Cultura

Campeões serão conhecidos hoje

Lígia Ligabue
| Tempo de leitura: 6 min


Está marcada para às 9h de hoje, no Automóvel Club, o início da apuração dos desfiles de Carnaval realizados no Sambódromo de Bauru. Os 18 jurados analisaram nove quesitos para as escolas de samba e quatro quesitos para os blocos.

Como o comércio abre a partir das 12h, a previsão dos organizadores do Carnaval é que até esse horário os vencedores já sejam conhecidos. Os motoristas devem ficar atentos, já que a rua Primeiro de Agosto, em frente à Praça Rui Barbosa, será interditada durante a apuração.

Um sistema de alto-falantes na sacada do Automóvel Club permitirá que os integrantes das escolas e blocos e as torcidas acompanhem a apuração na rua e na Praça Rui Barbosa. Dentro do Automóvel Club só serão permitidos cinco representantes de cada escola e três de cada bloco, além dos organizadores do Carnaval. O último Carnaval com competição em Bauru foi realizado em 2001.

Último dia de desfiles


A noite de encerramento do Carnaval no Sambódromo de Bauru foi uma mistura de emoções entre passistas, destaques e dirigentes de blocos e escolas de samba. Nervosismo, felicidade, orgulho e tristeza se misturavam nos bastidores, na noite de anteontem. Na noite em que a ausência da Mocidade Independente da Vila Falcão foi sentida pelos milhares de foliões que lotaram a Passarela do Samba, brilharam Pé de Varsa, Ouro Verde 100% Arte / Yauretê, Azulão do Morro, Unidos do Jardim Petrópolis e Águia de Ouro.

A arquibancada do Sambódromo permaneceu lotada até que o último componente da última escola terminou de desfilar. De acordo com as Polícia Militar, 20 mil pessoas acompanharam os desfiles, anteontem.

A força dos blocos


Depois da passagem do "Rei Momo" Luiz Fernando Ferreira de Lima, ao lado das rainhas do Carnaval, Francina Manson do Nascimento, e da Diversidade, Laetra, os componentes do bloco especial Pé de Varsa, que homenageou a boemia, começaram a se posicionar. Eduardo da Silva, o Marrom, presidente do bloco não se intimidou com a responsabilidade de abrir a noite. "É só a bateria começar a esquentar, que o público vem junto", disse.

No carro abre-alas, além da ilustre presença de Tuba Ferreira, um dos destaques era a veterana do Carnaval Deusa Alves Martins, 64 anos. Fantasiada de Dama da Noite, ela não temia a altura do carro. A passista Sheila de Paula Cardoso, 23 anos, do Pé de Varsa, conta que ensaiou durante um Mês para desfilar. "Para mim está sendo lindo. É a escola que eu amo", contou.

Ouro Verde 100% Arte / Yauretê levaram para avenida samba que pedia o resgate do planeta e investiu em carros feitos com material reciclável. "Como temos muitas crianças no grupo, cerca de 80, para nós foi bom. O desfile está no horário", avaliou Gilberto Cabral, presidente do bloco. E as crianças estavam bastante animadas. Fantasiado de barata, Adrian Felipe Martins, 8 anos, estava elétrico, aguardando o momento de entrar na Passarela do Samba. "Vai ser legal", avaliou.

Já Stefani Aparecida da Silva, 7 anos, estava muito preocupada com o adereço em seu cabelo. "Está certinho, tia?", perguntou à repórter.


Azulão do Morro

Primeira escola a desfilar na noite de segunda-feira, foi a Azulão do Morro. Com componentes do Parque Jaraguá, Nova Bauru, Parque Santa Edwirges e Fortunato Rocha Lima, a agremiação levou muita beleza e fez o público cantar junto o seu samba que trouxe as quatro estações.

Cleide Caleda, presidente da escola, corria na concentração para distribuir as fantasias. "Batalhamos muito junto com a comunidade para estarmos aqui hoje", afirmou a dirigente. Responsável pela coreografia da comissão de frente, que trouxe os seres elementares às estações, Robson de Oliveira não via a hora de colocar o resultado de seu trabalho na passarela. "Foram dois meses confeccionando tudo, semanas de ensaio", recordou.

