O coordenador da Campanha da Fraternidade (CF) de 2011 na Diocese de Bauru, Gerson Luiz Alves Pinheiro e, o vigário geral da Diocese de Bauru, padre Luiz Antônio Lopes Ricci, informam que, em Bauru, a Campanha deste ano será lançada no próximo domingo, dia 13, na Catedral do Divino Espírito Santo, a partir das 10h. A abertura espera receber milhares de fiéis. No dia 24, a CF será apresentada às autoridades na Câmara Municipal.
Em 41 paróquias, que compõem a Diocese de Bauru, serão trabalhados assuntos que remetem à campanha de 2011, com foco em interesses e necessidades do município. Uma dessas necessidades, que a campanha pretende alertar, diz respeito ao tratamento de esgoto da cidade. "Queremos levantar discussões e sensibilizar as autoridades para o problema do esgoto da cidade. Parte dele é jogado no Rio Bauru. O objetivo é, através da campanha, poder refletir essas ações erradas, sendo que o problema do esgoto em Bauru é uma questão política e merece prioridade", ressaltou Gerson.
Mas a meta da CF não é só atingir autoridades. "Cada cidadão tem sua responsabilidade e deve se perguntar como pode colaborar para a preservação do meio ambiente", enfatiza Gerson. Ele cita que, para isso, é necessária uma mudança de comportamento. "A questão do lixo será outro enfoque da campanha. Em Bauru, cerca de toneladas de lixo são recolhidas de bocas de lobo. Precisamos que as pessoas mudem suas atitudes diante disso", salienta.
Para promover a conscientização, cada paróquia fará um trabalho na comunidade que está inserida, mapeando problemas do bairro em que está localizada. É nesse momento que a campanha "sai para as ruas", deixando de ser um discurso apenas que acontece dentro das igrejas. Os agentes pastorais e demais representantes vão até escolas, associações de bairros e outras entidades e promovem diversas atividades, como palestras, para discutir junto à comunidade os aspectos da Campanha da Fraternidade. O tema da CF ainda é abordado e reforçado em todas as missas das paróquias que integram a Diocese.
Objetivo é transformar hábitos pessoais e sociais
Após o diálogo com a Campanha da Fraternidade (CF), o esperado é que as ideias e propostas se transformem em soluções, gestos e atitudes. "A meta da CF não é só discutir, mas sim agir, pressionar o Estado e autoridades. Cada um faz o que está ao seu alcance", enfatiza o coordenador da CF de 2011 na Diocese de Bauru, Gerson Luiz Alves Pinheiro. As atitudes, portanto, são a chave para que a Campanha tenha êxito. "Ver, julgar e agir fazem parte da espinha dorsal da Campanha da Fraternidade", explica.
Assim, engana-se quem pensa que a CF fica presa apenas entre paredes das instituições religiosas. Ela contribui para a mudança de comportamento e influencia as decisões políticas, já que a troca de ideias entre os mais diversos segmentos sociais promove mudanças na estrutura política e social.
Prova disso são leis e estatutos criados a partir de objetivos da campanha. "Se você analisar cada CF, verá que há uma transformação. Os temas não ficam restritos apenas no discurso religioso", afirma Gerson.
O reflexo dessa transformação pode ser vista, por exemplo, no Estatuto do Idoso, criado em 2003, quando a CF focou esse público; a lei que faz referência aos povos indígenas, que passou a tratar o índio como uma nação, também tem contribuições das discussões que permearam campanhas anteriores; assim como a campanha sobre a água, que gerou fortes debates entre toda a sociedade, influenciando nos rumos do País. "Após a campanha que visou conscientizar as pessoas de que a água é um recurso finito, algumas leis do País começaram a exigir caixas de contenção em construções, para que a água da chuva fosse aproveitada", aponta Gerson.
O debate atual do novo Código Florestal, por exemplo, será um dos alvos da CF deste ano. "Queremos que a CF seja um canal para que todos os segmentos envolvidos com o Código sejam ouvidos, como, por exemplo, as agriculturas familiares, bastante importantes neste processo", argumenta o coordenador da CF em Bauru.
A Campanha da Fraternidade muda e influencia os hábitos dos cidadãos porque, segundo Gerson, ela atinge a todos de uma maneira muito direta. "Ela fala de maneira direta e forte, esmiúça o assunto às pessoas. A CF envolve toda a comunidade e considera estudos de especialistas. Isso faz a diferença", salienta Gerson. A reportagem tentou contato com o bispo dom Caetano Ferrari, mas ele não foi encontrado por estar fora do Estado.