Internacional

Gaddafi contra-ataca em duas frentes


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Trípoli - Forças leais ao ditador da Líbia, Muammar Gaddafi, lançaram ontem um contra-ataque a rebeldes em cidades no leste e no oeste do país, intensificando a ofensiva para reprimir a revolta contra o mandatário, que já dura 21 dias. Intensos confrontos foram registrados nas localidade de Zawiya, Ras Lanuf e Bin Jawad, que haviam sido tomadas pelas forças opositoras.

Na cercada Zawiya, a cidade controlada pelos rebeldes mais próxima da Capital, Trípoli, moradores acuados pelos ataques de ontem fizeram relatos de intensos confrontos.

Um porta-voz do governo, Mussa Ibrahim, disse que o governo tem o controle da cidade mas que um grupo pequeno de combatentes ainda está opondo resistência.

Um líbio que vive no exílio disse que ontem conseguiu se comunicar com um amigo na cidade que, em uma conversa rápida, descreveu cenas de combate em Zawiya.

Os relatos vindos de Zawiya não podem ser confirmados por observadores independentes porque tem sido impossível comunicar-se com residentes e combatentes rebeldes na cidade que antes mantinham contato regular com jornalistas.

Jornalistas estão sendo impedidos de entrar em Zawiya e outras cidades próximas da Capital sem uma escolta oficial. Alguns repórteres que tentaram chegar à cidade por conta própria foram detidos pelas autoridades.

Os rebeldes líbios e as tropas de Gaddafi também se enfrentaram em torno da cidade litorânea de Bin Jawad, terminal petrolífero entre Sirte - cidade natal do ditador - e Ras Lanuf, em poder dos oposicionistas, que conseguiram reforços para repelir um intenso fogo de artilharia.

Segundo a emissora Al Jazeera, os confrontos voltaram a atingir o local, inclusive com bombardeios da Força Aérea leal a Gaddafi, que combate as linhas de abastecimento rebelde.

Os rebeldes reforçaram suas tropas no local com o envio de mais combatentes e sobretudo de artilharia pesada nas últimas horas.

Segundo a Al Jazeera, os rebeldes apressam o envio de seus reforços, enquanto as brigadas de Gaddafi mobilizam mais efetivos para conter o avanço revolucionário sobre Sirte, cidade natal do ditador líbio, de vital importância pela acumulação de armas e por constituir o bastião das redes tribais pró-regime.

Os opositores redobraram sua determinação de chegar a Sirte como passo para libertar Misrata, isolada a leste pela terra natal de Gaddafi e a oeste por Trípoli.

A queda da cidade litorânea onde Gaddafi colocou a sede de alguns departamentos ministeriais e, sobretudo, montou um gigantesco pavilhão para montar suas cúpulas internacionais pode ser essencial para o desenrolar do conflito.

Também ontem, um avião bombardeou um prédio residencial de dois andares em Ras Lanuf, base mais avançada da oposição na região leste da Líbia. Membros das forças insurgentes correram para o local, mas até o fechamento desta edição não foram informadas vítimas no ataque.

Esta é a primeira vez que um ataque aéreo atinge casas em Ras Lanuf, um porto petroleiro estratégico que fica 300 quilômetros ao sudoeste da sede da oposição em Benghazi e é controlada desde sexta-feira pelos insurgentes que há três semanas lutam contra o regime. A explosão deixou uma cratera de dois metros de profundidade perto do edifício e vários estilhaços voaram a dezenas de metros.

Crise já causa fuga de 215 mil pessoas, dizem agências

Genebra - Mais de 215 mil pessoas, principalmente trabalhadores imigrantes, fugiram da Líbia nas últimas duas semanas e agora há falta de voos para repatriá-los, afirmaram agências humanitárias ontem.

O fluxo para Tunísia, Egito e Níger desacelerou nos últimos dias conforme os combates no oeste da Líbia têm restringido a movimentação das pessoas, afirmou a agência para refugiados da Organização das Nações Unidas.

"Em ambas as fronteiras, Tunísia e Egito, a maior parte das pessoas que aguarda retirada são homens solteiros de Bangladesh. Continua havendo uma escassez crítica de voos de longo percurso para Bangladesh, outras partes da Ásia e para a África Sub-Saariana", afirmou Adrian Edwards, porta-voz do Alto Comissariado para Refugiados da ONU (ACNUR).

Forças leais ao líder Muammar Gaddafi estão combatendo rebeldes na rodovia costeira ao norte do país e a preocupação de que o governo possa usar ataques aéreos está crescendo. Inglaterra e França estão liderando um movimento da ONU para a criação de uma zona de exclusão aérea sobre a Líbia.

Na Tunísia, cerca de 13 mil imigrantes de Bangladesh que fugiram da Líbia estão no campo de Choucha, próximo da fronteira, enquanto outros 3.700 imigrantes do mesmo país estão na fronteira com o Egito, segundo a Organização Internacional para Migração (IOM, na sigla em inglês).

"Estas retiradas simplesmente não podem ser feitas rápido o bastante", disse a porta-voz da IOM, Jemini Pandya, a jornalistas.

O ACNUR informou que as pessoas que estão tentando escapar da Líbia estão enfrentando bloqueios militares nas estradas, onde telefones celulares estão sendo confiscados.

"Não podemos contar com uma queda nos números. Há muitos bloqueios tornando difícil a saída do país. Recebemos um relato de um grupo de vietnamitas que passou por 65 postos de controle no caminho", disse Edwards.

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