Internacional

Gaddafi retoma cidade de Ras Lanuf

Folhapress
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Trípoli - Pânico. Em uma palavra, era este o sentimento que pulsava ontem entre os rebeldes líbios na frente de combate contra as forças do ditador Muammar Gaddafi no leste do país, uma linha que recuou mais uma vez.

À noite, a cidade de Ras Lanuf, bastião mais ocidental da vasta área no leste do país ainda dominada pelos rebeldes, caiu ante as forças leais ao ditador da Líbia.

Acuados pelo poder de fogo claramente superior do rival, os rebeldes foram atacados por terra, ar e pela primeira vez também pelo mar.

Nem o serviço médico escapou. O hospital da cidade portuária de Ras Lanuf foi atingido por foguetes e teve que ser evacuado. Duas ambulâncias escaparam por pouco de um ataque aéreo.

Sob fogo cerrado, o clima entre os insurgentes era de desespero e perplexidade, com correrias desordenadas e disparos a esmo toda vez que um caça da aviação de Gaddafi cruzava o céu.

Sem comando nem treinamento, os rebeldes oscilavam entre um impulso quase suicida de avançar a qualquer custo e a cautela de esperar por reforços que não vinham ou eram insuficientes. Discussões acaloradas pipocavam a todo momento.

A estratégica cidade petrolífera de Ras Lanuf foi duramente bombardeada durante horas antes de cair.

Nos últimos dias, os rebeldes perderam terreno e boa parte do ímpeto que mostravam há uma semana, quando ultrapassaram Ras Lanuf e estavam certos de que o caminho estava aberto para Sirte, cidade natal de Gaddafi.

Após esvaziar Ras Lanuf, a ofensiva de Gaddafi continuava a fazer avanços no leste do país, território dominado pela oposição desde que o levante contra o ditador líbio teve início, há três semanas.

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Filho de Gaddafi fala em ofensiva total


Trípoli - A Líbia está se preparando para uma ação militar em larga escala para reprimir a rebelião e não irá se entregar mesmo se as potências do Ocidente intervierem no conflito, disse ontem Saif al-Islam, o filho mais notório do líder líbio, Muammar Gaddafi. "Chegou a hora da libertação. Chegou a hora da ação. Estamos nos mexendo agora", disse ele à reportagem em entrevista realizada em inglês.

Ao ser questionado se o governo estava se preparando para ampliar sua campanha militar, ele disse: "O momento é agora. É o momento para agir... Demos a eles duas semanas (para negociações)."

Usando uma linguagem incomum, Saif disse que a Líbia derrotará os rebeldes, mesmo com a intervenção de países ocidentais.

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Repórter brasileiro é libertado


Brasília - O jornalista brasileiro Andrei Netto, do jornal "O Estado de S. Paulo", foi libertado ontem na Líbia, segundo informações repassadas ao senador Eduardo Suplicy (PT-SP) pelo embaixador da Líbia no Brasil, Salem Omar Abdullah Al Zubaidi. Segundo Suplicy, o brasileiro vai deixar o país hoje, mas já encontra-se em liberdade.

O jornal "O Estado de S. Paulo" havia perdido contato há uma semana com o jornalista, que estava no oeste do país cobrindo os conflitos. O jornal informou que, até domingo, recebia informações indiretas de que o repórter estava bem, escondido na região de Zawiya, sem poder se comunicar com o jornal por razões de segurança.

Anteontem, o "Estado" recebeu indicações de que Netto tinha sido preso por tropas do governo perto de Zawiya.

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