Em uma ação conjunta com a Polícia Civil de Londrina (PR) e de São José do Rio Preto, policiais da Delegacia de Investigações Gerais (DIG) de Jaú prenderam três suspeitos de fazer parte de uma quadrilha de furtos a condomínios de luxo que agia no Paraná e também em várias cidades do Interior de São Paulo. Apesar de ainda não ter sido confirmado, os policiais apontam que há indícios de que a quadrilha tenha sido responsável pelos furtos em série ocorridos no último fim de semana no Tívoli 1, em Bauru. Três marginais estão foragidos. Em Bauru, a polícia informa que ontem não houve novidades no caso.
A operação foi realizada em Londrina, onde se localizava a base da quadrilha, durante todo o dia de ontem. Segundo o delegado titular da Delegacia Seccional de Jaú, Roberto Cardoso de Mello Tucunduva Filho, as investigações por parte da DIG de Jaú haviam começado há quatro meses sob a coordenação do delegado titular da unidade, Edmilson Bataier.
Após uma dezena de mandados de busca e apreensão e seis de prisão temporária emitidos pela Justiça de Jaú, a ação conjunta foi montada. Na manhã de ontem, em um dos endereços dos mandados em Londrina, os policiais adentraram em uma residência e localizaram vários objetos que, provavelmente, eram furtados.
No local, Dana Stéfani da Costa foi detida. Horas depois, a polícia prendeu mais um suspeito: Éder Wilhis Nunes Pereira. O montante em dinheiro apreendido chegou a cerca de R$ 15 mil. Além da quantia, foram apreendidas duas caminhonetes - uma F-250 e uma XLT -, carros - um Golf e um Marea -, duas motocicletas, joias, cartões de crédito, eletrodomésticos e aparelhos eletrônicos como notebooks e celulares. "Também foram apreendidos documentos e comprovantes de movimentações bancárias que irão auxiliar nas investigações", aponta o delegado seccional Tucunduva.
Na parte da tarde, outro homem também foi detido. Enquanto prestava depoimento na delegacia de Londrina, Guerino Custódio Cardoso acabou preso sob suspeita de também ser um dos integrantes da quadrilha.
Por todo o dia, os policiais percorreram várias regiões no norte do Paraná para tentar localizar os outros três suspeitos que ainda estava foragidos. Em uma dessas diligências, entre os municípios paranaenses de Londrina e Alvorada do Sul, houve uma perseguição.
Durante a fuga, um dos suspeitos, Jéferson Cardoso dos Santos - marido de Dana Stéfani e que seria o líder da quadrilha - perdeu o controle do veículo Golf que dirigia e colidiu. Ele conseguiu adentrar em uma mata fechada, onde foi resgatado por outro suspeito, Abraão Custódio Cardoso.
Novamente, houve perseguição e os homens roubaram outra caminhonete para completar a fuga. Ainda durante a noite, os policiais montavam cercos em busca dos homens e a expectativa era de prendê-los durante a madrugada. No total, a operação, que continua, envolveu mais de 30 policiais. Foram quatro delegados e sete investigadores de Jaú, um delegado e quatro investigadores de São José do Rio Preto e 15 homens da Polícia Civil de Londrina.
Outras cidades
Além da suspeita do Tívoli 1, dos dois condomínios em Jaú e dos três em São José do Rio Preto, após a localização dos objetos apreendidos ontem e investigações da polícia, o leque de possíveis cidades e propriedades que teriam sido alvos da quadrilha aumentou bastante.
De acordo com o delegado seccional de Jaú, Roberto Tucunduva, é bastante provável que eles já haviam atuado de forma semelhante também em outros municípios paulistas, como Presidente Prudente e Florínea, e até mesmo em outros paranaenses, como Maringá.
Grupo teria grande ?patrimônio? do crime em cidades no norte do Paraná
Com o grande lucro obtido em cada operação criminosa, a quadrilha que teve parte de seus integrantes presa ontem teria construído um grande patrimônio, com numerosos veículos e luxuosos imóveis em várias cidades do norte do Paraná.