Estreando no Sambódromo, Giuliano Henrique Marques, 16 anos, era responsável pelas batidas de um dos surdos da bateria da escola. "A responsabilidade é grande, mas a emoção de estar aqui também é. Vamos ser campeões", garantiu.

O bloco especial Unidos do Jardim Petrópolis saiu logo em seguida e contava com uma boa torcida na plateia. Os organizadores do grupo distribuíram a letra do samba enredo "A luz clareando nossa festa" ao público, que pode cantar junto do bloco. Dilson Carlos do Nascimento, dirigente do Unidos do JP convicto que iria levar a alegria do bairro para o Sambódromo. Já Leide Garcia, 57 anos, não se importava com o frio do início da madrugada. "Eu estou achando tudo ótimo", contou.


Águia de Ouro: 25 anos

Encerrando a noite e o Carnaval no Sambódromo, a escola Águia de Ouro festejou os 25 anos da agremiação na Passarela do Samba. Com cerca de 500 componentes, a escola presidida por Darcy Simões Júnior foi aguardada pelo público, que não esvaziou a arquibancada. "A gente veio para arrebentar e ganhar o Carnaval", afirmou Simões Júnior.

A determinação do presidente contagiou os componentes da escola que ainda na concertação já aqueciam sambando com a bateria comandada por Pelé de Pederneiras. Uma das integrantes da comissão de frente, Patrícia Gomes, 32 anos, estava confiante. "Vamos fazer um belo espetáculo", afirmou.

Francisco Gomes Ribeiro, 15 anos, um dos ritmistas da bateria chamou a atenção do público. Mesmo desfilando em uma cadeira de rodas, o adolescente fez questão de cruzar o Sambódromo. "É a segunda vez que eu desfilo e a emoção é muito grande. Ao final, a cadeira não atrapalha nada", concluiu.

Muita gente seguiu a Águia de Ouro até a dispersão, onde a bateria continuou por um bom tempo. Ao final, um bloco inusitado se junto aos funcionários da Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e rural de Bauru (Emdurb), que faziam a limpeza da passarela. Servidores da Secretaria Municipal de Cultura que trabalharam no Carnaval e o prefeito Rodrigo Agostinho (PMDB), se reuniram atrás do último carro da Águia de Ouro e encerram a festa.

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Problemas tiraram Mocidade


Depois de ver a sua escola desclassificada, Jaime Silva, presidente da Mocidade Independente da Vila Falcão, uma das mais tradicionais de Bauru, procurou o Jornal da Cidade para explicar o que levou a ausência do grupo no Sambódromo. De acordo com Jaime, uma sucessão de imprevistos e mal entendidos tiraram a Mocidade do Carnaval. O maior deles, foi a falta de instrumentos para a bateria. "Se eles estivem lá, nós sairíamos com 210, 100 componentes, com os que estivessem lá. Nós tínhamos fantasias boas e queríamos mostrar o nosso trabalho", contou.

Ele informa que o ônibus enviado para buscar os integrantes da escola partiram do bairro sem levar os instrumentos ao Sambódromo. Ao perceber que estavam sem os instrumentos musicais, Jaime conta que foi procurar ajuda com blocos do Núcleo Geisel, mais próximo ao Sambódromo. Porém, ele afirma que não obteve auxílio. Jaime também afirma que solicitou à prefeitura que mandasse o transporte novamente à Vila Falcão, mas mesmo com uma resposta afirmativa, o ônibus não foi enviado ao bairro. "Talvez tenha ocorrido um desencontro."

Ele também contou que o carro alegórico confeccionado para o desfile quebrou a caminho. "Ele chegou lá antes do desfile terminar", garante. De acordo com Jaime, os integrantes que estevam no local seriam apoiados pela ONG Periferia Legal e iriam sair na passarela após a passagem da última escola. Porém, com o anúncio a desclassificação, os componentes dispersaram.

Com a possibilidade de ver a Mocidade penalizada para o próximo ano, até com a proibição de desfilar, Jaime afirma que a escola voltará para o Carnaval. "Impedir de sair é uma pena muito dura. Não sei como vai ser no ano que vem, mas vamos continuar. Se não deixar a gente entrar no Sambódromo, vamos desfilar no bairro", afirmou.

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