Bairros

Hortas caseiras: saúde e terapia

Wanessa Ferrari
| Tempo de leitura: 5 min

Na segunda-feira, arroz enfeitado com cebolinhas e salpicado com salsa finamente picada. Como acompanhamento, salada de beterraba, alface e cenoura, tudo fresco, colhido na hora. De bebida: limonada suíça geladinha.

Na terça-feira, macarrão com molho de rúcula e salada de almeirão com tomate. O refresco fica por conta da polpa dos maracujás colhidos diretamente no pé.

Na quarta-feira, é a vez do peixe temperado com limão, salsinha e cebolinha acompanhar o arroz. Quanto à salada, pode ser de almeirão ou couve-flor. A hortelã fresca é responsável por dar um toque especial ao suco de abacaxi.

Ficou com água na boca? Então imagine que todos esses pratos foram feitos basicamente com alimentos frescos, colhidos poucos minutos antes do preparo.

Acha impossível? Pois saiba que estas são apenas três das muitas possibilidades de cardápio que podem ser eleitas para compor a mesa de almoço de Rosa Delasta Gimenes e Antônio Gimenes, moradores da Vila Coralina.

O segredo para uma alimentação tão saudável foi descoberto pelo casal há quase 40 anos e é guardado carinhosamente nos fundos da casa, que abriga em poucos metros quadrados uma linda horta.

"Comecei a plantar depois que me aposentei. Descobri uma ocupação boa para a cabeça, que ajuda a passar o tempo. Além disso, melhora a alimentação, reduz gastos no supermercado e ainda dá para agradar os vizinhos com mimos saudáveis", conta, rindo, "seo" Antônio.

Assim como o casal, muitos bauruenses já descobriram os benefícios de se ter uma pequena plantação de verduras, legumes, temperos ou frutas no fundo do quintal. Tanto é que as hortas caseiras sobreviveram, adaptaram-se à modernização e crescimento do município e chegaram também aos apartamentos.

O fotógrafo Marcos Leandro, 37 anos, foi um que aderiu ao cultivo de temperos na sacada do prédio onde mora, na vila Altinópolis. Por conta da falta de espaço, ele optou por plantar em vasos somente espécies pequenas.

"Além de ser um elemento decorativo, meus vasos de tempero colaboram para o sabor dos meus molhos e saladas", explica.

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Para o corpo e a alma


Há quem opte por ter a própria horta por questões econômicas. Outros, por zelo à saúde. Há ainda que enxergue no cultivo de verduras e legumes uma terapia. De acordo com especialistas, as hortas podem trazer todos estes benefícios e muito mais.

O mais notável é, sem dúvidas, a melhoria na qualidade da alimentação. Com alimentos sempre fresquinhos e disponíveis, compor uma refeição balanceada se torna uma tarefa bem mais fácil do que comprar os produtos no supermercado.

Porém, ao contrário do que muita gente pensa, os valores nutricionais dos alimentos comercializados nos supermercados é equivalente ao dos produzidos em hortas caseiras.

"As variações nutricionais são pequenas e dependem do solo onde é feito o plantio. Mas o benefício em si está no consumo diário de uma variedade de verduras ou legumes, que é alcançado por meio do acesso facilitado, característico das hortas caseiras", explica a nutricionista Rita Cristina Chaim.

Consumir uma pequena quantidade diária de salsinha e cebolinha, misturada ao arroz ou ao molho, por exemplo, é uma boa maneira de aumentar ou manter o nível de ferro necessário ao perfeito funcionamento do organismo.

"Além disso, verduras são ótimas fontes de vitaminas, fibras e minerais, que promovem a saciedade e ajudam o intestino a funcionar melhor", ensina a nutricionista.

O lado psicológico também é beneficiado pelas plantações caseiras. Isso porque os cuidados necessários para o cultivo de verduras e legumes despertam o interesse, ativam o raciocínio e remetem ao relaxamento, promovendo o equilíbrio.

"Cuidar de uma horta é um trabalho manual distante de ser intelectualizado. Requer uso do corpo e, por isso, relaxa a mente. Além disso, o contato com a terra traz sensações de tranquilidade e paz. Não tem contra-indicações", determina a psicoterapeuta Regina Célia Paganini Furigo.

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Plante sua horta


Muita gente se esconde por traz de argumentos como a falta de espaço ou o excesso de trabalho para justificar a ausência de uma pequena horta de temperos, verduras ou legumes no quintal de casa ou na sacada do apartamento.

Porém, o que a maioria destas pessoas não sabe é que ter uma horta caseira pode ser algo prático, barato, que requer pouco espaço e, além de tudo, é uma fonte de benefícios.

Otaviano Alves Pereira, engenheiro agrícola da Secretaria Municipal de Agricultura (Sagra), ensina que, a primeira etapa é avaliar o espaço existente e decidir que tipo de verdura, legumes ou tempero pode ser plantado no local.

"Se a pessoa tem um quintal grande, com muita terra, por exemplo, pode abusar da criatividade e variar bastante na horta. Já quem mora em apartamento deve optar por vegetais menores, como salsa, cebolinha e hortelã, que podem ser plantados em vasos", ensina.

De acordo com ele, abóbora, chuchu, melancia e outras plantas que produzam ramos não são indicadas para espaços pequenos. Uma boa opção para quem mora em apartamentos é criar uma horta vertical, em que os vasos devem ser fixados nas paredes.

Para quem vai plantar no próprio solo, Otaviano indica verificar se o local não tem pedras, infestação de tiririca ou grama do tipo seda. A terra deve ser bem drenada, não muito argilosa. Para preparar o solo, recomenda-se utilizar adubo orgânico, obtido por meio da decomposição de cascas de frutas e legumes que sobram na cozinha.

"É só deixar estas sobras em recipientes tampados por 40 a 45 dias. São muito ricos para o solo e, além disso, ajudam a diminuir o lixo. Mas é importante ressaltar que estes restos não podem ter contato com sal ou óleo vegetal, que contaminam o solo", ressalta.

Depois de preparada e adubada, a terra está pronta para receber as sementes, que podem ser compradas em casas do ramo. Uma dica é plantar a semente em um pequeno copo plástico, até que a muda atinja altura aproximada de cinco centímetros, tamanho ideal para ser replantada na terra.

"Cumprida essas etapas, basta regar duas vezes ao dia, pela manhã e pela noite, com água em abundância, e cuidar para que nenhum bicho tome conta da horta", orienta o engenheiro agrícola.

Se sua horta for de verduras, elas levarão de 40 a 45 dias para estarem prontas para a colheita. Já os legumes, dependendo do tipo, precisam de mais de 80 dias para irem para a mesa.

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