A base dos suspeitos era em Londrina (PR), onde eles possuíam aproximadamente três grandes residências em bairros de luxo da cidade. A polícia afirma que, durante todo o dia de ontem, realizou diligências em vários municípios próximos e também localizou grandes imóveis pertencente à quadrilha em Alvorada do Sul e Cambé. Suspeita-se que a quadrilha tenha efetuado movimentações financeiras de centenas de milhares de reais nos últimos meses.
Segundo o delegado seccional de Jaú, Roberto Tucunduva, tanto esses imóveis quanto os veículos que foram comprados com dinheiro originário do crime serão apreendidos pela polícia e depois, provavelmente, vendidos. "A polícia resgata todos esses produtos dos crimes e vende depois. O dinheiro arrecadado é devolvido a todas as vítimas lesadas pelos criminosos. É uma forma de tentar compensar o prejuízo que eles tiveram", conclui.
Os furtos no Tívoli
Os furtos em série no Tívoli 1, em Bauru, ocorreram no último sábado entre 20h30 e meia-noite. Na ocasião, bandidos entraram no condomínio, que mantém forte esquema de segurança, e invadiram nove residências. Sem serem vistos por uma pessoa sequer, eles saíram do local levando grandes quantias em dinheiro, joias, aparelhos eletrônicos e até mesmo armas.
Conforme noticiado pelo JC, os bandidos agiram munidos de informações privilegiadas. Durante a ação, eles sabiam onde e como agir, uma vez que todas as casas furtadas estavam vazias e, segundo a polícia, entraram por um ponto da cerca em que o alarme estava desligado.
Um especialista em segurança consultado pela reportagem discordou que o acesso ao condomínio tenha sido efetuado por tal cerca do muro lateral. Para ele, os bandidos provavelmente entraram e saíram pela entrada principal.
O caso repercutiu bastante em Bauru e região. Tomados pelo medo, vários moradores de condomínios fechados da cidade acionaram a polícia durante a semana e, inclusive, reforçaram a segurança de suas residências. O helicóptero Águia da PM chegou a sobrevoar algumas dessas áreas.
Indícios sobre condomínio de Bauru
As investigações que culminaram com as prisões de ontem, no Paraná, começaram pela DIG de Jaú há quatro meses. De acordo com o delegado seccional Roberto Tucunduva, há provas concretas de que a quadrilha é autora de furtos e roubos em cinco condomínios de luxo no Estado de São Paulo, sendo dois em Jaú e três em São José do Rio Preto.
O delegado, entretanto, aponta que, após os objetos terem sido apreendidos, há fortes indícios de que a quadrilha seja a responsável por vários outros crimes semelhantes, inclusive o realizado no último fim de semana no Tívoli 1, em Bauru. "Há indícios de que eles sejam os autores dessa série de furtos (em Bauru). Estamos otimistas em relação a isso. Mas não posso contar mais nada para não atrapalhar as investigações", limitou-se a declarar.
Tucunduva afirma que, mesmo sendo uma quadrilha armada, o modo de operação era baseado principalmente em furtos. "Os suspeitos possuem passagens por roubo. Mas apuramos que eram especializados em furtos. Usavam armas só quando precisavam. A especialidade deles era o furto em condomínios de luxo".
Outro ponto que também poderia indicar uma possível relação com o ocorrido no Tívoli 1 é o tipo de dinheiro alvo da quadrilha. "Apesar de não termos apreendido qualquer quantia em dólar e euro, sabíamos que eles furtavam muito esse tipo de dinheiro", destaca o delegado. Segundo o que a reportagem apurou, nos furtos em série no Tívoli 1 foram levadas altas quantias em dólares e também em euros. Além disso, vários outros objetos apreendidos como joias, notebooks e celulares também coincidem com o que foi levado do condomínio bauruense.
O delegado titular da DIG de Jaú, Edmilson Bataier, confirmou que "há fortes indícios de que os autores sejam os mesmos do Tívoli 1". Também sem revelar mais informações para "não atrapalhar as investigações", ele disse que hoje começam os interrogatórios dos suspeitos presos.
A DIG de Bauru, que investiga o caso do Tívoli 1, informou desconhecer a operação realizada ontem.