O Plano de Cargos, Carreiras e Salários dos Servidores (PCCS) da Educação começou a valer este mês e já causa reação entre vários professores. De acordo com o Sindicato dos Servidores Municipais (Sinserm), pelo menos 70 docentes da rede municipal não obtiveram ganhos após o reenquadramento. A secretária municipal de Educação, Vera Caserio, afirma que a comissão que está cuidando da transição para o plano vai ouvir os professores queixosos.
A dirigente do Sinserm Idelma Corral foi uma das professoras que não tiveram ganho nos vencimentos. "Nos venderam a doce ilusão de que o plano traria a valorização da carreira. Mas, na verdade, se não fosse a emenda proposta pelo sindicato da irredutibilidade dos vencimentos, muitos seriam prejudicados", pontua.
Outra professora que não teve aumento foi Eliane Koti. O seu reenquadramento também terá que ser refeito, pois teria ocorrido erro nos cálculos. "Mesmo assim, a comparação é feita nos valores brutos. Se você calcular todos os descontos, a impressão de aumento vai embora, pois o resultado fica até negativo", observa.
Para Idelma, como a Secretaria de Educação possui orçamento significativo e vinculado, com verbas direcionadas para a valorização do profissional, os docentes esperavam ganhos maiores com o PCCS. "Teve servidor que saiu no zero a zero, mas muita gente teve um aumento percentual muito pequeno, de 1%, 2%", afirma.
Sandro Fernandes, advogado do Sinserm, afirma que os problemas dos servidores da educação serão inseridos na pauta de reivindicações que o sindicato enviou ao prefeito Rodrigo Agostinho (PMDB). "Além de professores, o pessoal do apoio operacional, motoristas, servidores da saúde, muita gente ficou empatada", observa.
No próximo dia 14, prefeitura e sindicato terão mais uma rodada de negociações. No dia seguinte, está planejada uma assembleia da categoria. "Nela, vamos verificar com os servidores quais serão os próximos passos", afirma Idelma. Hoje, a Secretaria Municipal de Educação e os servidores da pasta terão uma reunião em dois períodos no Sesc. O Sinserm afirma que estará no local para auxiliar os professores.
Prefeitura
Vera Caserio ressalta que o plano não é congelado e comporta mudanças. Ela também ressaltou que os professores que ficaram insatisfeitos com o reenquadramento podem procurar a comissão da pasta que realiza a transposição de planos para tirar dúvidas. "Além disso, onde porventura houver distorções, vamos analisar e promover as correções", afirma.
Ela confirma que de um universo de 2.050 servidores, alguns ficariam empatados. "Estamos abertos a esses servidores que não ficaram satisfeitos, vamos rever, analisar os casos. As as portas da secretaria e da comissão estão abertas. Podemos e vamos conversar", garante.
A revisão do plano aprovado o ano passado pela Câmara depende, entretanto, de apresentação de novo projeto de lei pelo Executivo, se esta for a decisão em relação à nova grade da Educação.