Regional

Ata gera confusão e outra CP é aberta

Aurélio Alonso
| Tempo de leitura: 3 min

Presidente Alves ? Em nova sessão tumultuada, anteontem à noite, na Câmara de Presidente Alves (56 quilômetros de Bauru) foi aberta outra Comissão Processante (CP). Agora quem faz a acusação de ato incompatível com decoro parlamentar é o presidente do Legislativo, Waldir Luiz Lambetti, o "Bady", contra o vice-presidente Reginaldo Moraes Anastácio, o Maçarico (PTB), por supostamente pedir o pagamento de "mensalinho" de R$ 1,5 mil e 40 litros de combustível com recursos públicos.

Maçarico afirma que a denúncia é para tirar de foco a apuração de abuso de autoridade e da compra de voto feita pelo atual presidente da Casa.

"Bady" contra-ataca e afirma que pede para apurar "o esquema de corrupção" que vereadores pretendiam instalar no Legislativo.

Houve confusão e bate-boca depois da leitura da ata da última sessão, onde registra a abertura da CP contra "Bady" na última sessão para apurar quebra de decoro parlamentar por nomear as comissões permanentes da Casa sem consulta dos vereadores, suposta compra de voto e devido a uma dívida com posto de combustível.

Na hora do documento ser votado em plenário houve bate-boca. "Bady" alegou que a ata tem que passar pelo crivo da Comissão de Justiça e Redação.

Maçarico alega que a liminar da Justiça, que mantém o presidente da Câmara no cargo, estabelece que ele não pode causar embaraço à apuração da CP.

Parte dos vereadores se retirou da sessão, mas deu entrada denúncia de "Bady" contra Maçarico. "Se querem me investigar, vamos também apurar o caso do mensalinho e todas as denúncias. Foi só ler a representação, eles fugiram do plenário", declara "Bady".

Ele já tinha denunciado dois vereadores envolvidos no suposto esquema do "mensalinho" na delegacia seccional de Bauru. O inquérito policial tramita sob sigilo para não prejudicar as investigações. Os dois acusados são Maçarico e Sebastião Claviso (PPS), autor da representação que pediu a abertura de CP contra "Bady".

O presidente da Câmara afirma na representação que, após a proposta do "mensalinho" o vice-presidente procurou o advogado Rodolfo Andrade de Pirajuí para propor um contrato com o Legislativo no valor de R$ 4 mil. Segundo "Bady", R$ 2 mil daquele dinheiro seriam divididos com o vereador Sebastião Claviso e Maçarico.

A CP instalada escolheu os vereadores Valdeir dos Reis (DEM) presidente; Sueli Aparecida Pinho da Silva (PT) relatora e Cristiano dos Santos (DEM) membro. A comissão tem 20 dias de prazo, a partir da notificação do acusado, para receber a defesa de Maçarico. Se não ocorrer em 48 horas a notificação pessoal, ela será feita por edital pela imprensa. Cristiano Santos desconhecia ontem a sua indicação para fazer parte da processante. Ele tinha se retirado do plenário depois da discussão sobre a votação da ata.


Tirar o foco


O vice-presidente Reginaldo Anástacio, o Maçarico (DEM), alega que a denúncia de "Bady" é para tirar de foco a CP, que apura o abuso de autoridade do petebista nas nomeações dos membros das comissões permanentes. Sobre a representação para apurar o suposto "mensalinho" o parlamentar declarou que se retirou da sessão e desconhecia o conteúdo da denúncia. "Ele quer acusar, julgar e condenar. A denúncia é para desviar o foco e impedir que os vereadores possam votar no julgamento dele na Processante", declara.

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