava ser atendida por um cirurgião.

"Sexta-feira, cheguei às 20h e saímos daqui meia-noite. Ela foi atendida e fez exames de sangue e urina. No sábado, voltamos e ficamos mais quatro horas aqui. Pegamos os exames, mas a médica não tinha o diagnóstico. Fomos orientados a voltar no domingo e passar pelo cirurgião, mas não tem um aqui agora", conta Carlos.

Ele explica que chamou a polícia na tentativa de que alguma medida fosse tomada, pois já havia conversado com a enfermeira e com a assistente social, mas ambas alegaram que não poderiam fazer nada para solucionar o problema de sua mulher. "Por que não encaminham para algum hospital? Ela pode estar com alguma infecção séria. Estou sem carro e sem dinheiro. Não posso colocar minha mulher em um ônibus e voltar para casa", lamenta o marido da paciente.


Médicos

Procurado pelo JC, o diretor do Departamento de Urgência e Emergência da Secretaria Municipal de Saúde, Antonio Bertozo Sabbag, explicou que a escala de médicos da tarde de domingo contava com quatro clínicos, mas um teria faltado, e três médicos estavam atendendo.

De acordo com ele, ontem, o quadro de médicos estava completo no PSC, com quatro clínicos, um cirurgião e um ortopedista. Segundo Sabbag, o movimento nesses dois dias esteve muito acima da média, fator impulsionado principalmente pelo tempo mais frio e chuvoso e pelo grande número de casos de dengue que estão sendo registrados em Bauru.

"Fui informado de que a espera por consulta era de duas horas e meia (no domingo), o que está dentro do limite aceitável, porque até em clínicas particulares existem atrasos. Com o PS da Bela Vista sem funcionar, a demanda no Central aumentou muito", alega.

Quanto à falta de ortopedista e cirurgião no domingo, o diretor explicou que essas especialidades tinham atendido pela manhã e estariam também à noite no PS Central. "Algumas semanas, contamos com esses médicos no período da tarde. Outras, não. Quando o caso é mais grave, no caso de ortopedia, por exemplo, encaminhamos para o Hospital de Base", ressalta Sabbag.

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