O 8 de março surgiu em 1910, na Conferência de Mulheres Socialistas, por proposta de Clara Zetkin. Esta data faz referência à morte de 129 operárias da empresa têxtil Cotton de Nova York, que em 1857 morreram queimadas em um incêndio provocado pela classe patronal como resposta às reivindicações de suas trabalhadoras. A data ganhou ainda mais sentido quando, em 8 de março 1917, as mulheres russas saíram às ruas exigindo "paz, pão e terra" e ajudaram a detonar a revolução socialista no país. Hoje não temos muito a nos vangloriar pelas lutas que tivemos ou pelas que vamos ter. Temos uma única certeza de que vivemos num mundo machista e que temos que quebrar tabus todos os dias e monstrar para a sociedade que somos iguais e tão capazes como qualquer homem. Lutamos pelo fim da opressão às mulheres e acreditamos que isso só é possível através da organização das mulheres junto à classe trabalhadora. As lutas contra o machismo, contra o capitalismo que explora e oprime as mulheres trabalhadoras deve ser independente de governos ou patrões. É um direito que tem retrocedido na luta pelo atendimento à saúde pública - em 2011 medida prov. 557 ao invés de ajudar a reduzir a mortalidade infantil e materna e ajudar as grávidas que necessitam de saúde impõe cadastro que vai criminalizar as mulheres que não desejam ter filhos. Para as mães, nenhuma nova creche foi inaugurada em 2011 em São Paulo e no interior as que estão não dão conta e a fila de espera é grande.
As mães que trabalham tem direito a seus filhos terem uma educação infantil digna. A violência contra a mulher continua sendo a que mais mata no mundo e milhares de mulheres são assassinadas pelos seus pares (pais, maridos, filhos, namorados,etc...). É uma lei Maria da Penha que deixa lacunas. Moradia, transporte, saúde, trabalho digno, escola, lazer, então, nem pensar e os problemas sociais básicos continuam a existir. Os direitos das mulheres, como licença maternidade de 6 meses para todas trabalhadoras e estudantes, rumo a um ano sem isenção fiscal, creches públicas e gratuitas de qualidade e em período integral para todos os filhos da classe trabalhadora, trabalho igual para salário igual, grande preconceito no nosso país e educação pública gratuita e laíca para todos - 10% do PIB para a educação pública, estas e muitas outras reivindicações temos e devemos aprender a cada dia que se não houver luta e união sempre ficará difícil vencer.
A luta é para todas e todos, lado a lado para podermos construir um mundo mais justo, igualitário e, de preferência, socialista - um socialismo que nunca vimos por causa das traições e que conhecemos apenas nos livros. Então, no Dia Internacional da Mulher, seja você mesma, forte, feminina, valente, carinhosa, lute pelo que deseja, não se deixe ser humilhada por ninguém e ame a vida.
Eliane de Sousa Koti -professora