Internacional

Japão: reator nuclear permanece instável


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Tóquio - Explosões no teto do reator número 3 da usina de Fukushima 1, no Japão, interromperam o bombeamento de água para outro reator, o 2, expondo varetas de combustível e elevando os riscos de que elas derretam por superaquecimento - maior temor das autoridades do país.

Mais tarde, depois que o nível de água foi restaurado, houve nova explosão - agora no reator 2, onde isso ainda não havia ocorrido.

A água é bombeada do mar desde que o tremor danificou o sistema de resfriamento.

O nordeste japonês, onde fica a usina, é a região mais devastada pela combinação de terremoto e tsunami que atingiu o país na sexta e deixou ao menos 2.800 mortos, segundo os últimos dados oficiais -estimativas apontam mais de 10 mil mortos.

No fim da noite, o nível dela no reator 2 foi restaurado, mas varetas continuavam parcialmente expostas.

O chefe de gabinete do governo japonês, Yukio Edano, disse ser "altamente provável" a degradação das varetas nos três reatores da usina.

O próprio governo, porém, afirma que não há evidência de exposição grave à radiação. A área de risco, da qual 210 mil pessoas foram retiradas, continua sendo o raio de 20 km em torno da unidade.


Tchernobil


Segundo André-Claude Lacoste, da agência nuclear francesa, o nível de gravidade no caso de Fukushima é de no mínimo 5. No acidente de Tchernobil (1986, na Ucrânia, com 50 mortos), o nível era 7, o mais alto da escala.

Em entrevista coletiva, Amano afirmou que há várias diferenças entre as duas usinas nucleares - incluindo design e estrutura.

A OMS (Organização Mundial da Saúde), porém, avalia que o risco à saúde pública no país é, até agora, mínimo.


Auxílio externo

Ontem, a comissão de energia atômica dos EUA disse ter recebido do Japão pedido de auxílio para controlar a situação nas usinas. Na explosão de hidrogênio acumulado no reator 3 (semelhante à do reator 1 no sábado), 11 funcionários ficaram feridos.

Usadas como combustível, as varetas contêm urânio e outros elementos. "Expostas" significa sem refrigeração (devido à redução do nível de água) dentro do reator, não que estejam ao ar livre.

O reator é envolvido por uma parede de contenção de concreto e aço, com 15 cm -que, segundo as autoridades, permanece intacta.

"Perdendo a refrigeração, pode acontecer degradação de algumas das varetas. Isso provoca a liberação de material radioativo??, afirma Laercio Vinhas, da Comissão Nacional de Energia Nuclear.

No caso extremo, as varetas podem se fundir, o que é chamado de derretimento -segundo Vinhas, esse é o pior acidente possível, com alto risco de contaminação. Ainda assim, o derretimento não significaria necessariamente grande liberação de material radioativo, diz ele: "Tudo vai depender das condições da contenção".


O terremoto de magnitude 8,9 que atingiu o Japão anteontem, seguido por um tsunami, causou danos ao sistema de refrigeração de três dos seis reatores de Fukushima. Os reatores estão aquecendo em níveis perigosos e as autoridades correm para evitar um derretimento das barras de combustível nuclear -que aumentaria o risco de danos ao reator e de um possível vazamento nuclear, segundo especialistas.
O maior temor é de um grande vazamento de radiação do complexo em Fukushima, 240 quilômetros ao norte de Tóquio. Em 1986, uma explosão na usina nuclear de Tchernobil, na Ucrânia, causou um vazamento de grandes proporções.
Mais cedo, as barras de combustível do reator nuclear 2 agora estão totalmente expostas, informou a operadora da usina, a Tokyo Electric Power Co., citada pela agência de notícias Kyodo.
As barras, formato no qual o urânio é moldado dentro do reator, haviam ficado expostas parcialmente mais cedo, mas os especialistas conseguiram estabilizar a situação, utilizando inclusive água do mar para aumentar o nível de água do sistema de resfriamento.

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Alemanha e Suíça suspendem projetos nucleares


Tóquio - Alemanha e Suíça foram os primeiros países europeus a suspender temporariamente projetos nucleares como medida preventiva, após a crise nuclear causada pelo terremoto no Japão. Já o Reino Unido disse ontem que é cedo demais para avaliar qualquer consequência ao uso de energia nuclear no país.

A maioria dos países da UE tem centrais nucleares, principalmente a França (19 centrais e 58 reatores), o Reino Unido (9 e 19), a Alemanha (12 e 17), a Suécia (7 e 16) e a Espanha (6 e 9).

A chanceler alemã, Angela Merkel, anunciou uma moratória de três meses na lei aprovada por seu governo para prolongar o tempo de uso das centrais nucleares do país. Merkel disse que o acidente nuclear na central de Fukushima, danificada pelo terremoto de sexta-feira passada, "muda a situação e na Alemanha, também".

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