Tribuna do Leitor

AOS MORADORES DO JARDIM SILVESTRE E AO PREFEITO RODRIGO AGOSTINHO


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Nunca precisei usar deste democrático espaço o qual este conceituado jornal gentilmente cede à população, mas ao ler a matéria da página 8 do dia 2/3/11, não tive como não me revoltar e, enfim, cobrar de alguém alguma solução. Explico: Acho muito importante o que os governos federal e municipal estão fazendo em relação ao desfavelamento, onde ao construirem uma casa e tirar uma família da margem de um esgoto, não estão dando para ela só uma casa, mas sim dignidade, saúde, humanidade e condições de criarem melhor os seus filhos, e esses moradores estão certos em cobrar mais melhorias.

Ótimo, até aí tudo bem. Mas ao ver as fotos das ruas "intransitáveis" do referido bairro de desfavelamento, vi que elas não são nem um milímetro sequer piores do que a rua em que eu moro (tenho fotos iguaizinhas ou piores do que as publicadas na matéria, caso alguma autoridade queira ver). Moro na rua Florinda Ferreira Rabello, quadra 3, no Jardim Silvestri, e não é só a minha rua, Em todo o Jardim Silvestre as ruas estão iguais ou piores do que as do citado desfavelamento.

Agora, vamos a algumas comparações. No desfavelamento são 34 casas, no meu bairro, por baixo, são aproximadamente 300 casas; no desfavelamento não tem calçada, no meu bairro também não tinha, tivemos que fazer, senão seríamos multados; no desfavelamento não está mais circulando ônibus, no meu bairro já faz uns três anos que não vejo um (e olha que o ponto final de fato da linha Jaraguá-Beija Flor fica na esquina da minha casa).

A moradora Adriana Solano, do desfavelamento, não consegue mandar seus filhos para a escola. Eu também não, pois a perua escolar não entra na minha rua, pois corre o risco de atolar. O morador Osmano Pereira, do desfavelamento, não consegue tirar o seu carro de casa. Eu também não, e quando tento, ou atolo ou caio em alguma cratera.

A moradora do desfavelamento Antônia Gaspareti diz que não mora de graça. Eu e os outros moradores do meu bairro também não, e garanto que a nossa despesa mensal é muito superior em relação aos moradores do desfavelamento (somando financiamento habitacional, IPTU, água e luz). No desfavelamento o carteiro sofre, perguntem para o carteiro do meu bairro se é "legal" fazer entregas lá, inclusive já tive que ajudá-lo quando o mesmo caiu com sua moto em uma cratera.

Enfim, agora o mais importante de tudo o que relatei: na matéria, o prefeito diz que até o final do ano - faltam 9 meses - vai asfaltar (que palavra linda), vou escrever mais uma vez, vai asfaltar todo o desfavelamento, onde 34 famílias "sofrem". Agora, eu quero ver quando o mesmo prefeito vai asfaltar o meu bairro, o Jardim Silvestri, onde umas 300 famílias se "divertem" na lama e nas crateras abertas pelas chuvas.

Em 9 meses asfaltar o desfavelamento. E o meu bairro? Duvido. Tomara que eu esteja errado, pois se estiver, serei o primeiro a vir novamente manifestar o meu agradecimento pelo asfalto no meu bairro. Moradores do Jardim Silvestri, me ajudem nesse apelo ao prefeito para melhorar o nosso bairro. Obrigado a todos e ao jornal por publicar o meu desabafo e revolta. (Sérgio Alves Júnior - funcionário público estadual)

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