Tóquio - A experiência de meio século lidando com desastres provavelmente salvou milhares de vidas no Japão depois do terremoto de ontem, mas nem mesmo esse bem azeitado sistema de reação foi capaz de impedir uma devastação generalizada.
Das mais de 1.000 pessoas mortas, acredita-se que a maioria das vítimas provavelmente se afogou na enxurrada marítima que varreu tudo no seu caminho.
A própria palavra tsunami é japonesa - significa "onda do porto" -, o que indica a longa e às vezes trágica experiência do país com esse fenômeno.
O sistema de monitoramento de terremotos e de alerta de tsunamis no Japão está entre os mais sofisticados - e caros - do mundo, algo compatível com um país riquíssimo e muito propenso à atividade sísmica, que tem em média um terremoto fraco a cada cinco minutos. A lei obriga, por exemplo, que os edifícios sejam construídos de modo a suportarem tremores de terra.
O sistema de monitoramento foi modernizado várias vezes desde a sua criação, em 1952, e especialmente depois que, em 1993, um terremoto de magnitude 7,8 provocou um tsunami de 30 metros de altura que devastou a costa de Hokkaido. Naquela ocasião, a agência meteorológica do país divulgou um alerta, que no entanto chegou tarde demais para centenas de pessoas mortas na tragédia.
Ontem, o serviço de alerta de tsunamis tem pelo menos seis centros regionais enviando sinais de 180 estações sísmicas em todo o Japão, e cerca de 80 sensores colocados no mar enviam informações 24 horas por dia para o Sistema de Observação de Tsunamis.
Para espalhar rapidamente eventuais alertas, a Agência Meteorológica do Japão e a imprensa desenvolveram um sistema que coloca os avisos nas telas de TV assim que eles são recebidos.
Além disso, os alertas são enviados às autoridades locais por um sistema via satélite, que complementa as comunicações terrestres. As autoridades locais ativam sirenes e sistemas de alto-falantes, e também decidem se é preciso ordenar a remoção da população.
Tóquio - O site criou uma ferramenta (bit.ly/goojp11) que funciona como um quadro de mensagens e um diretório por meio do qual é possível procurar parentes e amigos e escrever notas para descobrir se eles estão a salvo. O serviço pode ser adicionado a sites e a redes sociais. Voluntários ajudam na composição do banco de dados do sistema, que foi usado pela primeira vez no terremoto do Haiti, em janeiro de 2010.