São Paulo - Cerca de 400 brasileiros vivem na província de Fukushima, onde uma usina nuclear corre risco de colapso em decorrência do terremoto de magnitude 8,9 que atingiu o Japão, informou ontem a Embaixada do Brasil no país asático.
"Na região, vivem mais de 380 brasileiros", afirmou, por telefone, a assessoria de imprensa da embaixada.
Comunidades de brasileiros que moram no Japão estão se organizando para localizar amigos desaparecidos que vivem nas regiões afetadas pelo terremoto de 8,9 graus que atingiu o país na sexta-feira.
Uma lista com nomes de dez brasileiros de seis famílias imigrantes está circulando por e-mail e em páginas de Internet criadas pelos dekasseguis.
Eles moram nas cidades de Sendai e Fukushima e na região de Miyagi - as que sofreram maiores danos com o terremoto e o tsunami - e ainda não fizeram contato com a família. Ao contrário de telefones e celulares, a internet não parou de funcionar no Japão por causa do terremoto.
Uma das páginas mais acessadas dos dekasseguis é o blog "Lost in Japan" (Perdido no Japão), do brasileiro Alexandre Imamura Gonzales, 39, que mora há nove anos no país. "Até o momento recebi quase 350 e-mails pedindo informações (sobre pessoas desaparecidas)", disse.
Organizados, os dekasseguis descobriram por meio de telefonemas e internet onde estavam a maioria dos desaparecidos, em diversas regiões do Japão, exceto as 10 pessoas da região norte. Uma página no Facebook com título "11 de março de 2011 - Japão. Você está salvo?" também foi criada para que brasileiros deixem recados para dizer onde estão.
O Itamaraty afirmou que já recebeu ao menos 60 telefonemas de brasileiros que não conseguem achar seus parentes no Japão, mas ainda não divulga um número oficial de "desaparecidos". Isso porque muitas pessoas que acham seus parentes não voltam a ligar para informar os diplomatas.
"Conheço muito bem a região de Sendai e recebi a lista de brasileiros de lá que ainda não fizeram contato, mas ainda não consegui notícias de ninguém", disse Sérgio Hirakava, 34 anos, que mora há quatro anos em Shizuoka.
Ele e um grupo de amigos estão se organizando para enviar doações de comida para a região afetada.